O que se pode concluir das falas dos Chefões da Netflix?

O que se pode concluir das falas dos Chefões da Netflix?

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Os recentes cancelamentos de Sense8 e The Get Down provocaram um debate nas redes sociais sobre os “reais motivos” para a Netflix ter tomado esta decisão. Este burburinho ficou ainda maior com a declaração de Reed Hastings, CEO da empresa: “Estamos com uma taxa altíssima de sucesso. Pensamos então em cancelar algumas séries, assumir alguns riscos, tentar coisas loucas. Sendo assim, nossa taxa de cancelamentos de séries vai subir”.

Não demorou para que as especulações sobre os reais motivos dos cancelamentos – especialmente de Sense8 – tomassem conta. É possível encontrar nas redes, quando o tema é Sense8, quem diga que a Netflix cancelou a série porque diversidade não dá grana e aqueles que já acusam a pobre coitada de homofobia, transfobia e qualquer outro prefixo cabível na palavra fobia. Muitos, sensatamente, levantavam a questão do retorno financeiro.

A Netflix não divulga os dados de audiência. Porém, um caminho para identificar a repercussão das suas séries é verificar a frequência dos termos na internet via Google Trends. Alguns sites fizeram esses levantamentos. O que ficava evidente era que Sense8 tinha pouca repercussão. Embora repercussão e audiência não andem necessariamente de mãos dadas, esses dados do Google Trends são indicadores importantes.

Eis que Ted Sarandos, o chefe de conteúdo da Netflix, em uma conversa com Jerry Seinfeld, declarou o óbvio: “Relativo ao que você gasta, as pessoas estão assistindo? Isso é bastante tradicional. Quando digo isso quero dizer que um programa muito caro para um grande público é ótimo. Um programa grandioso e caro para um público minúsculo é difícil de fazer funcionar por muito tempo, mesmo no nosso modelo de negócio.”

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Em resumo: grana! A equação é tão antiga quanto o capitalismo: o retorno tem que ser maior do que o investimento. Se o investimento é maior do que o retorno financeiro, o resultado é série cancelada (sério! Isso é tão antigo quanto os folhetins publicados em jornais no século XIX).

As perguntas que ficam é se a Netflix será mais conservadora em seus projetos e qual a lógica por trás da frase de Reed Hastings e?

Na opinião deste humilde crítico, a Netflix irá continuar a investir em série diferentes, que testem os limites da dramaturgia, afinal, isso é a marca das séries americanas atuais. O que certamente será feito é uma calibragem no orçamento. É pouco provável que uma aventura como Sense8 – série que alcançou apenas um nicho e gastou milhões – volte a acontecer. Séries mais revolucionárias ou que se limitem a um público restrito certamente terão espaço, mas com orçamentos modestos.

Já a frase Reed Hastings… bem, é muito estranho ler as palavras sucesso e cancelamento na mesma frase. Arrisco a dizer que a lógica de cancelar séries, é menos por corte de gastos, e mais por buscar novidades. A Netflix vive de suas assinaturas (ainda não achou uma forma sólida de ganhar com anunciantes). E a maneira para atrair novos assinantes é sempre ter novidades no cardápio. Não acredito que eles venham a cancelar uma House of Cards ou uma Orange Is The New Black sem um desfecho como fizeram com Sense8. Aposto, isso sim, que eles busquem fazer séries com menos temporadas, aumentando a rotatividade para sempre terem novidades. E, certamente, isto passará por arriscar novas fórmulas. De resto, fico ainda me perguntando o porquê da Netflix não decidido pelo planejamento de Sense8 mais cedo, permitindo que as irmãs Wachowski dessem um final para a série.


Crítica | Extraordinário é extraordinário... e vai te fazer chorar litros!


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