Diário de um Jornalista Bêbado
20.04.2012
Edu Fernandes

Quando um romance (quadrinhos, peça de teatro,...) é adaptado para o cinema, cortes e alterações na história original precisam ser feitos para que o enredo se encaixe na mídia. A adaptação cinematográfica Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary) tem essas manipulações que causam a ira dos fãs mais extremistas. Mesmo assim, o resultado final é uma história que não se adéqua às telonas.

O que há de melhor no filme são as atuações. Os atores conseguem despertar os sentimentos corretos na plateia, sejam eles positivos ou negativos. Torcemos por um jornalista alcoólatra que vai a Porto Rico atrás de trabalho (Jonnhy Depp, da série Piratas do Caribe), odiamos um especulador que quer construir um hotel (Aaron Eckhart, de Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles) e somos seduzidos pela femme fatale (Amber Heard, de Fúria sobre Rodas). Nesse time merece destaque Giovanni Ribisi (Avatar), como o excêntrico repórter Moberg, a melhor atuação de sua carreira.

Se sobra talento no elenco, falta à produção uma boa dose de desapego no roteiro e na direção. A principal vítima desse descuido é a edição. A montadora Carol Littleton (A Outra) tenta remendar um material carente de coesão.

Na direção falta desapego a alguns enquadramentos forçados. A impressão que se tem é que o diretor quer deixar sua marca em Diário de um Jornalista Bêbado, mesmo que ela seja deselegante. No roteiro, em diversas oportunidades, um grupo de cenas poderia ser fundido em uma única cena mais completa. Em uma sequência, quando se pula de uma cena para outra e se percebe que a ação dos personagens é a mesma, há uma suspensão no mergulho do espectador na história.

Uma possível solução para que esses fragmentos ganhassem coesão na tela seria adentrar na mente etílica do protagonista. Se houvesse a proposta de fazer o público sentir-se embriagado como o jornalista Kemp, os pulos entre as cenas faria sentido. Há pequenas tentativas nesse sentido, mas são em pontos bem isolados do filme.

 

Nota:

 

Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)