Crítica | Scream – Especial de Halloween

Crítica | Scream – Especial de Halloween

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Estamos de volta para mais um massacre delicioso; mesmos sobreviventes, nova lenda. Quando a MTV anunciou esse especial de Halloween, logo achei se tratar de uma medida para amarrar as pontas soltas deixadas pelo final da segunda temporada. No entanto, pouco antes do especial ir ao ar, Scream foi RENOVADA para o terceiro ano! O que, consequentemente, mudou minha visão em torno deste episódio. Antes esperava um “vale-tudo”, sem regras, mas, depois que a continuidade foi confirmada, imaginei que nada muito “ousado” viria a acontecer. E eu estava correto! Tirando os primeiros minutos, esse especial de Halloween é um filler com basicamente nenhuma conexão com a trama principal, e poucas são as consequências que justificarão sua existência.

Uma das maiores surpresas – talvez a única – da Season Finale, intitulada When a Stranger Calls, foi a escolha de ter deixado o assassino vivo, sendo mandado direto para prisão. Isso nunca havia acontecido na franquia antes, o que dava à série a oportunidade de fazer algo novo. Infelizmente, Kieran é brutalmente assassinado logo nos primeiros minutos. E, apesar da violência ser empolgante, o roteiro fecha uma interessante possibilidade de explorar o personagem. Não houve relevância em deixá-lo vivo se ele acaba morrendo na primeira cena do episódio seguinte. A sequência, no entanto, surpreendeu com uma violência acima do esperado, mostrando que esse especial não estava para brincadeira.

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Passaram-se oito meses depois o último massacre, e o grupo decide passar umas “férias” em uma ilha para fugir o aniversário do primeiro massacre. Acontece que a própria ilha tem seu passado macabro, e os personagens, veteranos neste tipo de situação, não parece se importar nenhum pouco com isso. Aliás, chega a ser risível quando vemos que a Emma continua confiando cegamente em estranhos – especialmente depois de ter confiado em não só um, mas dois assassinos. E agora ele aumentou esse número para três (!). Uma pessoa que passou pelas mesmas situações não deveria ser tão aberta quanto ela esteve neste episódio especial. Somente a Audrey parece ter o impulso de desconfiar de todos, o que está mais do que certo; aquela nova namorada dela parecia extremamente suspeita (e irritante).

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Mas, se por um lado o roteiro falha nessa construção, por outro, ele acerta em cheio ao mostrar um grupo mais “experiente”, que não se abala facilmente com um cadáver. Basta observar a diferença entre as reações dos sobreviventes veteranos com as da nova namorada da Audrey, que não conseguia parar de gritar e falar sobre a tal cabeça decepada. Chegou até a ser cômico, na verdade, e acredito que essa tenha sido a intenção. Esse episódio não se leva muito a sério, e é justamente isso que o torna mais divertido. Só achei exagerado o nível de “diversão” que o Noah estava demonstrando; algumas vezes ele parecia estar legitimamente adorando participar de um novo massacre. Piadas descontraídas tudo bem, mas ainda há corpos espalhados pela ilha; pare de sorrir como se estivesse vendo ouro.

Nós precisamos reservar um parágrafo inteiro para falar sobre a Emma. Ela nunca foi a mais querida das personagens, e eu mesmo a queria morta, mas nesse especial de Halloween ela certamente provou o seu valor, tornando-se uma final girl à altura. Emma foi, de fato, a única personagem, além do assassino, com alguma relevância durante o terceiro ato. Nenhum dos outros personagens veteranos passaram nenhum aperto; não tivemos nenhuma perseguição, nenhum deles tomou uma tesourada. Nada. O grupo passou todo o terceiro ato preso em uma passagem escondida e só conseguiu sair de lá depois da Emma ter derrotado o novo assassino. Foi um grande desperdício do elenco de apoio. Aquele cenário era perfeito para algumas cenas muito tensas, mas o roteiro mais uma vez falhou ao tentar capturar a alma de um bom slasher.

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A identidade do assassino foi ainda mais óbvia do que a do Kieran. Tudo girou em torno de uma lenda local, e, quando a maioria dos personagens novos apareceram em uma cena só para morrer na seguinte, nossa atenção automaticamente se volta para o único morador a ilha que ainda estava vivo, Alex. Já é o segundo namoradinho psicopata da Emma; essa menina certamente tem um tipo, não é mesmo? Sua motivação para começar os assassinatos não foi a melhor do mundo, mas com certeza foi superior à do Kieran (para falar a verdade, o motivo dele ainda não faz o menor sentido). Foi um mistério legal, apesar de se basear em uma lenda boba e nada surpreendente. O fato do Noah afirmar toda vez humanamente possível que a lenda poderia estar errada, que as coisas não eram como pareciam, foi um alerta óbvio de que iria acontecer exatamente o que ele estava falando. E desde quando o personagem está preocupado com veracidade? Ele mesmo montou sua própria linha narrativa no final, com praticamente nenhum embasamento que confirme isso.

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Não posso negar, porém, que fomos presenteados como uns momentos bastante divertidos, como quando a Emma entra na casa e recebe um telefonema do assassino, fazendo referência à clássica abertura do primeiro filme. E também foi legal ver que a MTV aumentou a violência e o número de corpos; algumas mortes, em especial, foram surpreendentemente brutais. A tesoura e a caracterização do assassino também foram boas escolhas, mas o roteiro deveria ter feito uma conexão desta trama com a principal. No trailer o Noah afirma que eles entraram no território de Freddy vs. Jason, mas isso não é verdade. O que nós tivemos foi um Sexta-Feira 13 com Freddy Krueger e sem o Jason, se é que vocês me entendem. Por trazer uma trama tão desconectada da principal e por não introduzido nada relevante que o justifique, esse especial acaba se tornando um filler desnecessário cujos eventos provavelmente mal serão citados quando a série retornar para o seu terceiro ano.

Me diverti em alguns momentos sim, e não nego, mas temos que concordar que foi um episódio fraco. Valeu pela tentativa de trazer algo novo, como uma espécie de mistério semanal investigado pela turma do Scooby-Doo; versão adulta. Como sempre, fica a expectativa que o terceiro ano consiga reparar os erros cometidos neste segundo. A terceira temporada contará com apenas 6 episódios, e terá novos showrunners. É óbvio que a MTV está tentando acertar o tom da série, mas ainda não encontrou a equipe criativa certa. Espero que eles façam uma boa escolha para a próxima temporada e nos proporcione um massacre que irá chocar todos nós. Eu quero ser surpreendido, e acredito que vocês também. Resta saber se o terceiro ano irá seguir pelo caminho certo. Agora, tudo o que podemos fazer é sentar e esperar pelo melhor.

 

 

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