Crítica | Pequeno Segredo

Crítica | Pequeno Segredo

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Primeiramente, fora… com as questões políticas. Quero deixar claro logo neste início de texto que a única coisa sendo analisada e comentada aqui é a qualidade da obra cinematográfica, escolhida para representar o Brasil por uma vaga na categoria de cinco filmes indicados ao Oscar de produção estrangeira, nos próximos prêmios da Academia. E justamente por isso, este talvez seja o segundo filme nacional mais polêmico do ano, atrás somente do motivador da controvérsia, Aquarius.

Aquarius, o tal filme polêmico, já foi exibido para a imprensa e, bem, é bom. Ao menos foi o que constatou a maioria, mesmo a imprensa especializada isenta. O fato é que Aquarius não foi o escolhido para representar o país. Isso é ruim? Bem, por um lado sim, já que o filme vinha colecionando elogios e prêmios por festivais internacionais. Aquarius seria o filme mais forte e que poderia dar chance real ao Brasil? Quem sabe. O que significa a não escolha do filme? Absolutamente nada. Apenas que para a bancada que elegeu o filme, ele não era o melhor para tal missão. Acontece. Em anos recentes tivemos exemplos assim no país e até mesmo em outros lugares do mundo o fato é comum.

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Pequeno Segredo foi o eleito. E recentemente ontem, foi a vez do filme ser revelado para a imprensa do Rio de Janeiro, exibição na qual estive. O filme, dirigido por David Schurmann, é uma bela homenagem em forma de carta de amor para sua irmã adotiva, a pequena Kat (Mariana Goulart), que nasceu portadora de HIV e faleceu ainda na adolescência. Uma história digna e merecedora de ser contada. O grande problema é a forma como essa história é contada.

Sabemos bem que qualquer história ou tema pode ser transformado em uma obra cinematográfica de qualidade. As tramas mais simples e recicladas continuam a render bons filmes, se feitos da forma correta. O mesmo pode ser dito das tramas mais mirabolantes e loucas. No entanto, Pequeno Segredo possui problemas quase irreconciliáveis em sua execução. Primeiro com seu roteiro, que não sabe muito bem no que quer focar, ou qual história deseja contar. Começa como um romance, entre o gringo Robert (Erroll Shand), vindo da Nova Zelândia, com a brasileira Jeanne (Maria Flor).

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Num vai e vem de flashback, temos mesclada a esta história o drama familiar meloso, com a pequena Kat, necessitada de atenção extra devido a sua condição. A mãe atenciosa, papel de Júlia Lemmertz, está presente para o que der e vier. Já o pai, papel de Marcello Antony, é esquecido com mais frequência pelo filme, fazendo apenas figuração aqui e acolá. Dentro deste núcleo temos as desventuras de Kat no colégio, que variam desde o primeiro amor não correspondido, e a amizade com uma colega nova. O último ato ainda guarda mais um assunto a ser abordado, a briga da avó materna da menina, papel de Fionnula Flanagan (ótima em cena), pela guarda da neta.





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Pequeno Segredo opta pelo melodrama fácil, soando muito como os folhetins lacrimosos que reprisam durante a tarde na TV aberta. Toda sua estrutura se assemelha mais com a de produções feitas para a televisão (direção de arte, narrativa, fotografia) do que com uma obra cinematográfica de grande envergadura. Os diálogos são rasteiros e superficiais, e o desenvolvimento de personagens não é aprofundado. Ótimos atores como Lemmertz, Antony e Flor fazem o que podem para segurar nosso interesse, mas o roteiro assinado por Victor Atherino, Marcos Bernstein e pelo próprio Schurmann, não lhes oferece muito.

Pequeno Segredo irá certamente falar mais com o público do que com os críticos, já que grande parcela da população responde bem a este tipo de formato. “Não comece com este melodrama latino”, dispara a preconceituosa avó de Flanagan a certa altura. E a ironia está implícita.

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