Entrevistamos Gemma Arterton, de ‘Gemma Bovery’ e ‘João e Maria: Caçadores de Bruxas’

Entrevistamos Gemma Arterton, de ‘Gemma Bovery’ e ‘João e Maria: Caçadores de Bruxas’

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O CinePOP entrevistou a bela atriz Gemma Arterton, a Maria de ‘João e Maria: Caçadores de Bruxas‘ (2013). Atualmente, ela promove seu novo filme, a comédia francesa ‘Gemma Bovery: A Vida Imita a Arte‘.

No filme,  Arterton interpreta a bela e sensual Gemma Bovery, uma mulher selvagem.

Confira a entrevista:




O que a seduziu neste projeto?

Devo confessar que quando eu recebi o roteiro, eu não tinha certeza de querer participar desse projeto, porque eu já tinha atuado em TAMARA DREWE, outra adaptação de Posy Simmonds. O tom era próximo, mas a protagonista era muito diferente e havia alguma coisa nela que me seduzia mais: reconheci-me mais em Gemma do que em Tamara. E também a história é passada na França, e a perspectiva de aprender francês me agradava. Sem falar que Anne Fontaine é uma diretora de grande sensibilidade e eu tinha muita vontade de atuar sob sua direção.

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Você conhecia o romance gráfico de Posy Simmonds ?

Conhecia a existência do livro, mas não o tinha lido. Então, eu li primeiro o roteiro, e depois o romance que é extremamente brilhante. Aliás, o filme se distancia um pouco do livro que é passado na sua maior parte em Londres, ao contrário do filme. Posy é genial porque ela fornece muitos detalhes e ela é muito precisa na caracterização dos personagens. O que me interessava, é que no romance, Gemma é muito mais agressiva, muito mais raivosa e não muito simpática. Quando se atua num filme, não se pode fazer um personagem desses porque ninguém quer vê-lo! Eu queria me identificar com a protagonista.

 

Será que a heroína de Flaubert, Emma Bovary, terá ajudado a melhor entender seu personagem?

Com certeza. Isso permitiu definir a própria identidade do personagem – o ócio – pois Madame Bovary não tem muito o que fazer em sua vida e Gemma é uma Madame Bovary de hoje. O que me serviu também foram a paisagem, a sociedade e as tradições retratadas no livro e que se encontram ainda hoje na Normandia. Aquilo corresponde à ideia romântica da Normandia que os Ingleses têm, e é exatamente nesse estado de espirito que Gemma e Charles se mudam para a região.

 

Como você descreveria a Gemma? Ela é consciente de ser uma moça de uma beleza devastadora?

Nem um pouco! Ela não tem confiança em si. Quando estava em Londres, ela era apenas uma moça normal que não tinha nada demais, e ela não tinha muita experiência com homens. Quando ela se instala na Normandia, ela se ilumina, e, acredito eu, como Inglesa, que contrasta um pouco com os outros, ela aparece como exótica, mesmo que ela mesma não se sinta nem um pouco exótica!

 

Fale-me da relação entre Gemma e o personagem de Fabrice Luchini.

No início, ela não conhece ninguém e esse homem a ajuda um pouco a se achar: ela o vê todos os dias quando vai comprar pão e ela o acha gentil, apesar de um pouco esquisito. Mas quando não se fala a mesma língua, não se escapa de mal-entendidos, e foi isso que aconteceu também com Fabrice porque naquela época, eu não falava bem o francês. É um pouco a mesma coisa entre Gemma e Martin: não conseguem se comunicar direito e o relacionamento entre eles não fica claro. Ela gosta dele sem ter consciência de que ele está obcecado por ela. Aquilo é importante porque afinal, quando ela se dá conta que ele a confundiu com Madame Bovary, é um choque para ela porque ela não está apaixonada por ele. E ao mesmo tempo, ele a toca porque é romântico e vive numa ficção – e que ele sempre procurou fugir do cotidiano, ela também – tanto que eles têm isso em comum. Ele olha para ela com o olhar maravilhado de uma criança. Não é bem sexual, pois, se fosse o caso, aquilo seria um tanto repugnante. Há uma certa candura na relação deles.

 

Como você se preparou para o papel?

Como eu tive que aprender francês, me mudei para Paris alguns meses antes da filmagem: eu tinha medo porque eu não falava uma palavra! Então, mergulhei na cultura local. Lembro que Anne dizia sempre: “Você é igual ao personagem!” De um certo jeito, ela estava certa: era como Gemma já que ela se imergia numa cultura que não era a sua e se sentia como estrangeira. Depois, passei algumas semanas na Bretanha para aperfeiçoar meu aprendizado em francês. Saí com franceses, fui a um show com eles, etc., e era assim uma forma de preparação.

 

Anne Fontaine a acompanhou nessa fase de preparação?

Passei muito tempo com Anne. Era a primeira vez que eu filmava com um realizador que me acompanhava tanto na preparação. A gente se encontrava uma ou duas vezes por semana para falar do filme, e ela me explicava como ensaiar meu texto sem entonação alguma, para que eu me acostumasse à sonoridade das frases. Uma vez no set, eu não queria estar obcecada pela língua, em detrimento do meu trabalho de atriz. Foi sem dúvida a preparação mais longa que eu tive para um filme, tendo em vista que eu comecei em janeiro para filmar no final de agosto.

 

Que tipo de diretora ela é?

Ela tem um grande respeito pelo texto, coisa que eu aprecio num realizador, já que ela trabalha nele com muita antecipação para ter a certeza que as mudanças que ela deseja fazer estivessem digeridas na hora da filmagem. Então, quando ela está no set, ela sabe exatamente o que quer e está muito preparada. Ao mesmo tempo, ela está absolutamente aberta aos eventos inesperados que podem acontecer e às minhas propostas. São situações que, quando espontâneas, a tocam. É uma diretora de atores formidável: ela dedica muito tempo à preparação, tanto que uma vez no set, ela está toda ao serviço dos atores e só lhe resta se preocupar com o ângulo da câmera! Ela adota totalmente o ponto de vista do ator, coisa de que eu gostei muito.

 

É a primeira vez que você filmava com um equipe francês…

Adorei essa experiência porque há aqui um respeito imenso pelo cinema. Todos os técnicos eram excelentes, cada um na sua área, e o nosso diretor de fotografia era ótimo. Para todo mundo, o mais importante era contar a história o melhor possível.

 

Como foi a sua colaboração com Fabrice Luchini?

Era muito estranho – um pouco como no filme. O mais engraçado, é que no início, eu não falava francês e ele contava todo tipo de coisas muito divertidas com esse tom que é só dele: aquilo me deixava indiferente porque eu não tinha ideia do que ele estava falando! Todo mundo morria de rir, salvo eu! A nossa relação se resumia a isso. Mas à medida que nos aproximamos do final da filmagem, eu gostei mais e mais de filmar com ele, e tínhamos muito prazer em atuar juntos. Adoro a cena em que ele mata o ratinho: ele tenta se concentrar e fica quieto durante certo tempo, ai começo a gritar porque o ratinho sobe no meu pé. Como a gente riu nessa sequência!

A Mares Filmes estreia o filme nos cinemas nacionais dia 13 de Agosto. O elenco ainda conta com Fabrice Luchini e Jason Flemyng.

Assista ao trailer:

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