EXCLUSIVO: Entrevistamos a gata Sophie Marceau, de ‘Sexo, Amor e Terapia’

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O CinePOP entrevistou, com EXCLUSIVIDADE, a atriz francesa Sophie Marceau. Ela estrela a comédia romântica ‘Sexo, Amor e Terapia‘ (Tu Veux ou Tu Veux Pas?), que a Mares Filmes lança nos cinemas dia 27 de agosto.

Para quem não se lembra, ela também interpretou Elektra King em ‘007 – O Mundo não é o Bastante‘, décimo-nono da série cinematográfica de James Bond, criado por Ian Fleming.

Em ‘Sexo, Amor e Terapia‘, ela interpreta Judith, uma mulher que vive abertamente a sua sexualidade, mantendo casos com diversos homens.




 

Tonie Marshall jura que hesitou antes de oferecer a você o papel de Judith…

Eu sei disso e não entendo por que os diretores hesitam em me chamar! Falando sério, até o meu agente tinha dúvidas sobre meu interesse no roteiro. Como ele era assinado por Tonie Marshall, claro que pedi para ler e acabei rindo muito. Eu adorei a premissa dessa história, que trata de um tema bastante quente e desafia as regras da comédia. Percebi que para mim seria uma oportunidade de tentar um registro inédito, com simplicidade e leveza. Judith é uma mulher que assume completamente suas neuroses sem nunca ter um ar de neurótica! Tonie trata do tema com muita elegância e o filme é apenas um pretexto para a diversão: ele mostra as coisas por trás das aparências, os jogos, a relação com o outro e a sedução. Num filme mais clássico, Judith e Lambert logo iriam para a cama e sua história provavelmente não duraria mais que dois dias. Neste filme complicamos as coisas para finalmente mostrá-los como eles realmente são.

 





Você falou de aparências. Geralmente os papéis que oferecem a você são românticos ou glamurosos. Foi divertido brincar com essa imagem interpretando Judith, uma mulher que vive sua sexualidade de forma plena e direta?

Eu adoro isso. Como quando James Huth me pediu para assumir o pastelão em “Un Bonheur N’Arrive Jamais Seul”! Quanto mais a comédia fica burlesca, melhor: adoro tudo que me afasta da realidade.

 

Judith tocou você? Existe alguma coisa em comum entre vocês duas?

A priori, ela está muito distante de mim. É alguém que não fica encanada, que aceita as coisas como elas são e que decidiu nunca se deixar dominar pelo drama e pela tristeza. No entanto, ela corre esse risco, tendo sofrido na infância a história do amor trágico de seus pais. Mas não! Judith foi na contramão e se refugiou na sua neurose. Mas ela faz isso sem nenhuma agressividade, se aceitando totalmente como é. Essa vida descompromissada termina no dia em que ela conhece Lambert, um homem que não funciona como ela. O fato de ele não entrar no jogo habitual a faz questionar as coisas, mas mesmo assim ela age com muita honestidade. No fim, essa experiência vai ensiná-la a amar de forma diferente. No fundo, estamos de acordo: Judith tem um problema! Quando precisamos fazer sexo cinco vezes por dia, existe ali uma carência afetiva. Ela podia comer açúcar, se injetar heroína, mas sua droga é o sexo! Isso lhe confere autoestima, é um vício que faz bem. Para mim, é uma personagem tocante. Eu a vejo como uma mulher provocante mas nunca maldosa ou perversa.

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A maneira de Judith se vestir em “Sexo, Amor e Terapia” não é nada discreta: são roupas justas, coladas ao corpo… Isso ajudou você a construir a personagem?

Sim, é muito importante. A primeira vez que um personagem aparece para nós é através do figurino. Ele realmente nos revela o que devemos ser na tela, assim como as roupas mostram como realmente somos na vida. Judith é uma mulher que se mostra, que se oferece, e portanto se veste com uma espécie de segunda pele que não esconde nada. Ela está à vontade com seu corpo e sua aparência, suas formas são uma maneira de se comunicar. Mas o que me parece importante é que esse estilo de roupas nunca é vulgar. Pelo contrário: são roupas coloridas que remetem a cores da infância, como bombons, licor grenadine ou creme de menta…

 

O filme constantemente revela um universo onírico e poético…

De fato nos aproximamos do surreal e do fantástico quando Tonie apresenta os sonhos e fantasias das pessoas. Judith vive num mundo em que o tátil e o sensual são muito importantes. Ela é capar de imagina os homens nus fazendo um giro de pescoço e isso a tranquiliza, é como um calmante! Pode parecer bizarro, mas é o refúgio dela. De fato, cada um cria o seu. Para certas pessoas é uma coisa mais cerebral, mas mesmo assim é uma forma de não se perder, de manter o controle. A sequência com homens-animais remete à visão que Judith tem do mundo. Essas bestas de pelúcia aparecem para conversar com ela docemente, sem pressão social, sem autoridade…

 

Como foram as filmagens sob a direção de Tonie Marshall?

