Crítica | Vizinhos 2

Crítica | Vizinhos 2

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Girls Just Wanna Have Fun

Voltando para reler meu texto sobre o primeiro Vizinhos (2014), lembrei que o anunciava como a melhor comédia mainstream daquele ano, afirmação que ainda defendo sem exageros, já que a maioria da imprensa especializada concordou, garantindo 73% de aprovação – o que para uma comédia escrachada é excelente. Tirando as piadas sujas e risadas (talvez fáceis para alguns), Vizinhos ainda reservava muito coração e tinha muito a dizer sobre a fase adulta versus a juventude atual, nesta verdadeira colisão de gerações.

Sem perder o barco, vale dizer que Vizinhos 2 mantém o nível de relevância e propõe uma nova discussão interessante em seu roteiro – escrito pelos papas da comédia americana atual, Seth Rogen, Adam Goldberg e o diretor Nicholas Stoller (de volta no comando desta obra também). Justamente por isso, pode ser anunciado como uma das melhores continuações para uma comédia de todos os tempos – historicamente sequências de comédias são trágicas, vide Porky´s II (1983), O Clube dos Pilantras 2 (1988), A Máfia Volta ao Divã (2002) e Meu Vizinho Mafioso 2 (2004).

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Provando que sabem o que fazer com este material, e não apenas desejam um caça-níquel, os envolvidos acrescentam na trama assuntos como feminismo (empoderamento de jovens mulheres) e o mundo politicamente correto no qual vivemos hoje, no qual precisamos ter muito cuidando onde pisamos. A cena sobre o que pode ser considerado sexismo é hilária. Uma das cenas iniciais dá importância e trata de forma mais honesta, por exemplo, um relacionamento homossexual, de uma forma que raramente vemos dentro de uma grande produção voltada a todo tipo de público.

É esta honestidade, estes detalhes nas entrelinhas, que fazem das comédias de Rogen (nem todas, não podemos esquecer de A Entrevista) grandes sucessos nos EUA.  O humorista se preocupa com os detalhes que formam o todo. E para os que não conseguem olhar além da escatologia (o filme abre inclusive com uma cena de vômito), que pena.

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A história dessa vez leva uma irmandade, uma casa só de meninas, para o lado do casal Mac (Seth Rogen) e Kelly (Rose Byrne), grávidos mais uma vez após o nascimento da pequena Stella (Elise Vargas). A família aqui é apenas o conduíte das piadas, sem ter verdadeiramente uma grande motivação para existir de novo. A motivação é reprisada do primeiro filme, apenas uma rivalidade com as novas moradoras, já que sua casa precisa ser vendida e os possíveis compradores, assim como qualquer humano adulto, exige paz. Teddy, personagem de Zac Efron, também está de volta. Perdido e sem lugar no mundo, ele representa os jovens de quase trinta anos ainda na fase da autodescoberta, o que inclui a profissional, muito comum aqui no Brasil.




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Depois de expulso da casa de amigos, Teddy se alia à irmandade como seu mentor, somente para ser descartado por elas também, mudando de lado e ajudando seus antigos rivais. A onipresente Chloe Grace Moretz é o novo motor que impulsiona a trama, e é a representação do feminismo em uma única personagem. Ao lado das amigas Nora (Beanie Feldstein) e Beth (a gracinha Kiersey Clemons, excelente em Dope: Um Deslize Perigoso – exibido no Festival do Rio 2015 e depois lançado direto em vídeo no Brasil), Shelby (Moretz) está cansada de ser podada pela sociedade machista, que a impõe inúmeras regras e pouca liberdade. Ela é a fundadora da irmandade, cuja proposta é realizar, a seu modo, tudo o que os rapazes podem sem restrições.

É claro, que assim como no primeiro, o humor precisa existir, inclusive repetindo piadas (como a do airbag). Nesse sentido, Vizinhos 2 não é tão original ou sequer engraçado quanto seu predecessor. O que chama atenção, no entanto, é o que se propõe a dizer. Neste quesito, sobressai, se tornando mais urgente e substancial que a produção passada.

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