EXCLUSIVO: Paulo Gustavo quer ‘Minha Mãe é uma Peça 3’? Ele responde!

EXCLUSIVO: Paulo Gustavo quer ‘Minha Mãe é uma Peça 3’? Ele responde!

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Minha Mãe é uma Peça 2, continuação de uma das comédias nacionais de maior sucesso dos últimos anos, já levou mais de 6 milhões de brasileiros aos cinemas. O CinePOP assistiu ao filme, que continua hilário, mas também bem tocante, e você pode conferir nossa crítica nesse link.

Além disso, fizemos também uma entrevista com o protagonista e criador Paulo Gustavo, na qual ele aborda as dificuldades de se fazer comédia, fala sobre sucesso, drama e a possibilidade do terceiro filme. Confira:

CinePOP:  Quais foram os desafios ou dificuldades de encarnar Dona Hermínia pela segunda vez?

Paulo Gustavo: “Vamos lá, entrevista para o CinePOP. ‘Dorei’. Eu faço há tanto tempo essa personagem que ela nem é mais um desafio. O maior desafio na verdade foi descobrir o tom para o cinema. Eu fiquei dez anos fazendo ‘Minha Mãe é uma Peça’ no teatro e a interpretação é completamente outra. No teatro, a apresentação é para o público, a gente projeta a voz, a maquiagem é outra. No cinema, a gente faz para a câmera, então tem que ser uma coisa menor, o cinema é muito grande e qualquer movimento de olhar mais exagerado dá para ver. Então , foi descobrir esse equilíbrio, interpretar para o cinema, vindo de uma pessoa que ficou dez anos no teatro. Esse foi o meu maior desafio. Mas eu tive tempo para isso, eu fiz ela no 220 Volts na TV, então já fui pegando um tom diferente. Depois eu fiz o primeiro filme. Agora no 2 eu acho que ela está mais sensível, mais madura. Não só a personagem, como a interpretação. É muito legal voltar no cinema depois desses anos todos. Eu acho que a Dona Hermínia está diferente agora no 2. Ela está mais humana, mais sensível, mais emotiva. Acho que eu consegui dar uma humanizada no personagem. E as pessoas estão percebendo isso, os comentários são esses: ‘como ela tá diferente. Como está diferente o cabelo, a interpretação, o olhar. Parece que você amadureceu como ator’. Então acho que valeu a pena esse esforço todo.”

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CP: O segundo filme é igualmente hilário, mas surpreende ao dar destaque a cenas verdadeiramente emocionantes (em especial as que falam sobre família e a tia Zélia). Como surgiu a ideia de cenas mais dramáticas no filme?

PG: “Eu acho que o filme 2 está mais humano, mais emocionante, como eu disse. Acabou que eu respondi um monte de coisa na primeira pergunta, né. Eu vou falando pra cacete e vou respondendo todas praticamente (risos). Mas eu achei bonitinho falar desse lugar, desse momento da velhice. Dessa forma sutil, delicada. Achei legal falar sobre o ninho vazio também, que é um momento na vida das mães, que as mães passam, a maioria passa por isso, né. Os filhos saem de casa e a mãe viveu pra eles. Levou uma vida inteira dedicada aos filhos e de repente os filhos saem de casa, então eu acho que deve ser realmente um vazio, uma solidão que só quem é mãe sabe. Eu quis falar sobre esse assunto e acho que consegui tocar as pessoas. Nas pré-estreias agora, nas cabines que a gente fez, as pessoas no final, é a mesma conversa, todo mundo fala: ‘nossa, que legal que o dois é engraçado, mas agora ele está muito emocionante, está mais humano, ele não está um filme totalmente escrachado, de risada o tempo todo’. Você ri equilibradamente. Está equilibrado o riso e a emoção. Foi legal e deu certo o que eu quis passar para o público, acho que eu consegui, acertei em cheio. Deu super certo. As pessoas estão mega se sentindo homenageadas, tocadas, emocionadas. Meus amigos que saíram de casa e as mães que ficaram, se emocionaram. Amigos meus que viajaram e foram morar fora e a mãe que ligava sempre, mandava mensagem, foram ver o filme. Dois amigos meus que estão aqui para o natal ficaram super emocionados, lembrando do momento em que foram embora e que a mãe sentiu falta. Então é isso, o filme tá bem bonito”.

CP: ‘Minha Mãe é uma Peça’ é exemplo de comédia nacional de qualidade, o que muitos apontam como algo raro. Em sua opinião, qual o segredo que faz o filme se diferenciar das demais comédias nacionais?

