Crítica | Pais e Filhas

Crítica | Pais e Filhas

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O rei do chororô

No mundo do cinema existem diretores que se especializam em determinados gêneros, construindo uma carreira em cima de tais. Alfred Hitchcock ficou conhecido como o mestre do suspense, Woody Allen realiza basicamente filmes sobre relacionamentos, Michael Bay é o homem da ação e explosões, Tim Burton é conhecido pelos contos de fadas de visual chamativo, e John Carpenter é um dos mestres do terror e ficção, para citar alguns.

Esta introdução serve para frisar que atualmente tais determinações ainda seguem aplicáveis. É o que ocorre na carreira do italiano Gabriele Muccino, especialista no cinema lacrimoso. O cineasta chamou atenção do mundo com À Procura da Felicidade (2006), filme indicado ao Oscar, e repetiu a dobradinha com Will Smith em Sete Vidas (2008). Ambos possuem um forte teor dramático, que desafiam o espectador a sair com os olhos secos ao final da sessão.

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Esta semana, chega aos cinemas do país o novo trabalho de Muccino, o drama (como não poderia deixar de ser) Pais e Filhas – exibido previamente em outros países do mundo, como Itália e Japão, no final do ano passado. Os filmes de Muccino podem chegar perto da perfeição dramática, como é o caso com À Procura da Felicidade, porém, sua nova produção soa mais como algo saído da mente do autor Nicholas Sparks – mas um bom exemplar de algo escrito pelo autor.

Na trama, o astro Russell Crowe interpreta Jake Davis, um escritor movendo montanhas para conseguir criar a filha pequena. Após um acidente que tira a vida de sua esposa, o protagonista exibe fortes sinais de abalo físico e psicológico, precisando se tratar em um hospital psiquiátrico durante um ano inteiro. Neste período, a pequena Katie (sua filha), é criada pela tia (papel da bela Diane Kruger) e o marido milionário (papel de Bruce Greenwood). Logo após o retorno do protagonista, os parentes tentam adotar sua filha, entrando em uma briga judicial.

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De forma interessante, a narrativa se desenvolve em duas linhas temporais: a que mostra a infância de Katie citada no texto acima, e o presente, com a jovem já adulta, assumindo as formas de Amanda Seyfried. Nesta segunda história, tão bem desenvolvida (ou até mais) quanto a anterior, vemos como tais acontecimentos influenciaram na vida adulta da jovem, formando seu caráter perturbado e fragilizado emocionalmente. Katie tornou-se uma mulher incapaz de assumir o compromisso de afeto num relacionamento, buscando prazeres carnais descartáveis como forma de satisfação.




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A Katie adulta é provavelmente a personagem mais complexa e multifacetada da carreira da jovem Seyfried, talvez sendo comparável apenas à Linda Lovelace, no filme homônimo de 2013. Crowe e Seyfried não chegam a se encontrar em cena e cada um comanda sua parte da trama, divididas por linhas temporais distintas. Embora exista um abismo gritante de separação de talentos entre Crowe (mais uma vez magnífico), que interpreta de forma intensa um sujeito apaixonado e doente, e Amanda Seyfried, a jovem dá conta do recado, fazendo o que bem sabe e não causando perda de ritmo ao filme – em parte impulsionada pelo companheiro de cena, Aaron Paul (da série Breaking Bad).

O roteiro confeccionado pelo estreante Brad Desch é básico, não criando nada que já não tenhamos visto diversas vezes em produções melhores. No entanto, somado à direção segura de Muccino, resulta num bom drama, que se não nos faz correr aos cinemas, rende um bom programa numa tarde chuvosa em casa. Com direito a mais quatro atrizes veteranas do Oscar – Jane Fonda (vencedora do Oscar por Klute, o Passado Condena e Amargo Regresso), Octavia Spencer (vencedora do Oscar por Histórias Cruzadas), Janet McTeer (indicada ao Oscar por Albert Nobbs e Livre para Amar) e Quvenzhané Wallis (indicada ao Oscar por Indomável Sonhadora) – a força de Pais e Filhas reside realmente no empenho de seus atores e suas atuações.

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