Crítica | The Comeback

Crítica | The Comeback

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Depois de falar do estouro do ano, eu resolvi nadar contra a corrente e falar de uma série que pouca gente que eu conheço assistiu! Meu desafio hoje é fazer você parar tudo que tá fazendo (menos ler a coluna, lógico) e partir assistir ‘The Comeback‘.

Se você, assim como eu, é daquele tipo de pessoa que tem atores do coração, aqueles que você ama acima de tudo e assiste tudo que eles fazem, o primeiro motivo pra você devorar essa série é o fato de que ela é protagonizada e produzida pela linda da Lisa Kudrow.

Pra quem tá com aquela cara de “Lisa who?”, ela ficou um pouquinho famosa nos anos 90 interpretando a nossa massagista/instrumentista/compositora/cantora/melhor migs do mundo em ‘Friends‘. Sim sim, ela é a divertidíssima Phoebe Buffay.




The Comeback‘ conta a história de uma atriz de meia idade, Valerie Cherish, que é desesperada pra voltar ao mundo das celébs depois de ser uma das protagonistas da fictícia série “I’m it!“, que é cancelada na sua quarta temporada. Anos depois, Valerie se inscreve pra participar de um reality show chamado – guess what, guess what! – THE COMEBACK, destinado a mostrar o retorno de uma atriz aos holofotes.

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Nossa querida “Red” passa a ser dona do seu próprio reality e volta às telas também em uma sitcom chamada Room and Bored, e é aí que o drama tem início. Drama? Aham! Não espere ver uma Phoebe novamente… Sério!

Lembra quando eu falei lá atrás que ela tava desesperada pra voltar pra mídia? Isso se dá muito por ela ter uma urgência de ser aprovada pelas pessoas. Quem que não conhece alguém que concorda com você se você fala mal de uma série, por exemplo, e depois concorda também com o seu amigo que ama a série de paixão? Tem cenas que você assiste já pensando “fiaaa, faz isso não…”, porque você já sabe que vai dar caquinha.

Em ‘The Comeback‘, ela precisa achar o equilíbrio entre os limites da vida pessoal e o que pode ser público (muito embora ela não se dê conta disso no começo). Em Room and Bored, ela lida com os conflitos de diferença de idade com os outros atores e produtores e a falta de interesse em fazer algo sério. Ou seja, a série usa um reality pra mostrar que hoje se faz reality sobre absolutamente tudo e mostra como a TV está com dificuldades pra se reencontrar e produzir conteúdos que tenham qualidade e agradem a audiência ao mesmo tempo, ainda mais em tempos que a internet tem sido uma ferramenta muito mais prática e que dá chances das pessoas assistirem o que gostam na hora que querem.




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A gente que assiste fica alternando em momentos de plena piedade e horas que tem vontade de você agarrá-la pelos ombros e dar um chacoalhão que faça ela perceber as coisas e mudar o jeito dela. Não espere que isso ocorra com frequência, mas quando acontece é épico! Você chega a ficar feliz junto com ela.

Os personagens secundários da série são impagáveis! Eu nem consigo considerá-los como elenco de apoio, francamente. Neles nós somos capazes de enxergar as reações que temos diante dos acontecimentos da série e das coisas que a Valerie se sujeita. Dentre eles precisamos destacar o Mark (que é marido dela), o Mickey (seu cabeleireiro e amigo confidente), a Jane (produtora do The Comeback) e o Paulie G (produtor de Room and Bored). Esses 4 personagens são os que mais influenciam a mente relativamente fraca da Valerie.

Eu assiti a primeira temporada completa (13 episódios, se não estou muito enganada) em uma noite de insônia. Comecei a noite tentando recuperar o sono e depois não queria dormir, porque dá aquele anseio de engatar um episódio atrás de outro, mesmo que poucos delessejam continuação de algo que ficou desamarrado no anterior. Uma dica sobre cada fim de episódio: nunca pule a parte dos créditos! Sempre tem algo que acontece e uma trilha sonora sensacional que sempre é conectada com o que aconteceu.

