‘O Céu é de Verdade’ e o Merchandising de um grande produto do estúdio também

‘O Céu é de Verdade’ e o Merchandising de um grande produto do estúdio também

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O cinema, além da arte, pode ser usado para variados fins. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, existiam várias produções criadas como propaganda para motivar seus respectivos países durante o conflito. Na década de 1980 notou-se que os filmes poderiam ir além das salas de cinema, se transformando em todo tipo de mercadoria para ser vendida ao público que lotavam as exibições, em especial o cativo público jovem. Essa se tornou uma via de mão dupla: o público assistia ao filme e precisava ter todo o seu merchandising e vice-versa.

Eu cresci nessa época. Quando Batman (1989), de Tim Burton, dominou o mundo com uma das campanhas de marketing mais agressivas de que se tem notícia, numa era pré-internet e informatização. Isso tudo para dizer que o cinema também pode ser um veículo para a fé e a religião, não importando qual seja ela. Nos Estados Unidos, uma forte tendência, que tem feito sucesso, são os filmes cristãos. Somente este ano, filmes como O Filho de Deus (segundo lugar em seu fim de semana de estreia), Deus Não Está Morto (quarto lugar em seu fim de semana de estreia) e Mom´s Night Out emplacaram junto ao público.

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Agora chega este O Céu é de Verdade, lançado em meados de abril nos EUA e bancado por um grande estúdio (Sony). O filme apresenta uma história supostamente real, baseada no livro do próprio Pastor Todd Burpo. Interpretado por Greg Kinnear na versão para o cinema, o evangélico líder da Igreja Wesleyan na cidadezinha de Imperial, Nebraska, se desdobra como pode em variados empregos para sustentar a família na época da crise financeira. Até que um dia, sua fé é posta à prova quando seu filho de quatro anos é internado e precisa ser operado às pressas.

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A operação ocorre bem, mas quando o pequeno Colton (Connor Corrum) é devolvido para a família, ele começa a enunciar os estranhos eventos que presenciou durante seu estado de transe. A princípio, suas divagações não são levadas a sério, somente para depois seus pais perceberem que o menino diz coisas que seriam impossíveis de ter conhecimento. Aos poucos, o protagonista e sua esposa, interpretada pela bela inglesa Kelly Reilly (em cartaz nos cinemas brasileiros com O Enigma Chinês), precisam renovar sua fé e lidar com o fato de que talvez seu filho mais novo tenha ido ao Paraíso e retornado para contar.

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O Céu é de Verdade se comporta como um telefilme, e não da forma como os filmes para a TV têm se apresentado atualmente. A obra promete se tornar sucesso em exibições diurnas na TV aberta. Não existe nada de louvável aqui, num aspecto técnico ou narrativo. Esse é um filme didático. Por outro lado, não existe nada muito ofensivo também, e não me refiro em termos de religiosidade. A paisagem da cidadezinha é bela e Imperial é mostrada como bucólica, o tipo de local que gostaríamos de passar o fim da vida.

Um dos aspectos mais curiosos dessa história diz respeito ao psicológico humano, que atinge principalmente a religião. Mostra que estamos dispostos a ter uma fé cega em algo que não compreendemos de verdade. E que a partir do momento em que isto se torna concreto e possivelmente não mais apenas uma ideologia, estamos dispostos a facilmente descartá-la como inconcebível. Fora isso, O Céu é de Verdade trata de cobrir não apenas sua faceta religiosa para a Sony, e em um dos chamados product placement (inserção de propaganda ou marketing indireto) mais descarados recentemente, garante que o público deste filme não deixe de conferir sua franquia mais rentável, o novo Homem-Aranha.


As Duas Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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