Os 10 Melhores | Festival do Rio 2016

Os 10 Melhores | Festival do Rio 2016

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Vida de Festival de Cinema é muito gostosa. É a chance de alimentar freneticamente o apetite cinéfilo, de encontrar amigos e, entre sugestões do que perseguir ou evitar, ver surgir aquela conversa sobre certas produções que chamaram atenção de forma positiva ou decepcionaram. Para quem trabalha cobrindo o evento, o sinônimo é de correria, precisando sacrificar muitas vezes algo que assistiríamos por prazer, em troca de botar os textos em dia. Quando se aproximam, os festivais despertam euforia, quando terminam trazem a melancolia, associada a uma sensação de satisfação e calmaria. O Festival do Rio, o mais prestigiado do Brasil, chega ao fim oficialmente hoje (contando com os últimos três dias de repescagem). Esse que vos fala teve a chance de conferir diversas produções (talvez um pouco menos que em anos passados) e montar uma lista com as dez preferidas. Confira abaixo:

10. Raw (Grave, França / Bélgica), de Julia Ducournau

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Mais conhecido como o filme de canibalismo que fez o público no Festival de Toronto passar mal e desmaiar este ano, Raw é na verdade um conto sobre a transição de uma jovem, a protagonista Garance Marillier (ótima em cena), para a fase adulta. Os anseios sexuais e a explosão hormonal feminina são mesclados ao prazer carnal e a sede de sangue. Mesmo bastante gráfico, o filme surpreende pelo conteúdo, e certa sutileza emocional, que pairam acima da gratuidade.




9. Loving (Reino Unido / EUA), de Jeff Nichols

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Um dos filmes mais citados para o próximo Oscar, Loving tem uma história importante a ser contada por trás de sua confecção. Trata-se da via crucis do casal Mildred e Richard Loving, que no final da década de 1950 foram presos e expulsos de sua cidade na Virginia por terem se casado, sendo um casal interracial  – ela, negra, e ele, branco. Apesar do ritmo narrativo deliberadamente lento, imposto pelo cineasta Nichols, Loving ganha muita força nas atuações dos protagonistas Ruth Negga e Joel Edgerton. Ambos merecem sérias considerações para indicações a prêmios.

8. De Palma (EUA), de Noah Baumbach e Jake Paltrow

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É praticamente impossível gostar de cinema e não apreciar a arte de Brian De Palma, um dos cineastas mais importantes, influentes e revolucionários que já surgiu no mundo da sétima arte. Este documentário regido pelos igualmente talentosos Baumbach (diretor de Frances Ha) e Paltrow (diretor da ficção científica Os Mais Jovens) descortina o mestre, atualmente recluso, numa divertida imersão que mistura histórias de bastidores, ponderações sobre a carreira e a produção de seus filmes. Imperdível e essencial, daqueles para ter na coleção de DVD.




7. Personal Shopper (França), de Olivier Assayas

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A primeira escolha polêmica da lista, Personal Shopper é a nova parceria entre o cineasta francês Olivier Assayas e a estrela americana Kristen Stewart. Ainda existe certo grau de rejeição da parte dos cinéfilos em relação à atriz, devido aos execráveis filmes da franquia Crepúsculo. Isso mesmo depois de Stewart ter sido eleita a melhor atriz (e única americana sequer indicada) por Acima das Nuvens (2014) e levado o prêmio César, o Oscar da França. Personal Shopper é em parte uma história de fantasmas, em parte um thriller bem tenso, vestido de drama de arte. Assayas e Stewart acertam de novo na nota, em uma obra bem diferente de seu primeiro trabalho juntos.

6. Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!, EUA), de Richard Linklater

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O diretor Richard Linklater parou o mundo do cinema em 2014 com Boyhood – Da Infância à Juventude, uma obra cinematográfica sem precedentes. Mostrando ser um cineasta multifacetado e bem eclético em sua filmografia, ele envereda por um caminho mais intimista, realizando uma continuação não declarada de um de seus primeiros filmes, Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused, 1993) – o título brasileiro ajudou na conexão. Apesar dos filmes não terem ligação direta, esta é outra incursão por um universo de jovens, dialogando com eles de forma honesta como só Linklater sabe fazer. Uma verdadeira viagem nostálgica.

