Crítica | Passageiros

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Perdidos no Espaço

Obviamente você já ouviu a pergunta: quem você levaria para uma ilha deserta? Ou com quem gostaria de se perder? Atualmente, a maioria das meninas e rapazes diriam Chris Pratt e Jennifer Lawrence. De fato, a dupla de jovens atores está no topo do mundo, como os astros mais rentáveis da atualidade em Hollywood.

Lawrence dispensa apresentação. Com as franquias X-Men (3 filmes) e Jogos Vorazes (4 filmes), J-Law – como é conhecida pelos fãs – escreveu sucesso em seu nome. Mas foi com produções como O Lado bom da Vida (que rendeu a vitória no Oscar), Trapaça (2013) e Joy: O Nome do Sucesso (2015), que a atriz se mostrou uma força da natureza e que seu nome no letreiro é capaz de arrastar multidões para os cinemas como poucos.

Pratt, de gordinho em comédias, foi resgatado pela Marvel / Disney para se tornar um herói de ação sarado e permear os sonhos das (e dos) adolescentes. O filme era Guardiões da Galáxia (2014), obra que mostraria ao mundo o potencial do novo adorável canalha do cinema. Desde então, Pratt foi visto nos sucessos Jurassic World (2015) e Sete Homens e um Destino (2016). E esse ano tem Guardiões Vol 2

     


Bem, chega de enrolar. Vocês já entenderam que Lawrence e Pratt são grandes, tão grandes que não dá para ficar muito maior. O que você quer saber é o que esperar de Passageiros. Bem, voltando àquele primeiro parágrafo, sobre se perder numa ilha deserta, essa é a sensação ao assistir ao novo longa de ficção protagonizado pelo casal quentíssimo. Essa é uma ilha deserta, mas uma ilha tecnológica, saída diretamente do futuro, e dona de todos os itens que vocês mais gostam, ou seja, vídeo games, filmes, academia, comida, é um verdadeiro paraíso.

Na trama, centenas de pessoas viajam pelo espaço a fim de colonizar um novo planeta, uma espécie de segunda Terra. Esse cruzeiro de luxo é caro, e dividido em classes econômicas, assim como o Titanic. Além disso, a viagem é longa e dura uns 90 anos, só sendo possível para os tripulantes realizar essa transição em criogenia (aquele sono profundo no qual não se envelhece, que conhecemos bem de produções do gênero). A trama começa a girar quando após um incidente, a câmara contendo o protagonista Jim Preston (Pratt) abre trinta anos antes do tempo.

E agora? O que resta ao nosso intrépido herói? Passar o resto de sua existência neste transatlântico de luxo, usufruindo de toda tecnologia que o colosso tem a lhe oferecer, sozinho, e sem nunca conseguir botar os pés no novo planeta – já que até a espaçonave chegar a seu destino final, o sujeito terá provavelmente morrido de idade avançada. Bom, isso é, até outra câmara dar defeito e dela sair a estonteante Aurora Lane (Lawrence) – não, você não está enganado, o nome da personagem é uma referência à clássica princesa da Disney de A Bela Adormecida (1959), dentre tantas que o longa irá fazer ao longo de sua projeção.

A esta altura vale mencionar as mentes pensantes por trás do projeto: o roteirista Jon Spaihts (Doutor Estranho e Prometheus) – como é bom ver um filme com apenas um roteirista, peitando o sucesso ou o fracasso por conta própria – e o diretor norueguês Morten Tyldum (Headhunters), indicado ao Oscar por O Jogo da Imitação (2014). A história confeccionada por Sapihts captura de imediato nossa atenção e mistura na trama suspense, drama, romance, certo humor e adrenalina, em doses equilibradas e satisfatórias. A direção de Tyldum é enérgica e mantém um bom ritmo, fazendo de Passageiros um dos entretenimentos mais ofuscantes deste início de ano. Tudo é belo visualmente, brilha e ecoa magnitude. Esta é uma produção esplendorosa, que destaca sua direção de arte, figurinos, fotografia e maquiagem, remetendo às grandiosas produções da era de ouro de Hollywood.

Passageiros talvez careça da importância existencialista que a obra poderia ter, mas de qualquer forma levanta questões suficientes para dar substância a um produto voltado e vendido para as massas sem entediar o público disperso que lota as salas dos multiplex de shopping. A química entre os protagonistas está lá e funciona. Sabemos que nem sempre colocar dois grandes astros fazendo par é garantia de sucesso (que o diga Johnny Depp e Angelina Jolie O Turista feelings). Pratt está mais contido do que o habitual, arriscando momentos um pouco mais dramáticos e Lawrence igualmente mantém uma nota mais baixa em sua costumeira extravagância performática.

Completando o elenco principal, temos o sempre ótimo Michael Sheen num papel curioso, cujas cenas mantém O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, em nossas mentes com mais uma das muitas referências do longa.  Passageiros é um espetáculo visual, divertido e que acerta em todas as notas, levantando as questões necessárias, sem esquecer detalhes adereçados pelo roteiro, que poderiam passar em branco se os realizadores não demonstrassem verdadeiramente se importar com o que estão vendendo. Romance e egoísmo nunca caminharam tão lado a lado. Ah, o amor.


Crítica | A Múmia:



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