Dia das Mães: A Representação da Maternidade no Cinema

Dia das Mães: A Representação da Maternidade no Cinema

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As relações entre mães e filhos é material dramatúrgico desde a Grécia Antiga. No cinema, então, já rendeu filmes excepcionais. Ao me debruçar para escrever este especial, concatenei as opiniões de familiares, amigos e relatos em redes sociais e na internet sobre a importância de sabermos “o que é ser mãe”. Em aulas com textos teatrais, por exemplo, quando são expostas a Medeia (Eurípedes) ou Édipo Rei (Sófocles), certas pessoas ficam horrorizadas, pois tais comportamentos das personagens não condizem com a adequada conduta do que é ser mãe.

Mas, afinal, o que é ser mãe? Li um belíssimo texto que dizia “ser mãe” a mulher que não apenas troca fraldas ou aquece o alimento da criança, mas aquela que é capaz de fazer qualquer coisa pelo seu filho, tal como Sally Field em Nunca Sem Minha Filha; Sandra Bullock, em Um Sonho Possível; ou D. Hermínia, personagem de Paulo Gustavo em Minha Mãe é Uma Peça.

Mães como estas são as guerreiras que mudam os seus destinos, sempre dispostas a ensinar aos seus filhos os valores da vida. Os filmes do cineasta Pedro Almodóvar estão cheios destas figuras, mas há também o outro lado de ser mãe. Em O Amor Conquistado: o mito do amor materno, a intelectual francesa Elisabeth Badinter explora o outro lado desta concepção que, de acordo com as suas ideias oriundas de estudos aprofundados, fazem parte de uma construção social.

Para a autora, tal como outros fenômenos sociais, a maternidade é um sentimento secular construído com base em valores patriarcais, tendo em vista o controle dos espaços sociais e políticos pelos homens desde sempre. Polêmico, não? Mas vamos pensar no outro feixe de mães que o cinema já nos apresentou. No bobinho Crossroads – Amigas para Sempre, Britney Spears, em sua primeira incursão no cinema, viajou horas pela estrada para encontrar a mãe que a rejeitou em prol da sua nova família. Em Carrie – A Estranha, a mãe da protagonista preocupava-se mais com a sua filha ou com as suas obsessões religiosas? Alguém aí recorda dos maus bocados sofridos por Nina (Natalie Portman), personagem que precisou conviver com as frustrações de vida de sua mãe possessiva em Cisne Negro?

     

Desta forma é possível concluir que há várias formas de “ser mãe”. Não apenas o formato a que estamos acostumados, com mulheres que fazem de tudo para nos defender, criar e ser um modelo a ser seguido, mas também as mães que não sentem a vocação que a sociedade tornou convenção.

A indústria cinematográfica já nos apresentou várias facetas maternas. Foi pensando nisto que selecionamos alguns filmes. Prepare a pipoca, coloque o refrigerante para gelar e vamos embarcar nesta seleção cinematográfica de “pequenos grandes clássicos”?

TUDO SOBRE MINHA MÃE e JULIETA (Pedro Almodóvar)

Retratos do amor materno convencional, ambas as narrativas são dirigidas cirurgicamente pelo cineasta espanhol, adornadas por enquadramentos, design de produção e trilhas sonoras trabalhadas de forma magistral.

DURVAL DISCOS, QUE HORAS ELA VOLTA? e MÃE SÓ HÁ UMA (Anna Muyleart)

Três narrativas de uma cineasta simpática ao tema “família”. Enquanto Que Horas Ela Volta? retrata os esforços de uma mãe que precisa trabalhar longe da sua filha, Mãe Só Há Uma e Durval Discos nos mostra a necessidade do exercício da maternidade por vias pouco convencionais.

REENCONTRANDO A FELICIDADE (John Cameron Mitchell)

Narrativa focada no luto de Becca Corbett (Nicole Kidman), mãe que precisa encontrar sentido em sua vida após a trágica morte de seu filho. Durante a sua trajetória, tanto ela quanto o marido e as pessoas que gravitam em torno da sua existência aprenderão valiosas lições.

A ESCOLHA DE SOFIA (Alan J. Pakula)

Uma mãe polaca, interpretada pela sempre ótima Meryl Streep, é forçada por um soldado nazista a escolher um dos filhos para morrer. Neste conflituoso drama, caso ela não escolha um, ambos morrerão. O que fazer?

OS OUTROS e PRECIOSA (Alejandro Aménabar e Lee Daniels)

Enquanto Os Outros investe no mistério típico de uma narrativa fantasmagórica, Preciosa tira o tapete do espectador ao nos mostrar uma mãe considerada metáfora para seres humanos monstruosos. O primeiro nos revela uma a matriarca que sufocou os filhos após um surto em plena Segunda Guerra Mundial; no segundo, a mãe é testemunha dos abusos sexuais sofridos pela filha, vítima do próprio pai. Detalhe: ela culpa a filha pelo marido que a abandonou.

E você, caro leitor, tenho certeza que também conhece vários filmes, não é mesmo? Protetoras, amigas, mentoras. Assassinas, psicóticas, disfuncionais. Há várias de ser mãe. Há vários filmes que nos mostram isso.

 


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