Crítica | Verónica - Terror "da Netflix" consegue assustar como James Wan

Crítica | Verónica - Terror "da Netflix" consegue assustar como James Wan

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Uma vez ou outra surge um filme espanhol que assusta até os cabelos da nuca, afinal fazer um bom horror exige muito mais que apenas sustos forçados pela sonoridade. É a subjetividade, as sombras e, muitas vezes, o próprio silêncio que apavora. Quando esses elementos se unem, o filme logo se destaca e assume um novo patamar. Felizmente é o caso de ‘Verónica’.

O novo longa do diretor Paco Plaza, conhecido pela memorável franquia '[REC]', tem uma trama bem genérica até, inspirada em um relatório real da polícia de Madri sobre um caso paranormal ocorrido em 1991: uma jovem brinca com magia oculta em um tabuleiro de Ouija, visando se comunicar com seu falecido pai, porém faz contato com um espirito demoníaco de plantão e acaba trazendo-o para sua casa, tendo então que proteger seus irmãos da terrível entidade.

Até então nada de novo, a trama é genérica sim, mas bem construída, principalmente na maior dificuldade que um filme de terror encontra: o desenvolvimento das personagens. Aqui, as atrizes escolhidas são um triunfo. A jovem protagonista Sandra Escacena, por exemplo, consegue expressar seus medos através de olhares e convence como irmã mais velha, protetora da família e responsável da casa.




Os sustos são memoráveis e elaborados à la Invocação do Mal, que visivelmente serviu de inspiração de forma positiva, assim como referências a outros filmes de James Wan, como o excelente Sobrenatural. As sombras e o que nos aguarda na escuridão são, muitas vezes, mais assustadoras do que ver o demônio de fato, apesar dele aparecer bastante, a entidade está sempre envolta em uma atmosfera obscura, guiando o espectador ao susto iminente, que acaba acontecendo algumas vezes fora do esperado.

O roteiro bem elaborado por Fernando Navarro, guiado pela direção impecável de Plaza, nos faz temer pela vida dos personagens e acabamos nos envolvermos nos dilemas que estão passando. É raro sentir empatia em um filme de horror, principalmente nos dias de hoje, porém, nos aprofundamos na vida das crianças que sentem a ausência da mãe em casa, e a solidão da protagonista ao ser excluída do grupo de amigas da escola. Todo emocional é válido quando o roteiro consegue nos colocar dentro de um filme de gênero.

Outro ponto positivo fica pela trilha score "darkwave", que faz algo semelhante ao que Corrente do Mal havia feito: causar certa nostalgia ao lembrar de clássicos como O Exorcista e O Bebê de Rosemary, mas ao mesmo tempo guiar o suspense até a última nota musical.

Planos marcantes e com uma pertinente fotografia, como o das freiras assistindo ao eclipse solar, além de belíssimos planos holandeses, causando estranheza e desconforto em cenas extremamente bem dirigidas, tornam ‘Verónica’ um filme que merece destaque, não só no cinema de gênero espanhol, como também mundialmente, já que o filme está sendo exibido em muitos países, incluindo o Brasil, pela Netflix.

Aqui, o medo é uma consequência, sendo assim, a trama se desprende de tentar assustar a todo custo, deixando então o susto bem mais inteligente quando finalmente acontece. E pode ter certeza que irá carregar alguns desses sustos com você na próxima vez que for dormir, lembrando do que pode estar te aguardando embaixo do colchão.

'Verónica' não chega a ser um "pós-horror cabeça", mas satisfaz com a simplicidade. Na escola de James Wan, o diretor Paco Plaza fez até o dever de casa.



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