Crítica | Rio Mumbai – Ficção científica nacional se perde no tempo

Crítica | Rio Mumbai – Ficção científica nacional se perde no tempo

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A narrativa cinematográfica sempre brincou com as noções de passado, presente e futuro. Grandes diretores como Christopher Nolan e J.J. Abrams, por exemplo, costumam trabalhar com o tempo de maneiras interessantes. A não-linearidade dentro de um filme talvez seja uma das tarefas mais complexas de se realizar e, mesmo que de forma mais singela que as grandes produções hollywoodianas, a ficção científica Rio Mumbai se propõe a entrar nessa discussão. Uma briga que só se vence se inovar a linguagem, coisa que o filme tenta a todo custo e acaba por não fazer.

Na trama escrita, dirigida e estrelada por Pedro Sodré (que também divide a direção com Gabriel Mellin), Nelson é um jornalista desiludido e desmotivado, que tem estranhas visões inexplicáveis. Certo dia, um velho amigo cientista (Bruce Gomlevsky), que mora em seu prédio, tenta convencê-lo de que os acontecimentos estão ligados a um estudo desenvolvido por ele sobre viagens no tempo. Através de um diário, Maria (Clara Choveaux) mulher de Nelson, tem revelações sobre acontecimentos que envolvem o passado, presente e futuro.

A premissa é intrigante e envolvente, começa de forma confusa para os espectadores desavisados, exatamente como grandes filmes desse gênero, mas a partir de seu segundo ato as coisas vão ficando mais claras e, consequentemente, necessitando mais da nossa atenção. Até entendermos que estamos lidando com uma linha temporal desconstruída, muita água já rolou e o roteiro, mesmo que bem elaborado, se arrasta demais no começo, fazendo o ritmo do filme se perder em muitos momentos.




Somado a isso, o elenco não ajuda em nada na narrativa tediosa. Atuações engessadas, falta de química entre os personagens e a ausência de carisma do protagonista nos afasta gradativamente da nossa curiosidade para saber o que está acontecendo. Não sentimos nada por aquelas pessoas em tela, logo, pouco nos importamos com seus eventuais destinos. Por outro lado, Sodré mostra muito mais talento na direção, com planos elaborados, entre eles, plongées belíssimos e cenas com o efeito Dolly Zoom. Tecnicamente falando, o filme é bem executado dentro de sua proposta e até satisfaz.

Problemas à parte, como acompanhamos o ponto de vista do protagonista, assim que Nelson começa a entender a viagem no tempo, ele começa a ver o tempo de forma entrelaçada, algo semelhante ao que Denis Villeneuve fez com A Chegada, e quando utiliza o recurso de voltar ao passado, apresentando um paradoxo, a trama resgata nossa atenção e nos conduz até o final, satisfatório, porém previsível, nada que já não estivéssemos esperando.

Porém, mesmo imperfeito e raso, Rio Mumbai consegue mesclar bem o cinema brasileiro com o cinema de gênero e não deixa de trazer uma proposta curiosa e até mesmo inovadora, pena ter sido trabalhada de forma tão caricata e superficial. No fim, o longa tenta ser mais do que pode ser e, na tentativa de ficar marcado no tempo, acabada se perdendo dentro de sua filosofia.




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