John Carter - Entre Dois Mundos
08.03.2012
Renato Marafon

Com o peso nas costas de iniciar uma franquia para a Walt Disney, chega aos cinemas nacionais o megalomaníaco ‘John Carter – Entre Dois Mundos’, adaptação cinematográfica de 'A Princesa de Marte' (John Carter de Marte), clássico romance de Edgar Rice Burroughs – mesmo criador de Tarzan.

A adaptação da história, escrita há 100 anos, é o grande problema da produção. Com um roteiro cheio de furos e passagens que são explicadas superficialmente, a missão do protagonista e seus motivos não convencem e a trama fica embaralhada.

John Carter (Taylor Kitsch) é inexplicavelmente transportado para Marte, onde se vê envolvido em um conflito de proporções épicas entre os habitantes do planeta, incluindo Tars Tarkas (Willem Dafoe) e a atraente Princesa Dejah Thoris (Lynn Collins). Em um mundo à beira do colapso, Carter descobre que a sobrevivência de Barsoom e de seu povo está em suas mãos.

Na contramão do roteiro confuso, a direção de Andrew Stanton ('Procurando Nemo') é magnânima. Com sets gigantescos e efeitos especiais de primeira, o diretor mostra segurança ao dirigir atores de carne-e-osso, e consegue criar cenas mirabolantes e um visual detalhista e convincente. Em muitos momentos, você realmente acredita estar em Marte.

Taylor Kitsch, novo queridinho de Hollywood, consegue provar seu talento. Sem ter grandes personagens no currículo (apareceu brevemente em ‘X-Men Origens: Wolverine’), ele também protagoniza outro blockbuster este ano: ‘Battleship – Batalha dos Mares’. Kitsch tem os dotes necessários para ser um protagonista de ação, e também tem o timing ideal para os momentos cômicos. Sua química com a atriz Lynn Collins – também ótima – salva o relacionamento aparentemente raso.

John Carter’ vai ter que suar muito para conseguir trazer lucro para a Disney: o orçamento foi de altíssimos US$ 250 milhões, sem contar nos gastos de marketing, e precisa arrecadar no mínimo US$ 700 milhões mundialmente para não ficar no vermelho.

Apesar de ser um blockbuster visualmente encantador, com uma história que remete aos antigos clássicos do cinema (lembra ligeiramente a saga ‘Star Wars’), ‘John Carter’ peca justamente no que é essencial para o público nos dias de hoje: a história.

 

Nota:

 

Crítica por: Renato Marafon