5. O Cidadão Ilustre (El Ciudadano Ilustre, Argentina / Espanha), de Gastón Duprat e Mariano Cohn

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O representante da Argentina por uma vaga entre os cinco indicados a filme estrangeiro no Oscar é uma comédia de situações engraçadíssima. O ótimo Oscar Martínez (Relatos Selvagens) interpreta o autor Daniel Mantovani, que acaba de receber o prêmio Nobel de Literatura. Rico, famoso e prestigiado, seu ápice profissional também lhe trouxe certo vazio na vida pessoal. Como forma de remediar o fato, ele aceita uma breve passagem por sua cidade natal, a pequena Salas, próxima a Buenos Aires, a fim de receber a honraria de cidadão ilustre. Desta jornada ao passado sairão alguns dos momentos mais desconcertantes de sua vida. O filme acerta o alvo em sua comicidade, além de acrescentar certo teor agridoce, que torna o sabor ainda mais especial.

4. Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings, EUA), de Travis Knight

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A nova animação do estúdio Laika, especialista na técnica do stop motion, chega bem próximo da perfeição. Das quatro produções no currículo do estúdio, Kubo é a mais completa, misturando bem elementos como aventura, certo terror e dramaticidade mirada igualmente ao público adulto. Passada no Japão antigo, a história nos apresenta o pequeno Kubo numa jornada para descobrir suas raízes, ao mesmo tempo em que combate familiares maldosos e sobrenaturais. Além disso, Kubo transita por diversos elementos do folclore da cultura nipônica. Na versão original temos as vozes de gente como Charlize Theron, Matthew McConaughey e Rooney Mara. Ah sim, o filme faz uso certeiro de While My Guitar Gently Weeps, dos Beatles, inserido em sua trama.

3. Capitão Fantástico (Captain Fantastic, EUA), de Matt Ross

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Mais conhecido como ator, Matt Ross marca um golaço com segunda incursão como diretor, assinando também o roteiro de Capitão Fantástico. Em uma trama poética, Viggo Mortensen interpreta um pai criando seus muitos filhos na natureza selvagem, longe da civilização. Eles caçam e colhem para se alimentar, ao mesmo tempo em que são ensinados a se defender, com aulas de combate corpo a corpo, e estudam os temas mais complexos através de um grande acervo de livros. É justamente quando precisam voltar à sociedade que sua redoma começa a rachar. Emotivo na medida certa, sem ser piegas, Capitão Fantástico é uma aula de espírito humano, se é que isto pode ser ensinado. Viggo Mortensen tem uma atuação digna de prêmios (com o momento exato do money shot inclusive), assim como o roteiro e direção de Ross.

2. Manchester à Beira Mar (Manchester by the Sea, EUA), de Kenneth Lonergan

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Outra produção autoral norte-americana figura na lista. Confesso ter sido difícil escolher entre as três primeiras posições, mas esta obra do cineasta Lonergan, que também assina o roteiro, ganha pontos por atingir um grande nível dramático sem descambar totalmente para o melodrama. O que faz dessa tênue linha um local perigoso de se caminhar, mas na qual o diretor segue bem sem titubear muito. A cidadezinha título, localizada em Massachussetts, é um personagem por si só, nos transportando imediatamente para o local, para, durante um pouco mais de duas horas, visitarmos o acolhedor vilarejo ao lado destes personagens sofridos. Poucos filmes nos dão tamanha sensação de localidade. Casey Affleck domina como um dos personagens mais trágicos do cinema recente e segundo muitos, já começa a fazer lugar na estante para seu Oscar.

1. A Chegada (Arrival, EUA), de Denis Villeneuve

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A Chegada é o filme mais completo que assisti neste Festival do Rio. A nova produção comandada pelo canadense Denis Villeneuve – que emplacou Sicario no evento de 2015 – é a que mais abrange todos os quesitos dentro de uma obra cinematográfica de forma satisfatória. É cinema espetáculo na melhor definição da palavra. O conjunto da parte técnica (trilha, fotografia, direção de arte, edição) funciona de forma a causar impacto e harmoniosamente, dando o tom da magnitude de uma invasão alienígena imponente e realística, como há muito não víamos no cinema. Fora isso, o filme é intimamente minimalista ao apresentar tudo através da visão da linguista de Amy Adams, que passa por seus próprios dramas pessoais. É Malick e Kubrick misturados.

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