PG: “Olha, ‘Minha Mãe é uma Peça’ graças a Deus virou uma marca, né. Eu acho que antes do cinema ela já era por conta do teatro. Um espetáculo que fica onze anos em cartaz não é normal, viajar o Brasil inteiro. Eu fiz quatro turnês pelo Brasil com ‘Minha Mãe é uma Peça’, voltando nos mesmos lugares, com teatros enormes de capacidade para cinco mil pessoas, sempre tudo muito cheio, muito lotado. E eu ficava pensando: ‘gente, de onde sai essa galera toda’. Eu acho que é isso, é uma peça que atravessou uma geração. Hoje, quem tinha dez anos, doze anos depois está com vinte e dois, já leva a namoradinha no teatro, e leva no cinema. Então, eu acho que ‘Minha Mãe é uma Peça’ foi virando uma marca ao longo dos anos, até por este nome estar muito forte por muitos anos. As pessoas já esperam no cinema também. O diferencial de ‘Minha Mãe é uma Peça’ é ser um filme que conversa com a família brasileira. É um filme que fala sobre a família, sobre a relação mãe e filhos, fala sobre amor, ao mesmo tempo é um filme que fala de solidão. Eu acho que esse é o diferencial. A comédia pode ter esse lado. Não é que a comédia tem que ter drama, eu acho que a comédia tem que ser engraçada. Se o filme for engraçado e as pessoas rirem do início ao fim, deu certo, né. Porque com a comédia a intenção é fazer rir. Agora, quando você consegue fazer rir e fazer emocionar ao mesmo tempo, eu acho que é mais precioso, mais rico. E eu sempre tento fazer isso nas minhas peças. O Hiperativo era um espetáculo mais comédia por situações do dia a dia e a plateia morria de rir, mas eu acho que Minha Mãe é uma Peça no teatro tinha uma coisa por trás, tinha uma emoção, uma solidão como pano de fundo. Eu acho que o 220 Volts também, embora fosse um espetáculo engraçado, escrachado, no qual eu fazia diversos personagens, aquelas personagens eram críticas, eram ácidas, queriam dizer outras coisas. Agora o Online, que é minha peça nova, já é mais leve, mais entretenimento. Mas eu acho que de vez em quando eu consigo driblar isso, equilibrar e passar por esses dois lugares, tanto da emoção quanto da comédia pela comédia, o riso pelo riso. Eu acho que às vezes eu consigo equilibrar e esse é o diferencial.

CP: Você aceitaria o desafio de um viver um personagem dramático em um filme de outro gênero, ou acha que seu lugar é na comédia? Acredita que existe espaço para outros filmes nacionais, além do humor, fazerem sucesso?

PG: “Eu acho que os filmes que são legais fazem sucesso. Tropa de Elite, por exemplo, não era comédia e foi um fenômeno. Então eu acho que tem espaço. É claro que a comédia é um gênero que leva muita gente ao cinema. É um gênero mais procurado, as pessoas gostam de sair para relaxar e na hora de ir ver um filme a maioria quer rir, quer se divertir, descontrair. Eu acho que comédia é o gênero mais difícil que tem para fazer. As pessoas dão muito valor ao drama, mas as pessoas não fazem ideia, não tem noção do quanto é difícil fazer comédia. Tanto que você vê poucos comediantes no geral. Se você pegar todos os atores do país, sem excluir nenhum, e você separar quem faz comédia, você separa trinta para um lado e quarenta mil para o outro (pro lado do drama). É mais difícil fazer comédia. Os comediantes se destacam. Você vê um monte de gente ir e vir, aparecer e ressurgir, e os comediantes são sempre os mesmos a vida toda. Você vê quando aparece uma nova geração, como a Tatá Werneck, eu, o Adnet, todo mundo que veio agora, as pessoas sabem, são nomes muito fortes. Porque são nomes que ganham destaque justamente por isso, porque comédia é muito difícil. Você tem as gerações, como foi com a Débora Bloch, Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Pedro Cardoso, Marco Nanini, Regina Casé, Miguel Falabella, Louise Cardoso, Diogo Vilela, quer dizer, você pega uma outra geração que você não esquece. Você pode pegar também Chico Anysio, Costinha, se você for lá para trás. São pessoas que ninguém esquece e nunca vão esquecer. Porque são poucos os comediantes. Eu acho que o drama é mais fácil. Quando eu quiser eu vou fazer. Como forma de entretenimento como você perguntou, para a TV e cinema, a comédia é sempre mais procurada. Mas eu acho que tem espaço para outras coisas. Ontem mesmo passou ‘Irmã Dulce’ na Globo, eu achei lindo. Um filme lindo, uma história linda. Uma pessoa tão boa, né? Tão especial, e tão próxima da gente, não só perto de cidade, porque ela vivia em Salvador. A gente quando vê um ser humano tão iluminado assim, a gente não acredita que viveu na mesma terra que ele. E é um filme que passou na Globo, foi pro cinema, teve esse espaço. A oportunidade de virar um longa. Então eu acho que tem espaço sim.

CP: Quais são os planos para ‘Minha Mãe é uma Peça em Nova York’ (título sugerido, risos)? Ps. Queremos mais dona Hermínia.

PG: “’Minha Mãe é uma Peça em Nova York’, se tiver, vai demorar muito ainda. Porque agora eu tenho outros projetos na frente para acontecer. A minha peça ano que vem em turnê. Ainda vou fazer São Paulo, vou fazer turnê pelo Brasil. Tem o meu programa novo no Multishow que se chama ‘A Vila’, no qual eu faço um palhaço que o circo acabou, e eu paro meu trailer numa vila. Essa vila tem moradores, que são os atores com quem eu vou contracenar. Eu tenho outros projetos, estou escrevendo um novo filme para o ano que vem, que eu ainda no posso contar, porque ainda não tem nada registrado, nem nome, nem nada, então fica difícil falar agora. Mas eu vou fazer, se Deus quiser. A trilogia, fica chiquérrimo, né. Agora, vai demorar um pouquinho. Vamos ver, tem que construir uma história muito engraçada. Para ter o 3, não dá para ser qualquer coisa, tem que ser melhor que o primeiro e o segundo. É isso, muito obrigado, um beijo para todo mundo aí do CinePOP, e a gente se vê no cinema já. Beijo”.


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