Crítica | Voando Alto

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Filme de esporte à moda antiga

Dentre os inúmeros subgêneros do cinema existe o “filme de esporte”. Geralmente retratando a biografia de algum atleta, ou figura de bastidores (vide técnico), o filme de esporte pode também ser uma história fictícia original. Além disso, o filme de esporte igualmente se divide em outros subgêneros, e aqui darei três exemplos. Existe o drama de esporte e a comédia de esporte, ambos narram a luta do atleta até atingir o seu auge, passando por inúmeras dificuldades. Seu único diferencial é o tom no qual a obra será levada.

Existe também o filme sobre o funcionamento do esporte, sobre as maquinações ou estratégias. Em anos recentes foram lançadas produções como O Homem que Mudou o Jogo (2011), que fala sobre os cálculos por trás de se montar um time vencedor; e A Grande Escolha (2014), focado no draft day (título original), o dia do alistamento de atletas (muitos saídos de universidades para sua primeira experiência no mundo real) e a política necessária na hora de tal escalação. Particularmente, tais filmes sobre o funcionamento de um universo, do qual não estamos familiarizados, soa sempre mais atraente e informativo, do que apenas replicar momentos de jogos ou façanhas.

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Bem, dito isso, vale citar que Voando Alto se encaixa na primeira categoria e nada mais é do que uma história de superação, seguindo à risca todos os itens da cartilha de filmes do gênero.  O frescor (se é que podemos dizer isso) vem no tom da obra, uma comédia – feitas em menor quantidade dentro do subgênero. O tom também remete às produções feitas na década de 1980, ou seja, filmes leves, positivos e que não precisariam sofrer corte algum ao serem exibidos em programas diurnos de TVs abertas. Aliás, o termo Sessão da Tarde se enquadra perfeitamente aqui.

Voando Alto, no entanto, não é uma produção B ou pequena. Bancado pelos estúdios Fox por US$ 23 milhões, o filme foi escrito por Simon Kelton e Sean Macaulay (Hitchcock), e conta a história de Eddie Edwards, britânico franzino e esquisito, que sonha em ser atleta olímpico, supera todas as adversidades (a falta de financiamento sendo a principal) e conquista o mundo nas olimpíadas de inverno de 1988, na modalidade de salto de esqui.

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Quem comanda o show na cadeira de diretor é o inglês Dexter Fletcher, ator que consta com 98 participações em filmes, séries e filmes feitos para a TV, entregando agora seu terceiro e mais importante longa-metragem na direção. Mas os chamarizes de Voando Alto são outros. Hugh Jackman (Wolverine) é o membro mais famoso do elenco na pele de Bronson Peary, a figura do mestre obrigatório, que irá passar todos os ensinamentos ao protagonista. Beberrão e turrão, Peary foi, ele mesmo, um exímio saltador, mas sua falta de disciplina e tolerância com as regras o afastou do esporte e inclusive de seu próprio mentor (papel de Christopher Walken). Jackman repete mais uma vez sua rotina do sujeito duro, mas de bom coração.




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Os holofotes, porém, estão voltados para Taron Egerton na pele de Edwards. O jovem se destacou ano passado protagonizando o sucesso Kingsman – Serviço Secreto, uma das surpresas mais agradáveis de 2015, que ganhará sequência em breve. De certa forma, Kingsman e Voando Alto possuem seus pontos de interseção, já que ambos trazem a história de um jovem (Egerton) inadequado, superando os obstáculos com a ajuda de uma figura de liderança (Jackman aqui, Colin Firth em Kingsman), para sobressaírem em seu devido objetivo.

Não há duvida de que Egerton seja talentoso. Sua performance, no entanto, fica na tênue linha em que irá receber elogios ou ser desacreditada totalmente – não existe meio termo aqui. Também não há dúvida de que o jovem ator busca a caricatura, se excedendo em determinados momentos. Voando Alto é um feel good. Um filme inofensivo e esquecível. A parte mais interessante talvez seja a ligação com Jamaica Abaixo de Zero (1993) – entendedores entenderão.

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