Crítica | The Night Of – The Beach (1×01) e Subtle Beast (1×02)

Crítica | The Night Of – The Beach (1×01) e Subtle Beast (1×02)

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The Night Of é a nova série da HBO que vem despertando grande falatório, com a promessa de suavizar a lacuna deixada por Game of Thrones (programa da mesma emissora). Dois episódios foram ao ar, e aqui nesta análise adereçaremos ambos, The Beach (1×01) e Subtle Beast (1×02).

Abordando temas como o preconceito racial, a intolerância e a forma como os americanos tratam seus imigrantes – em especial os vindos do Oriente Médio – The Night Of é um drama criminal / policial, que se desenrola a partir de uma fatídica noite, na qual um hediondo assassinato é cometido.

The Night Of - CinePOP1




 A história começa nos apresentando Naz (papel de Riz Ahmed, muito bem em cena na sua interpretação do perdido protagonista), jovem norte-americano filho de imigrantes paquistaneses. O sujeito empenhado e estudioso é o típico nerd universitário de carteirinha, e logo nos instantes iniciais notamos o adjetivo quando ele serve de tutor para um esportista do time de basquete do campus. Como forma de agradecimento, Naz é convidado para uma festa junto aos rapazes populares da instituição, fato nulo em sua rotina. A promessa de bebidas, diversão e mulheres é o encantamento necessário para que o protagonista perceba estar vivo. Ei, quem nunca foi jovem?

As coisas, porém, começam a dar errado quando o amigo que iria dar carona até “Xanadu” cancela de última hora, forçando Naz a tomar medidas extremas. O rapaz “rouba” o táxi do pai e parte em sua cruzada rumo ao sucesso. Depois de discussões sobre a vacância do veículo (pegar um táxi em Nova York é sempre uma alegria), o jovem se depara com uma passageira acidental, quando em seu transporte adentra Andrea (a belíssima Sofia Black-D´Elia, de Projeto Almanaque). A cliente errônea faz o sujeito mudar de ideia quanto a estar trabalhando e a festa se torna uma realidade distante – e quem pode culpá-lo?

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Depois de pequenos detalhes – os quais se deve prestar atenção pela natureza investigativa do programa – muito álcool, drogas mil e brincadeiras perigosas são acolhidas pela noite, desfechando-se na cama entre quatro paredes. No entanto, como avisa a sinopse, Naz acorda na cozinha da casa e ao subir para despedir-se da selvagem nova colega, se dá conta de que a menina foi fatalmente mutilada. O que se desenrola a partir daí é um enervante somatório de situações equivocadas vividas pelo desesperado imigrante, sempre a um passo de ser recolhido na madrugada por homicídio.




O primeiro episódio, The Beach (referência ao local que a desiludida jovem planejava visitar), serve como prefácio a este conto. Mostra o pré-crime, estabelece o protagonista, assim como nos mostra o brutal ato e seu decorrer até a captura de Naz. Nunca um episódio piloto foi tão inquietante, fazendo valer a máxima de Hitchcock, do homem errado, no local errado. Naz tem tudo jogando contra ele, todas as evidências do assassinato apontam em sua direção. Outro item no qual a série brilha é em sua retratação do ambiente policial de uma delegacia. Nunca me senti tão dentro de tal cenário como nesses dois episódios. The Night Of retrata o trabalho policial de forma minuciosa, fazendo seus cômodos, vide celas, salas de interrogatório e salão principal agirem como personagens vivos.

The Night Of - CinePOP3

No segundo episódio, com Naz já aprisionado, aguardando seu dia perante o juiz, a série trabalha novos personagens principais, como o advogado de pés doentes Jack Stone (John Turturro), o eficiente detetive Box (Bill Camp) – a quem o título se refere, “a fera sutil” – o padrasto da vítima, Don Taylor (Paul Sparks), além dos pais do jovem injustiçado (Peyman Moaadi e Poorna Jagannathan).

The Night Of guarda curiosidades em sua confecção. Criada por Peter Moffat e baseada em sua própria minissérie britânica Criminal Justice (2008 – 2009), a ideia foi desenvolvida por Richard Price (da série The Wire) e Steven Zaillian (vencedor do Oscar pelo roteiro de A Lista de Schindler) para a HBO em parceria com a BBC. Um piloto (primeiro episódio) foi filmado e rejeitado em 2013, ainda com a participação do saudoso James Gandolfini (creditado como produtor aqui) no elenco, interpretando o advogado Jack Stone – seria uma preciosidade encontrar tal gravação. No entanto, a HBO concordou em dar sinal verde, a partir do momento em que a ideia passasse de uma série para uma minissérie de oito episódios, o corpo que a obra adotou. Gandolfini viria a falecer exatamente um mês depois da nova aprovação da emissora. Robert De Niro embarcou no projeto para viver o mesmo personagem, e quando desistiu por motivos de agenda, Stone viria finalmente a tomar a forma definitiva com Turturro.

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Ao final do segundo episódio, a sensação é a de “agora a trama vai começar”, e de que tudo até então foi apensa um prefácio. Meus olhos inquisidores, entretanto, pairaram sobre pesquisas e uma grande surpresa se fez presente, que minha alma (maldosa, mas nem tanto) não permitirá compartilhar com vocês – aventurem-se por conta própria. Vale dizer apenas que aparentemente nada será como antes e o que foi mostrado até aqui – nos dois primeiros episódios – irá ser subvertido de forma gritante, podendo haver grandes mudanças inclusive no foco de personagens. Ou seja, o caminho a seguir não será o que esperamos pelo que já foi construindo. A confirmação de tal teoria virá neste domingo. Até lá.

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