Crítica | Poltergeist – O Fenômeno

Crítica | Poltergeist – O Fenômeno

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Novo Poltergeist é apenas mais um filme de casa assombrada

Tudo precisa existir em um contexto. E um filme sem dúvida se encaixa nessa regra. Poltergeist – O Fenômeno, o filme original de 1982, era um produto de sua época. Foi responsável, ao lado de tantas outras obras da década de 1980, por criar o cinema blockbuster – aquele tipo de filme sensação que todos precisavam assistir ou ficariam por fora do assunto. Era uma produção grande, produzida por Steven Spielberg (vindo dos sucessos de Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Os Caçadores da Arca Perdida), que fazia dos recém aprimorados efeitos visuais grande parte do todo que o constituía.

Hoje, nada chama verdadeiramente atenção em matéria de CGI (imagens geradas por computadores). O processo de ficarmos maravilhados com coisas assim estagnou, digamos, em 2009 – com Avatar. Além disso, conta o fato de que o Poltergeist original não era apenas efeitos, e sim construção de clima, atuações e character actors (personagens atores) icônicos e muito difíceis de serem reproduzidos. O original foi dirigido por Tobe Hooper (O Massacre da Serra Elétrica), que nega a direção devido à interferência diária do produtor Spielberg, que regia tudo com mão de ferro. O próprio Hooper afirma que Poltergeist (1982) é um filme de Spielberg.

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Seja como for, isso contribuiu para os momentos mais leves e “família” do filme – como, por exemplo, uma picuinha entre vizinhos por motivo de sintonia trocada entre controles remotos (mais uma marca forte de seu tempo – controles remotos eram novidade e afetavam a casa vizinha). Tais momentos criam uma boa atmosfera, estabelecendo o mundo no qual os personagens vivem, os próprios personagens e suas características. Outro exemplo são os protagonistas vividos por JoBeth Williams e Craig T. Nelson, pais liberais e recém saídos da década de 1970, que após um dia exaustivo acendem um baseado no quarto para relaxar, em um filme mirado ao público jovem.

É quase um estudo antropológico analisar as diferenças de censura de épocas. Algo que diz mais sobre nossa sociedade fora das telas, do que de fato sobre o assunto do filme em si. É interessante perceber esses pequenos detalhes sutis. Fora isso, dá para notar a mão de Hooper (sempre mais pesada para o terror) em alguns momentos, em especial na cena mais visceral do filme, quando numa alucinação um sujeito arranca o próprio rosto com as mãos. O original está bem vivo em minha memória pois tive a oportunidade de assisti-lo no cinema recentemente, numa dessas reprises dos anos 1980.

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Como dito, o novo Poltergeist serve mais a título de curiosidade, para os fãs analisarem e notarem estas mudanças. Porém, como seu próprio filme não se sustenta e sofre por comparação, já que hoje o nível do subgênero do terror de “casas assombradas” é alto, com obras muito mais interessantes. De começo, uma das alterações vem na família, não mais Freeling, e sim Bowen. O que termina por eliminar Carol Anne, um dos nomes mais icônicos de personagens do cinema. A dinâmica, no entanto, continua: pai (Sam Rockwell), mãe (Rosemarie DeWitt), filha mais velha (Saxon Sharbino), filho do meio (Kyle Catlett) e filha caçula (Kennedi Clements) – tão engraçadinha quanto a citada personagem da falecida Heather O´Rourke.




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Ao chegarem em sua nova casa nos subúrbios de uma cidade americana, os Bowen aos pouco começam a notar estranhos acontecimentos. Outro elemento modificado é que o remake possui um foco estranho na crise financeira da família – reflexo da atualizada que o filme recebeu. Entre drones, iPads, celulares, reality shows e outras tendências modernas, o novo Poltergeist parece apenas querer apontar a mudança tecnológica que a sociedade sofreu.

O remake carece em graça e originalidade, repetindo só o que não interessa e deixando de fora a parte mais importante, os elementos humanos que situavam o original. Fora isso, o novo Poltergeist não é intenso o suficiente e não chega realmente a assustar. Estraga pontos chave em reviravolta (como a descoberta do cemitério no qual a casa foi construída em cima) e deixa de fora a memorável Tangina (Zelda Rubinstein) – impossível de ser reprisada. Aqui ganhamos um Jared Harris pouco inspirado, mal amparado por um personagem idem. Que saudade dos anos 1980…

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