Crítica | Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Crítica | Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

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Não foi dessa vez que os games brilharam nas telonas

Parece existir uma espécie de maldição quando se trata de adaptar para o cinema qualquer título dos videogames. E essa lógica se encaixa em todos os estilos: Street Fighter – A Batalha Final (1995), Double Dragon (1994), Super Mario Bros (1993), Mortal Kombat: A Aniquilação (1997), Alone In The Dark: O Despertar do Mal (2005), House of the Dead (2003), King of Fighters: A Batalha Final (2010) e mais uma infinidade destas produções são exemplos diversos que seguiram o caminho do fracasso e da mediocridade. Nem mesmo Resident Evil, que se tornou a franquia mais rentável nesse meio justamente por se distanciar do material original, conseguiu escapar de críticas duras.

Ou seja, quando se fala que vem por aí mais uma dessas empreitadas, os próprios gamers já não creem na possibilidade de dar certo, imagine então os cinéfilos.

No entanto, nos últimos anos, quando foi anunciado que a maior franquia da Blizzard Entertainment ganharia um filme de grande orçamento, os fãs deram uma atenção especial e viram até potencial para um novo filão. Um dos principais atrativos foi a contratação do diretor Duncan Jonesfã declarado do jogo e um dos cineastas mais elogiados atualmente dentro do gênero da ficção cientifica – por ter feito os ótimos Lunar (2009) e Contra o Tempo (2011).




A desenvolvedora em questão sempre foi conhecida por fazer cinematics impressionantes em seus games, principalmente em Warcraft, onde expandiu o universo com livros e histórias em quadrinhos.

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Por sinal, além dos jogos, este Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos tem como base os livros The Last Guardian (2002) e Rise of the Horde (2006), e se passa exatamente em Azeroth, um lugar pacato governado pelo rei Llane Wrynn (Dominic Cooper), que tem ao seu lado o guerreiro Anduin Lothar (Travis Fimmel) e o poderoso guardião Medivh (Ben Foster). A paz é quebrada com a abertura de um portal, quando Orcs começam a atacar impiedosamente pelas ordens do mago Gul’dan (Daniel Wu) em busca de dominar o lugar e escravizar os humanos para absorver as almas, e assim aumentar seu poder. Dentre esses seres existe uma antiga ordem chefiada por Durotan (Toby Kebbell), que discorda dos métodos de Gul’dan e tenta seguir por outro caminho.

Como se pode notar, a trama por si é bem batida e de certa forma já foi vista em várias outras produções do estilo, principalmente por sua estrutura basicamente seguir o esquema de guerreiros humanos do bem enfrentando guerreiros monstros do mal. Contudo este é o menor dos problemas, para a infelicidade dos que ansiavam por uma luz em meio a tantas coisas obscuras já citadas aqui. O filme carece de um elemento fundamental em obras do estilo: emoção. Com um primeiro ato focado em explorar o mundo que aborda e apresentar os personagens, o ritmo começa desacelerado e deve deixar alguns espectadores impacientes, mais ainda por este artificio não funcionar, pois ao fim da projeção mal sabemos o nome do protagonista. Isso se deve ao fato dos realizadores trabalharem com arquétipos, o que de certa forma anula qualquer destaque no elenco, já que seguem estereótipos funcionais.




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E finalmente quando é chegada a hora dos embates, que são realizados de maneira competente pelo fato do diretor ter uma boa noção geográfica de cena, estes soam quase sem impacto. É inegável que os efeitos visuais utilizados possuam qualidades, mas quando contrapostos a figuras humanas notasse totalmente a artificialidade, não só das figuras, como de alguns adereços do cenário. Já que não é criado o processo de identificação inicialmente e jamais embarquemos na ideia de que os Orcs são seres táteis, a credibilidade e o receio sobre o que pode acontecer aos personagens são praticamente nulos, diminuindo dessa maneira a emoção e envolvimento do público em cenas importantes ou mesmo no clímax. O filme parece uma longa cutscene genérica saída diretamente dos games.

A direção de arte é sem duvidas o aspecto mais admirável do longa, que resgata perfeitamente artes conceituais já vista nos jogos e potencializa a qualidade do produto. O figuro, aliás, é um show à parte e vai fazer alguns fãs vibrarem por ver seus heróis duelando na tela grande – muito mais pelo apelo nostálgico que cinematográfico. E como foi mencionado, os efeitos são de alto nível, o caso é que não funciona bem dentro da proposta empreendida e pode soar estranho em vários andamentos.

Já a trilha sonora de Ramin Djawadi aposta em um tema aparentemente pegajoso e trabalha com este durante toda exibição. E no que se refere à montagem de Paul Hirsch, é curioso notar que mesmo prolixo e inchado, Hirsch consegue ligar os pontos corretamente.

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Não é dessa vez então que uma franquia original dos games agradará gregos e troianos. Mesmo que tenha se mostrado empenhado durante o que foi divulgado nos materiais de bastidores, assim como toda equipe, Duncan Jones entrega um filme sem força e sem alma. É genérico em todos os sentidos e pouco acrescenta para o que seria o começo da futura vertente temática. Obviamente se distancia das patéticas produções do estilo, até mesmo por tudo que envolve o material, mas ainda está muito aquém do que se espera, imagine então ser o percursor de um novo filão.

Veremos então se o ainda inédito Assassin’s Creed ficará encarregado por essa função.

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