A primeira temporada da série foi transmitida pela HBO em 2005 e infelizmente parece que foi mal entendida pelo público e pela crítica. No ano passado Lisa e seu parceiro de produção Patrick King (que foi um dos produtores de Sex and the City) foram chamados pra criar uma segunda temporada e toparam de prontidão!

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A segunda temporada da série mostra a vida da Valerie após a repercussão de ‘The Comeback‘ e, na minha opinião, é ainda mais desesperadora que a primeira pelas situações que ela se coloca. A season finale foi um dos melhores episódios da série, ela acertou o tom e deu um bom encerramento à história de todos os personagens, algo que muitas séries erram feio na hora de fazer.

Por mais que eu leia rumores de uma terceira temporada, eu aprendi a praticar o desapego depois de ‘Revenge‘ e acho que quando uma série amarrou todas as pontas ela tem de terminar pra não perder a sua qualidade. ‘The Comeback‘ já cumpriu bem o seu papel em apontar questões incríveis e dilemas com os quais a gente convive o tempo todo, é uma série tocante que mostra como muitas vezes o amadurecimento da idade não condiz com o amadurecimento emocional e que, infelizmente, a vida requer que às vezes a gente tenha uma postura totalmente rígida e defensiva.

A inocência da Valerie leva o expectador por diversas reflexões, principalmente nos momentos que ela tenta desesperadamente ajudar os outros e fazer algo bom e o tiro sai pela culatra. Você acaba sentindo-se mal junto com ela porque afinal… Quem nunca, né? Sem contar a dor no coração que dá quando ela fala algo que é, pra mim, o bordão dela na série: “eu preciso saber que estou sendo ouvida”. Valerie sente-se constantemente anulada pelos outros sem perceber a sua própria responsabilidade nisso, a explosão desse sentimento no finalzinho da segunda temporada é de tirar o fôlego!

Lisa Kudrow se mostra como uma atriz completa, pois ela como atriz interpreta uma atriz que em algumas horas interpreta um papel. Em alguns momentos você vai acabar por ver a Phoebe na sua frente e, embora isso aconteça muito pouco, vale lembrar quando a própria Valerie diz que a pessoa que interpreta o personagem não é O personagem, que o ator é apenas alguém contando uma história. Isso é interessante porque história toda de ‘The Comeback‘ pode muito parecer a história da própria Lisa, mas quem acompanha o trabalho dela sabe que desde ‘Friends‘ ela sempre foi a atriz mais reservada, ela ainda é casada com o mesmo cara com quem tá desde 90 e pouco e ela se reservou a fazer coisas totalmente independentes depois do seu grande sucesso, topando papéis em produções dela mesma ou em coisas que ela botava fé, sem a ânsia de se agarrar na fama e na visibilidade.

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Desde que ‘Friends‘ acabou dá a impressão que a única atriz da série que ainda é viva é a Jennifer Aniston – que virou a queridinha das comédias românticas – mas que quebrou esse paradigma ao protagonizar o incrível drama ‘Cake‘. Eu acabei vendo as produções dos atores em seus respectivos pós-série e ‘The Comeback‘ foi a que mais me agradou, embora não tenha ganho tanta projeção quanto ‘Episodes‘, que rendeu inclusive um Globo de Ouro em 2012.

Por ser uma série pouco conhecida eu vou abrir uma exceção e dar nota 10 para uma produção que NÃO – É – PERFEITA, mas que me acertou de um modo peculiar e merece muito ser vista e conhecida! ‘The Comeback‘ é uma série que tem muito a dizer, até nos momentos de ausência total de falas, é uma produção construída em detalhes que merece muito mais reconhecimento do que tem. É uma excelente dica de maratona pro carnaval (pra quem não tem preguiça de fazer downloads, já que infelizmente ela não está no Netflix ou passando na HBO no momento e pra aquecer o povo pro tão esperado episódio de retorno de ‘Friends‘.

 

 

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