Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars

Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars

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O Adormecer da Força

Com uma trilogia que remodelou para sempre a forma de fazer cinema, e com outra trilogia que… bem, mudou a forma como víamos George Lucas, a franquia Star Wars é a mais rentável e cultuada da história da sétima arte, rendendo livros, quadrinhos, desenhos animados e todo tipo de merchandising que faz a alegria de crianças e de adultos que voltam a ser crianças.

Depois da compra da LucasFilm pela Disney, o estúdio do Mickey não iria deixar sua nova propriedade na prateleira pegando poeira, e botou seu bem adquirido para render mais alguns rios de dinheiro, e por que não? O Despertar da Força (2015) rendeu mais do que um filme, renovando a esperança do público e trazendo novamente o brilho para a saga espacial adorada. A nostalgia foi grande, mas não foi apenas isso, o longa comandado pelo talentosíssimo J.J. Abrams tem seus méritos próprios ao dar continuidade para a narrativa da família Skywalker, mais de trinta anos após O Retorno de Jedi (1983).




Rogue One, comandado por Gareth Edwards, não faz parte da cronologia oficial e não fala sobre a família Skywalker – apesar do cameo de Anakin ‘Lord Vader’, em sua primeira “missão” após A Vingança dos Sith (2005). Trata-se de um derivado, que se encaixa justamente entre os episódios III e IV. Para atestar o fato, não temos a famosa abertura com as letras amarelas em scroll na tela, seguida da trilha imponente do maestro John Williams. Ao invés, o derivado (que não é o primeiro da franquia, afinal quem poderia esquecer Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok, de 1984, e sua sequência, A Batalha de Endor, de 1985) utiliza créditos de abertura mais modestos, sem a grandiloquência costumeira – o que casa bem com todo o resto.

Rogue One é uma boa aventura, longe da excelência esperada da franquia, que resulta num longa nada memorável. Na trama, Galen Erso (Mads Mikkelsen) é um renomado cientista. Ele é o responsável pela construção da temível Estrela da Morte, a nave/arma do tamanho de uma pequena lua, capaz de aniquilar planetas inteiros. O sujeito adquire crise de consciência e abandona o trabalho. Acontece que Orson Krennic (Ben Mendelsohn), um ambicioso militar de patente alta do Império, não está disposto a deixar tal deserção barata e sequestra Erso para que ele termine o serviço, no meio tempo matando sua esposa e deixando sua filha, Jyn, perdida.

Muitos anos depois, Jyn assume as formas da indicada ao Oscar Felicity Jones, que viveu para se tornar uma jovem problemática, entrando e saindo de prisões. A Aliança Rebelde a encontra e a resgata do cárcere para que os ajude a encontrar o paradeiro de Saw Gerrera (Forest Whitaker), antigo membro da Aliança, que se tornou hardcore demais para os padrões dos revolucionários. A família de Jyn era próxima do famoso renegado, e ele ajudou em sua criação.




Rogue One é um filme de guerra, de revolução. Dada às devidas proporções, apresenta o mesmo conteúdo de Uma Nova Esperança (1977), sem a mesma graça, emoção ou novidade de um dos primeiros blockbusters da história. Outro fator aqui é que Rogue One depende muito de referências, do que sabemos sobre a mitologia, sendo incapaz de se sustentar como seu próprio filme. É muito legal ver personagens clássicos da trilogia original remasterizados através de fantásticos efeitos de computador, que trazem de volta à vida atores já falecidos e rejuvenescem outros, de forma sem precedentes na história. Ponto para o derivado.

Como peça de encaixe na franquia, Rogue One faz um trabalho honesto, garantindo a euforia dos mais aficionados (e quem não é?, não minta ou se faça de difícil). O terceiro ato promete fazer muita gente gritar, jogando na telona o maior vilão de todos os tempos, como há muito não víamos – pena que é tão pouquinho. Todos os elos com o passado são incrivelmente satisfatórios. E bem, Rogue One é apenas isso. Os novos personagens introduzidos aqui não são carismáticos o suficiente, eles até tentam com a dupla Chirrut (Donnie Yen), um “discípulo” da Força cego, e Baze (Wen Jiang), mas quem se sai melhor no quesito rouba cenas é o androide K-2SO (Alan Tudyk).

A mocinha de Felicity Jones é sem graça, seu drama não é envolvente, e existe pouca química com o pretenso Han Solo, Cassian Andor (Diego Luna). O vilão de Mendelsohn é um burocrata aborrecido, que não odiamos o suficiente ou sequer tememos. A parte técnica é boa, mas carente de um grande momento, ou uma grande cena que marque o filme definitivamente em nossas mentes, como O Despertar da Força fez. Em resumo, Rogue One fará a felicidade dos fãs (e quem vai deixar de ver?), mas falta alegria e certo valor de entretenimento, talvez pairando acima somente da trilogia nova (se isso).  Nunca havia me dado conta, mas uma batalha de sabre de luz pode fazer falta.

Crítica de 'Logan':


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