Crítica | Quase 18

Crítica | Quase 18

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As Desvantagens de Ser Invisível

Escrito e dirigido pela cineasta estreante Kelly Fremon Craig, e com produção do veterano James L. Brooks (Melhor é Impossível), Quase 18 deixaria orgulhoso o diretor John Hughes, um ícone quando o assunto é filme adolescente de qualidade. Com certeza Craig tira muitas de suas referências do que viu nos filmes de Hughes para construir seu primeiro longa, conseguindo assim escrever seu próprio nome da história também.

Este é um daqueles filmes cuja estrutura é toda montada em volta da protagonista. Para o filme funcionar, a protagonista precisa funcionar. Nada melhor então do que ter estrelando uma jovem do porte de Hailee Steinfeld, que já pisou no mundo da sétima arte com uma indicação ao Oscar (por Bravura Indômita, dos irmãos Coen), aos 14 anos de idade. Hoje, aos 20, mas ainda apresentando rostinho de menina, a atriz desabrocha, além da forma física, o talento natural de atuação. Ela é a vida e o pilar de Quase 18.

Na trama, Steinfeld vive Nadine, a típica colegial norte-americana, dos subúrbios de classe média alta. Mas antes de entrar no mérito cínico e apontar a falta de problemas reais de pessoas privilegiadas, vale lembrar que cinema não é, e não deve ser, apenas um retrato de dificuldades sociais. E sim existenciais. Nadine passa por todas as questões experimentadas por qualquer um que já teve esta idade – uma época de extrema insegurança e grande revolta.

     

De fato, a protagonista de Steinfeld reflete bem o modelo Molly Ringwald, a ruivinha musa dos filmes de Hughes, vide Gatinhas e Gatões (1984) e A Garota de Rosa-Shocking (1986). Ela está naquela fase onde deixou a infância para trás e caminha para a vida adulta, sem saber bem a qual ponta se agarrar mais. Essa zona cinza pode ser uma época de muita alegria, tristeza ou ambos. Tímida e introvertida, o que não ajuda em nada a causa, Nadine não tem amigos e pertence à turma dos excluídos, isto é, tirando Krista – daquelas amizades que nascem ainda na infância.

Sua força está na família, em especial no pai – um companheiro bem compreensivo. Quando ele morre de um ataque do coração, a vida da jovem se desestrutura completamente. O que Craig retrata aqui com seu filme é mais do que uma parcela da vida de uma adolescente, é uma conversa quase tão sincera quanto à proposta por Aos Treze (2003), de Catherine Hardwicke, ainda abordando temas como o início da depressão. Nada tão intenso, porém, já que se trata de uma comédia juvenil, leve e um tanto quanto despretensiosa. Mas a mensagem consegue ser transposta perfeitamente.

Embora seja um one woman show, o filme tem apoio de atores talentosos em papeis coadjuvantes, quase todos brilhando tanto que poderiam roubar os holofotes para si – se Steinfeld não os segurasse tão bem. Woody Harrelson garante a maioria das risadas como o professor desmotivado e Kyra Sedgwick vive a mãe de Nadine. As performances que mais chamam atenção, no entanto, são as dos jovens Blake Jenner (Jovens, Loucos e Mais Rebeldes), que vive o irmão da protagonista, e a revelação Haley Lu Richardson, no papel de Krista, a melhor amiga.

Quase 18 pode ser considerado um filme colegial formulaico, já que apenas baseia-se na estrutura pré-concebida do subgênero. No entanto, o faz com tamanho vigor e vontade, que consegue encontrar originalidade nas entrelinhas. É na interação dos personagens, o que diz respeito também às atuações, que o filme transcende. Além disso, o longa de Craig oferece uma olhada de bastidores, em como funciona o universo colegial hoje, além do comportamento realístico entre jovens de tal geração – o que para quem está afastado desta realidade há tanto tempo, é sempre interessante.

Por seu trabalho em Quase 18, Hailee Steinfeld foi indicada ao Globo de Ouro 2017. Merecido. Se todas produções do gênero pudessem contar com o talento de atrizes com Steinfeld, e a criatividade do texto de Craig, os adolescentes de hoje estariam bem representados.


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