Fiquei realmente muito feliz de tê-la conhecido. É uma pessoa muito sincera, muito direta mas também muito angustiada! Tonie tem uma verdadeira necessidade de dizer as coisas e os atores são os instrumentos da sua expressão. Adoro pessoas como ela, que estão em sintonia com suas emoções. Isso cria uma proximidade com os atores. Tonie é também uma atriz formidável e muitas vezes comentei que ela poderia interpretar todos os papéis do filme. Quando nos imitava, ela conseguia uma graça e uma força formidável e tocante. Adoro quando um cineasta tem essa autêntica maestria,  essa pequena música íntima. Os budistas dizem: “Não existe bem e mal, existe o justo”. Isso corresponde totalmente a Tonie!

 

Quando vemos sua filmografia, percebemos que as diretoras sempre tiveram um papel importante: Diane Kurys, Véra Belmont, Pascale Pouzadoux, Laure Duthilleul, Marina de Van, Lisa Azuelos, claro, e agora Tonie Marshall

Gosto muito de trabalhar com mulheres. Elas talvez estejam mais à vontade com as coisas do corpo, da emoção e da psicologia. Um homem se foca mais na síntese, na construção… No fundo, o trabalho de direção tem mais a ver com a masculinidade do que com a feminilidade. Ele demanda rigor (já que fazer um filme é um exercício pesado, bastante físico) e também fantasia (já que ele também aborda os sentimentos). É preciso reconhecer que trabalhei com diretores muito femininos e diretoras muito masculinas mas, no final, o que conta é a relação com o humano! O mais importante é aquilo que um ou uma cineasta tem na cabeça e no coração. A partir desse momento, não faço distinção entre os homens e as mulheres…

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Você também é uma diretora. Está com vontade de passar para trás das câmeras?

Sim, mas antes preciso encontrar um bom material, algo que me deixe obcecada. Há muitos filmes sendo feitos, então a ideia não é fazer mais um só por fazer! Nos últimos tempos, tenho andado muito ocupada como atriz e isso é o oposto do trabalho de direção, quando você se dedica inteiramente ao mundo do ator ou atriz que você dirige. É preciso tempo para passar de uma função à outra, é como uma luva que você precisa virar totalmente do avesso… Quando estou trabalhando como atriz, durante as filmagens eu fecho totalmente a porta da diretora que há em mim. Me proíbo de ter um olhar de diretora sobre a cena que estou interpretando. É preciso, claro, contribuir com seu trabalho e sua personalidade, mas sobretudo aceitar que estamos a serviço dos outros.

 

E isso passa também pela colaboração com outros atores. Nos conte como foi trabalhar com Patrick Bruel.

Nossas carreiras começaram na mesma época. Portanto éramos uma pequena trupe de cantores, cantoras, atores e atrizes que se cruzavam enquanto tentavam encontrar sua voz. Cada um seguiu seu caminho e foi muito legal nos cruzarmos de novo, agora adultos, pais, pessoas responsáveis e muito ocupadas! Tenho muito carinho por Patrick e muita admiração pelo artista que ele se tornou…

 

Como foi vê-lo na pele de Lambert, um personagem aparentemente muito distante do que ele é na vida?

Só percebi mesmo quando vi o filme pronto. Durante as filmagens, notei que chegar a esse registro demandava um grande trabalho da parte dele e o deixei tranquilamente encontrar seu personagem. É preciso sempre respeitar as interrogações dos atores. Claro, nós somos parceiros na tela, mas nossos personagens não se conhecem. Eles vão até mesmo se opor, resistir um ao outro, e acho que o método de trabalho de Patrick contribuiu para aquilo que Lambert e Judith vivem no filme…

 

Você roda apenas um ou dois filmes por ano e no entanto recebe muitos roteiros. É uma escolha?

Sem dúvida, porque eu sempre funciono a partir de impulso, sem estratégia. No meu íntimo, entendo que rodar um filme responde a uma desejo do momento. Alguns desses filmes resistem melhor ou pior ao teste do tempo, mas todos correspondem à uma coisa íntima que você precisava expressar. Você faz um filme aos 20 ou 25 anos, depois você se torna mãe ou acabou de perder alguém próximo: tudo o que você vive modifica sua pessoa e alguns diretores aparecem no momento certo para captar o que você sente e mostrar nas telas. O cinema joga muito com a espontaneidade do desejo e com dois estados de espírito que se cruzam: o do diretor e o do ator.

 

E depois de “Sexo, Amor e Terapia”, para onde se volta o seu desejo?

Tenho alguns projetos, todos diferentes. Quero ser levada a universos mais orgânicos, mais abruptos, mais físicos… Eu adoraria perder o controle, me perder! Para isso é preciso cineastas bem intensos, que me fazem questionar e apagar tudo o que eu já sei. Na verdade, eu queria redescobrir o gosto das primeiras vezes, do inesperado…

Assista ao trailer:

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