Crítica 2 | Expresso do Amanhã

Crítica 2 | Expresso do Amanhã

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Luta Final de Classes 

Lançado em 2013 em alguns países asiáticos como a Coreia do Sul, Taiwan e Tailândia, e na França, passando por outros tantos como EUA e Reino Unido em 2014, Expresso do Amanhã finalmente faz sua parada no Brasil – depois de uma temporada de incógnita sobre um possível lançamento direto em vídeo. Muitos já assistiram (você sabe por qual meio) e o hype igualmente precedeu a obra, elogiada e enaltecida como uma das melhores produções cinematográficas do ano passado – lista na qual deverá figurar igualmente este ano.

Não deixa de ser uma conquista conseguir lançar a obra nas salas de cinema, mesmo que em poucas, afinal, Expresso do Amanhã realmente não é um filme para muitos. Passada no futuro, a trama apresenta um mundo congelado após um grande acidente global. Os poucos sobreviventes, uma porcentagem ínfima, são tudo o que restou da humanidade e de nossa civilização como a conhecemos. Eles sobrevivem dentro de um enorme trem, todo aparelhado para substituir o planeta Terra (daí já podemos imaginar a estrutura), idealizado por um grande homem, papel de Ed Harris

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O veículo permanece em constante movimento, passando pelo que restou do planeta congelado em seus trilhos, e completando uma volta ao redor do mundo por ano. Apesar da grande mudança estrutural, nossa sociedade evoluiu pouco, e continua segmentada por diferentes classes sociais, apontadas de forma feroz pela obra. Os ricos e privilegiados vivem na parte da frente do trem, continuando com o estilo de vida que possuíam antes da catástrofe. Os pobres, ficam amontoados na parte traseira do veículo, sem grande perspectiva de vida, e totalmente controlados pelos mandos e desmandos dos poderosos.

Por esta premissa, dá para perceber que a obra produzida por Park Chan-wook (diretor do cult Oldboy), baseada na graphic novel francesa “Le Tranperceneige”, e dirigida e adaptada por Bong Joon Ho (O Hospedeiro e Mother – A Busca Pela Verdade), não pega leve nas analogias políticas e sociais. Pelo contrário, a obra as destaca fortemente, fazendo girar a trama com as indignações exaltadas que aceleram até se transformarem em motim.

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Você pode perguntar, eu já não vi isso em Elysium (2013)? Sim, é verdade, mas aqui a coisa funciona da maneira devida. Existem muitos questionamentos, sem priorizar somente a ação. Enquanto Elysium apresentava uma boa premissa e desistia de desenvolvê-la e aprofundá-la, Expresso do Amanhã continua em constante evolução até seu desfecho, sem esquecer que no meio tempo precisa também contar uma história.




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O cineasta Joon Ho filma com maestria. Em muitos momentos sentimos toda a atmosfera do cinema asiático em sua glória, principalmente na forma narrativa de conduzir uma história. A produção em si é igualmente magnífica, os grandes cenários que compõem a direção de arte saltam aos olhos. Todo pequeno detalhe é minimamente pensado e funciona de forma majestosa e orgânica. As atuações igualmente são precisas.

Chris Evans se mostra eficiente como protagonista, e dentre tantos rostos conhecidos no elenco vale destacar Song Kang Ho (Sede de Sangue), Ko Asung (O Hospedeiro) e Tilda Swinton em mais um desempenho chamativo e caricato.  Expresso do Amanhã também aposta em tais personagens e na caricatura. Assim como algumas críticas sociais, aposta na sátira. Item do qual possui em comum com o igualmente elogiado Mad Max: Estrada da Fúria.

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