Festival Varilux | Carnívoras – Jérémie Renier estreia com pé direito na direção de drama sombrio

Festival Varilux | Carnívoras – Jérémie Renier estreia com pé direito na direção de drama sombrio

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As Queridinhas da França

A conhecida exaustão física e psicológica que alguns papeis acarretam a seus intérpretes – em especial no cinema – e seu grau nocivo à saúde dos atores ganha os holofotes neste primeiro trabalho como cineasta assinado pelo ator Jérémie Renier.

Carnívoras é um retrato cru e seminal da carga que o empenho cênico pode trazer a artistas e o eco refletido em suas vidas pessoais. O longa é codirigido por Yannick Renier, irmão de Jérémie – a dupla também é responsável pelo roteiro.

Exemplo claro e recente da proposta abordada pelos realizadores foi a terrível perda do jovem Heath Ledger, que precisou se entregar a medicamentos pesados a fim de exaurir o desgaste apresentado ao interpretar o vilão Coringa no quintessencial O Cavaleiro das Trevas (2008). Aqui, temos algo parecido quando a estrela Samia Barni (Zita Hanrot) surta e desaparece depois de ser exigida de forma extremamente excessiva em seu novo filme. No quesito, podemos citar também a hostilização performática realizada por Stanley Kubrick e Jack Nicholson em Shelley Duvall no terror O Iluminado (1980).




Nos bastidores, temos a dinâmica de duas irmãs atrizes. Mona (Leila Bekhti) é a protegida, sem sorte na carreira. Samia (Hanrot) é a bem sucedida. Sobra para a primeira cuidar da carreira da segunda, interpretando o papel mais longo de sua vida, o de assessora pessoal da irmã, sempre eclipsada por sua enorme sombra. Outro personagem vestido por Mona é o de psicóloga da estrela – já que esta se encontra com a psique tão abalada pela profissão, que nem mesmo o marido e o pequeno filho são motivos fortes o suficiente para resgatá-la do momento fragilizado.

Não ajuda nem um pouco em seu trauma o fato do diretor Paul Brozek, papel de Johan Heldenbergh (Alabama Monroe), comandante de seu novo filme, ser um perfeccionista e seu algoz pessoal. Ao invés do suicídio, Samia opta pelo sumiço – deixando tudo para trás. Por mais de um ano, sem saberem se está viva ou morta, resta para a preterida Mona ir aos poucos assumindo um novo papel, o da irmã, deixado vago em todos os âmbitos.

Carnívoras é um thriller dramático relevante nas questões que levanta, as quais expõe com propriedade, e muita honestidade (já que foi confeccionado por dois irmãos – que devem ter em algum momento de suas jornadas se deparado com empasses similares de rivalidade fraternal), a saudável, ou quem sabe insana, competição entre entes com este nível de proximidade sanguínea. Tema também adereçado pelo outro filme de Jérémie Renier neste Festival Varilux, O Amante Duplo, de François Ozon.

Do drama desesperador e soturno, que tem muito a ver com o tema da depressão também, Carnívoras vai além, chegando a um desfecho apoteótico e estarrecedor. Os Renier demonstram maestria em sua estreia, criando grande imprevisibilidade narrativa, e se posicionando sempre um passo a frente do espectador, que tenta acompanhar incapaz de prever os caminhos que os irmãos arquitetam. A inquietude dos personagens exala da tela no espectador, criando aflição e o forte sentimento de que algo sairá errado em algum momento. Este domínio ao se contar uma história faz parte da galeria de poucos cineastas, e é seguro afirmar que os diretores começam com o pé direito. Com o soco no estômago corajoso e amoral, a dupla coloca o ponto final em seu debute. E nós, claro, esperamos o próximo passo.





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