Crítica | Victor Frankenstein

Crítica | Victor Frankenstein

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Igor Begins

Talvez o único outro monstro do cinema a “sofrer” tantas adaptações quanto o Drácula, seja seu maior rival, Frankenstein – ou melhor, seu monstro. Ambos nasceram na literatura clássica britânica, e no cinema tiveram inúmeras roupagens. Até heróis as criaturas já foram, nos recentes e infames Frankenstein – Entre Anjos e Demônios e Drácula: A História Nunca Contada, ambos de 2014.

Agora, chega ainda mais uma investida no conto muito conhecido de Frankenstein. O diferencial? Esta é a história por trás do monstro, a história do criador. Na realidade, pode-se argumentar que esta é tanto uma obra sobre Victor Frankenstein quanto sobre seu fiel escudeiro, o assistente Igor, esquecido na maioria das versões modernas.

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Quem não lembra do corcunda sádico que gostava de atormentar a pobre criatura recém trazida de volta à vida. Pois bem, agora Igor ganha as formas de Daniel “Harry Potter” Radcliffe, o intérprete do bruxinho mais querido do cinema. Um jovem deformado, apresentando-se em um circo quase que de forma escravizada, o protagonista de Radcliffe não possui sequer nome, mas os maus-tratos pelos regentes do local são constantes. Seu interesse por medicina acaba atraindo atenção de Victor, um estudante com ideias revolucionárias, interpretado por James “Professor Xavier” McAvoy.

Logo, a dupla se torna inseparável. Eles são confidentes e parceiros em experimentos. Tais experiências prometem ultrajar religiosos ou pessoas de bem em geral. Consistem em reanimar tecidos e órgãos mortos. Dessa forma, em pouco tempo, os dois trazem de volta à vida um primata, por exemplo. Logo de cara, Victor cura “Igor”, que recebe o nome do antigo companheiro de quarto do gênio louco (com uma reviravolta legal, mas esperada), e o que temos não é um ser repugnante, mas uma espécie de galã.

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Tanto, que aqui Igor arruma tempo para romancear sua antiga colega de circo, Lorelei (papel da exótica Jessica Brown Findlay). Como prometido, esta é uma produção que narra as desventuras de Victor e seu assistente, deixando a criatura, o famoso monstro de Frankenstein, escondido até a última cena, para o clímax – um tanto quanto decepcionante.




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Esta também não é uma produção com aspirações de seriedade, como foi, por exemplo, a investida de Kenneth Branagh em 1994, usando De Niro como a criatura. Victor Frankenstein é um filme pipoca cartunesco, cujo único propósito é entreter. E isso ele até faz. Nos distrai enquanto estamos assistindo e não possui nenhum momento que possamos julgar propriamente ruim. A pergunta que fica é: Para que? Para que contar novamente uma história sem acrescentar absolutamente nada. É como se os realizadores apenas tirassem do que já foi criado sem dar nada verdadeiramente em troca.

Victor Frankenstein é um filme dispensável. Daquele tipo do qual uma semana após termos saído da exibição, será uma verdadeira luta tentar lembrar uma cena sequer do filme. Daniel Radcliffe possui mais uma atuação contida e pouco inspirada em sua carreira pós-Potter (embora o jovem tenha um bom trabalho corporal e de postura nos momentos iniciais). Já McAvoy entra de cabeça na brincadeira, se banhando no espírito exagerado da produção. Suas caretas e gritos tornam-se interessantes se você estiver se sentindo entediado por todo o resto. O ator parece ter ligado o modo da máxima que acha que o quanto mais cuspir durante “um grande momento”, melhor será sua atuação (Joey Tribbiani e Friends, alguém?).

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