O Adeus de Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia

O Adeus de Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia

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O anúncio do falecimento da atriz Carrie Fisher chegou nesta terça-feira, 27 de dezembro, do ano menos apreciado dos últimos tempos, 2016. Fisher havia sofrido um ataque cardíaco no último dia 23, a bordo de um avião quando voltava de uma viagem para Londres a trabalho. Segundo relatos, Fisher ficou dez minutos sem respirar após o ataque, mas ao recuperar o pulso foi levada para a UTI no hospital, onde ficou até seu falecimento, anunciado na manhã de hoje.

Vida Pessoal

Carrie Francis Fisher era filha de um casal de famosos, formado pelo cantor Eddie Fisher e a atriz da era de ouro de Hollywood, Debbie Reynolds (Cantando na Chuva, 1952), ainda viva, com 84 anos de idade. O pai, abandonou a família quando Carrie tinha 2 anos, para se casar com a estrela Elizabeth Taylor (Cleópatra, 1963), somando um total de cinco casamentos para o cantor. Reynolds foi sua primeira esposa.

Fisher começou a carreira de atriz cedo e atingiu o sucesso, assim como a mãe, aos 19 anos de idade. Na vida íntima, foi noiva do ator Dan Aykroyd (Os Caça-Fantasmas, 1984), e afirmou ter mantido um romance com o astro Harrison Ford, companheiro de cena em Star Wars. No entanto, foi casada oficialmente apenas com o cantor Paul Simon, num matrimônio que durou de 1983 a 1984. O relacionamento dos dois durou mais oito anos após o divórcio.

     

Sua única filha, Billie Lourd, nascida em 1992, é fruto do relacionamento com o bem sucedido agente de cinema, Bryan Lourd. A filha Billie também se tornou atriz e estrelou a série cômica de terror Scream Queens (2015 – 2016), além de participações no Episódio VII e no vindouro Episódio VIII da saga que eternizou sua mãe.

Fisher, que era amiga pessoal do astro da música Michael Jackson, também passou por dificuldades de saúde. Em 1998, a atriz admitiu o uso e dependência de drogas, se internando numa clínica de reabilitação de produtos químicos. Diagnosticada como bipolar, Carrie Fisher falou sobre o tema em 2004 no encontro anual da Associação de Psiquiatras Norte-Americanos, numa palestra para milhares de médicos. Todas estas experiências foram usadas pela atriz em seus livros.

Carreira como Atriz

Sua estreia foi em 1969, no especial para a TV Debie Reynolds and the Sound of Children, estrelado pela mãe. Mas o reconhecimento absoluto viria alguns anos depois, em seu terceiro trabalho como atriz. Star Wars: Uma Nova Esperança (1977), ou simplesmente Guerra nas Estrelas, eternizou Carrie Fisher junto aos fãs como a Princesa Leia Organa, líder da resistência contra o maligno Império de Darth Vader, o maior vilão do cinema. A aventura espacial de matinê, criada por George Lucas, tornou-se parte do consciente coletivo popular, rendendo duas sequências na época: O Império Contra-Ataca (1980) e O Retorno de Jedi (1983), nas quais Fisher reprisou seu papel.

Sua participação como Princesa Leia recai no quesito “ela não precisaria fazer mais nada”, e foi basicamente o caso. Apesar das inúmeras participações em outras obras, nada jamais chegaria perto em termos de relevância.

De fato, os papeis mais famosos foram os que a atriz recusou. Na lista, encontram-se Emmeline de A Lagoa Azul (1980), que ficou com Brooke Shields; Sarah Connor de O Exterminador do Futuro (1984), papel que ficou com Linda Hamilton; e Kathryn Murphy em Acusados (1988), que ganhou Kelly McGillis como intérprete. Segundo o autor William Goldman, Fisher era a escolha ideal para o papel de Buttercup, a protagonista de A Princesa Prometida (1987). O personagem, no entanto, foi interpretado por Robin Wright.

Carrie também fez participações em séries de TV e interpretou a si mesma em duas ocasiões, no terror de Wes Craven, Pânico 3 (2000), no qual escreveu sua própria cena; e no recente Mapa para as Estrelas (2014), de David Cronenberg.

Em 2015 o nome de Carrie Fisher retornaria aos holofotes. O mundo voltou a abraça-la no papel da agora General Leia em Star Wars: O Despertar da Força, sétimo episódio da franquia, para o qual precisou entrar em forma e perder mais de 15 quilos. A saúde de Fisher parecia ir bem.

Escritora e Roteirista

Apesar de ser mais conhecida pelo papel de Leia em Star Wars, Carrie Fisher teve mais êxito como escritora do que como atriz. Seu primeiro livro lançado, Postcards from the Edge (1987), relata experiências semi biográficas, problemas com drogas e o relacionamento com a mãe famosa. A obra se tornou o filme Lembranças de Hollywood (1990), dirigido por Mike Nichols, e protagonizado pela amiga Meryl Streep (que interpreta uma versão de Fisher). Este também foi o primeiro roteiro no qual a atriz trabalhou, adaptando seu próprio livro para o cinema.

As outras obras literárias de Fisher são Surrender the Pink (1990), Delusions of a Grandma (1993), The Best Awful There Is (2004), no qual relata a experiência de ter sido trocada por um homem pelo companheiro Bryan Lourd , Whishful Drinking (2008), Shockaholic (2011), e o recente The Princess Diarist (2016), no qual conta suas experiências em Star Wars e revela o romance de bastidores com Harrison Ford. A atriz estava atualmente em turnê com este livro.

Como roteirista, Carrie Fisher atuou como script doctor, revisando o texto e polindo diálogos de filmes muito conhecidos como Hook: A Volta do Capitão Gancho (1991), Mudança de Hábito (1992), Máquina Mortífera 3 (1992), O Último Grande Herói (1993), Rio Selvagem (1994), Meu Primeiro Amor – Parte 2 (1994), Epidemia (1995), O Espelho tem Duas Faces (1996) e Afinado no Amor (1998), além de ser convidada por seu velho amigo George Lucas para cuidar das revisões na série O Jovem Indiana Jones (1992) e de todos os filmes da trilogia nova (1999, 2002 e 2005).

Uma curiosidade é que Fisher vendeu os direitos de seu livro Surrender the Pink em 1990 para a Warner por US$ 1 milhão. Steven Spielberg estava produzindo, com Demi Moore vinculada para estrelar. Carrie Fisher escreveu o roteiro, mas o projeto empacou no desenvolvimento.

A talentosa Carrie Fisher, eterna Princesa Leia, é mais uma estrela que nos deixa no ano problemático de 2016. Deixará saudades.


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