Crítica | Straight Outta Compton – A História do N.W.A.

Crítica | Straight Outta Compton – A História do N.W.A.

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Direto de Compton – A História de uma revolução cultural

É importantíssimo entender antes de mais nada o significado que o movimento cultural iniciado em meados da década de 1980 trouxe para a sociedade (não apenas norte-americana) mundial. Straight Outta Compton não é apenas uma cinebiografia de cantores de rap, é o relato de uma revolução moderna e fervorosa.

Nos subúrbios de Los Angeles, O´Shea “Ice Cube” Jackson, Andre “Dr. Dre” Young, Eric “Eazy-E” Wright, entre outros, eram considerados apenas aspirantes a criminosos, sem qualquer futuro. Assim como tantos meninos do gueto, a vida difícil acarreta a tentação pela vida fácil. Nessa tênue linha, eles persistem com seu sonho de sucesso, plantando suas letras nas mentes de jovens iguais a eles, e com isso, mesmo não intencionalmente, se tornando líderes para uma geração.

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O roteiro escrito Jonathan Herman e Andrea Berloff (As Torres Gêmeas) poderia facilmente ser confundido com uma biografia corriqueira, já que passa fazendo o check list por todos os itens contidos geralmente neste tipo de filme, os quais já vimos antes diversas vezes: o passado cruel, a escalada rumo ao sucesso, a cambaleada no topo, brigas, desentendimentos entre amigos, o empresário vigarista – todos clichês muito conhecidos. No entanto, o domínio pleno de uma história bem transcrita, somada com a direção precisa e absolutamente enérgica de F. Gary Gray (que não entregava um filme na direção desde o fraco Código de Conduta) elevam a obra a um patamar acima da grande maioria.

A importância do assunto apresentado é sentida durante a projeção, fazendo de Straight Outta Compton um verdadeiro épico do gênero. Para o espectador é muito bom saber que mesmo um gênero “batido” como o das biografias musicais pode ganhar vida de forma tão intensa nas telonas. É impossível não se contagiar, independente de gostos musicais.

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Como dito, o chamado N.W.A. (Niggaz Wit Attitudes ou Negros com Atitudes) além de um grupo Gangsta Rap pioneiro, serviu como alavanca para toda uma contra cultura, e um estilo de vida ainda presente e representado até hoje. Antes do grupo carioca Planet Hemp, o NWA já polemizava com suas letras, a maioria utilizando reclamações sociais, e se metiam em encrenca com a polícia – o momento da prisão do grupo durante um show é uma das tantas cenas recheadas de adrenalina do longa.




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Os atores igualmente servem como chamarizes aqui. Paul Giamatti, como sempre eficiente, interpreta o empresário duas caras Jerry Heller e a gracinha Alexandra Shipp (que já teve sua cota de biografia musical com o filme feito para a TV sobre a cantora Aaliyah e em breve poderá ser vista com a nova Tempestade de X-Men Apocalypse) empresta seu carisma para Kim, a companheira de Ice Cube. No entanto, os destaques ficam com a caracterização escarrada de O´Shea Jackson Jr. (filho na vida real de Ice Cube), interpretando o pai, e o desempenho emocionante de Jason Mitchell como Eazy-E.

No meio da competitiva época do verão norte-americano, onde os maiores filmes de seus respectivos estúdios se digladiam pela maior bilheteria, o grande campeão foi uma história para maiores de idade, imprópria para todos os públicos. Straight Outta Compton é também a esperança do cinema de Hollywood, um dos sucessos (inesperado) da temporada (parabéns Universal) que mostra que filmes fora do radar de super-heróis, continuações e franquias estabelecidas podem ter força. E bastante.

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