Família do Bagulho

Família do Bagulho

OS TRAFICANTES “DO BARULHO”

Família do Bagulho é a segunda grande comédia de sucesso nos Estados Unidos, a chegar ao Brasil em pouco tempo. Por lá, os filmes mais rentáveis do gênero foram justamente As Bem Armadas (que estreou por aqui na última sexta-feira) e essa produção. O fato demonstra o poder das mulheres à frente de obras sarcásticas e politicamente incorretas. Aqui, embora a história gire em torno de uma família forjada, o nome de Jennifer Aniston é o mais proeminente no elenco.

O verdadeiro protagonista, no entanto, é David, papel do humorista Jason Sudeikis (que já havia participado de Quero Matar Meu Chefe com Aniston, mas sem contracenarem). O sujeito é um pequeno traficante local. Ao contrário de um amigo de juventude, ele não amadureceu e escolheu uma vida fácil e solitária (cena que abre o filme, e dá o tom para que seja montada sua família, mesmo que uma falsa). Devido a um contratempo, ao ter sua “mercadoria” roubada, o protagonista precisa realizar um grande favor, para dizer no mínimo, para seu fornecedor e também amigo do passado.

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O grande traficante é vivido de forma caricata por Ed Helms, o Stu dos filmes Se Beber, Não Case. O poderoso chefão das drogas tem inclusive um grande aquário com direito a uma orca matando um tubarão, no melhor estilo do Dr. Evil, de Austin Powers. Eis o pequeno favor (afinal uma mão lava a outra): o personagem de Sudeikis precisa ir até o México para trazer uma grande quantidade de maconha. Então, para não levantar suspeita, o protagonista resolve disfarçar criando sua própria família.

Para isso, o sujeito alista a ajuda de uma stripper, vivida por Jennifer Aniston, que mora em seu prédio, deve o aluguel e foi abandonada pelo namorado canalha; um rapaz ingênuo e abobalhado, igualmente abandonado (mas pela mãe); e a rebelde menos crível da história, uma fugitiva de casa vivida pela frágil e bem cuidada Emma Roberts, a sobrinha de Julia Roberts (cuidado ela tem um piercing e usa capuz, deve ser um tremendo mau elemento). Se bem que recentemente a pequena Roberts, de 22 anos, fez jus a sua personagem e foi acusada de violência doméstica por ter agredido seu namorado.

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Está formada a família incorreta, que precisará conviver e saber se aceitar para completarem a missão. De começo esses membros muito diferentes colidem para depois começarem a se entrosar. Existem muitas cenas engraçadas em Família do Bagulho, e outras tantas que mergulham de cabeça num humor incorreto e sujo. Em determinado momento, “mãe” e “irmã” ensinam o personagem de Will Poulter (As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada), o “filho”, a beijar, numa extensa cena que envolve além de língua, um movimento novo e inusitado.

Esse é só um exemplo, dentre tantos que ainda envolvem um jogo de adivinhação de desenhos, e uma dança sensual protagonizada por Aniston, para mostrar que a atriz ainda está em ótima forma no auge de seus 44 anos. Esse é o típico empacotado, mas a surpresa é que o gosto não é ruim. Filmes como Família do Bagulho e o recente As Bem Armadas fazem lembrar o tipo de comédia feita na década de 1980, e que o público adora. Longe de serem obras-primas, talvez sejam o que de melhor o cinema de Hollywood tem a oferecer no gênero da comédia.

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É um produto divertido e com alto valor de entretenimento. Mas igualmente esquecível. É bom saber, pelo menos, que as comédias de grande porte americanas, conseguem ver além da escatologia, do besteirol e da falta de inteligência e criatividade promovida pelas últimas comédias de Adam Sandler, por exemplo. É bom saber também, que dessa vez as comédias mais rentáveis do ano, são também algumas das melhores.

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