Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta dos Macacos: O Confronto

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Inteligente e eletrizante.

Quando o francês Pierre Boulle lançou em 1963 o romance La planète des singes, não imaginou ter criado uma das obras distópicas mais ambiciosas e profundas no que se refere à crítica social. Tal conto ganhou ainda mais força e chegou ao conhecimento popular depois que Franklin J. Schaffner o adaptou para as telas de cinema. O Planeta dos Macacos (1963), estrelado pelo sempre marcante Charlton Heston, foi de pronto aclamado por crítica e público. Em pouco tempo já era considerado um clássico absoluto do gênero, além de ser visto como base referencial. Rendeu ainda algumas continuações que, apesar de seguirem bem com a trama, não tiveram a mesma força do original. O mesmo ocorreu, anos depois, quando Tim Burton fez sua versão e foi duramente questionado por uma história rasa e visual equivocado.

Mas eis que surge o inglês Rupert Wyatt (O Escapista) com o ótimo Planeta dos Macacos – A Origem (2011), e pega a todos de surpresa por conceber, ao lado da dupla de roteiristas, Rick Jaffa e Amanda Silver, uma história humana, crível e extremamente atual. Dando folego à franquia primata que agora ganha um novo capítulo chamado de Planeta dos Macacos – O Confronto, e conta com o mesmo par que escreveu o título anterior. Sendo ainda dirigido pelo cineasta Matt Reeves (Cloverfield – Monstro), que não faz feio, mantem o bom nível e até surpreende por entregar um trabalho de maiores proporções artísticas e temáticas.

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Passado dez anos depois da batalha na Golden Gate Bridge, em São Francisco, quando a população está praticamente devastada por um vírus e as plantas já tomaram todo mundo, a fita inicia com uma fabulosa sequência que traz o grupo de macacos comandados por Cesar (Serkis) numa cruel caçada a cervos da floresta. Nessa investida, um terrível incidente leva Koba (Kebbell), braço direito de Cesar, a pôr sua pele em risco para salvar a vida do líder. Denotando não só a lealdade da criatura, como o que é capaz de fazer pela raça.

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Essa obsessão de Koba o induz a bater de frente com os ideais evoluídos estabelecidos pelo próprio Cesar. A rivalidade aumenta quando este autoriza Malcoml (Clarke) e alguns outros humanos a entrarem na aldeia para examinar uma hidrelétrica que, segundo estudos, iria gerar energia para toda a cidade, fazendo com que as pessoas possam se comunicar com outras áreas. Koba não suporta o conceito de se envolver, novamente, com aqueles que lhe fizeram, por anos, experiências desprezíveis, e resolve seguir caminhos diferentes, nem que pra isso tenha que trair a figura que lhe deu a liberdade.

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Apesar dos extraordinários efeitos visuais empreendidos nos cenários e, principalmente, pela captura de movimentos dos atores, o que mais chama atenção aqui é a atuação de Andy Serkis que, com olhares profundos e movimentos sutis, confere um ar altivo e misterioso ao seu Cesar. Onde se pode notar orgulho e alegria pelos feitos atingidos, ou mesmo preocupação e receio em relação aos casos recentes. O Koba de Toby Kebbell mostra-se um tanto caricato, até pelo seu visual grotesco – perceba que cada macaco tem fortes características visuais para que o espectador possa definir cada um deles -, mas ainda assim constrói um vilão à altura. Jason ClarkeGary Oldman e Keri Russell não comprometem e surgem como bons coadjuvantes de luxo (com exceção de Clarke, um regular co-protagonista), encenando com naturalidade mesmo dentro do excessivo uso digital.

A trilha sonora assinada por Michael Giacchino é pesada, poderosa e flerta bastante com algumas gradações dos longas mais antigos da série. Auxilia também nas várias cenas de batalha e consegue tonar os eventos ainda mais apoteóticos. Isso por Matt Reeves engendrar inúmeros entraves eficientíssimos durante todo filme (se atentando em situar a geografia do cenário), principalmente no terceiro ato onde a fita possui uma pequena barriga por muito explorar esse ponto. O que mal pode ser notado já que a competente montagem de William Hoy e Stan Salfas mantem um ritmo eletrizante. E, como havia dito, em aspectos visuais este O Confronto é um deleite. A frigida fotografia de Michael Seresin, com tons escuros e azulados, confere um clima denso à atmosfera fílmica e faz com que os efeitos especiais tornem-se ainda mais palpáveis. A direção de arte, sempre alerta a pequenos detalhes, impressiona.

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O roteiro também se revela interessante por possuir várias camadas e mesclar entretenimento e reflexão social, muitas vezes invertendo os papéis dos humanos com os animais. Indicando que quanto mais construímos civilizações ditas sociavelmente evoluídas, novas intrigas e divisões ideológicas podem surgir entre os seres. Múltiplas causas são implantadas ao longo tempo, mas nunca sabemos ao certo quem iniciou essa guerra futura. Ora pelas falas de Cesar, ora pelas ações humanas. No final, o que temos é um filme que caminha por várias linhas e consegue ser eficiente em todas elas, podendo agradar aos mais variados gostos.


As Duas Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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