‘Ricki and the Flash: De Volta pra Casa’ é uma boa Sessão da Tarde

‘Ricki and the Flash: De Volta pra Casa’ é uma boa Sessão da Tarde

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Desde que as primeiras imagens da veterana Meryl Streep vestida de roqueira começaram a pipocar online, o interesse foi imediato. Ver uma talentosa atriz, do nível de Streep, personificar mais um personagem inusitado, em sua longa lista na carreira, é sempre um atrativo.  Além de Streep, outros nomes por trás da produção também serviram como chamarizes. Jonathan Demme, cineasta de prestígio (de obras como O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia), estava a bordo para comandar o roteiro criado por Diablo Cody, escritora sensação, igualmente vencedora do Oscar (Juno).

Mas foi só dar uma olhada no primeiro trailer para entender como seria a tonalidade da obra. O resultado do filme é exatamente o que esperamos tendo assistido ao trailer, ou seja, um drama morno, com questionamentos medianos, recomendado para toda a família. Não que isso seja uma coisa ruim, e filmes assim precisam existir, afinal todos os gostos devem ser agradados. Ricki and the Flash é leve e agradável o suficiente para lhe garantir também o adjetivo de piegas.

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Na trama, Streep vive Linda, uma mulher que deixa a família para trás (marido e três filhos) para perseguir um sonho, o de se tornar uma estrela do rock. Mudando o nome para Ricki Rendazzo e formando a banda The Flash, a cantora se muda para Los Angeles e obtém certo sucesso inicial, gravando inclusive um álbum. Décadas depois, o sucesso há longo passou, e a pretensa roqueira encontra-se em fase de declínio. Seus únicos shows são em bares semivazios, e para garantir o sustento, Ricki trabalha como caixa de mercado durante o dia.

Uma crise matrimonial envolvendo sua filha mais nova, Julie (Mamie Gummer), a faz voltar ao antigo lar e encarar o passado. Nesse período ela precisará botar o relacionamento com o ex-marido (papel do vencedor do Oscar Kevin Kline) em pratos limpos, além de tentar se redimir com os filhos, em especial sua problemática caçula, no auge de uma crise nervosa. É curioso ver Streep contracenando no papel de mãe de sua própria filha na vida real, Mamie Gummer. O fato cria um subtexto interessante, ao imaginarmos como foi a infância da jovem atriz, com a mãe estrela de cinema – muitas veze ausente imagino. Um paradoxo entre realidade e ficção é criado aí.

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O filme funciona de forma esperada, sem qualquer surpresa. Nada que já não tenhamos visto muitas vezes em produções inofensivas do tipo. O básico é criado pela roteirista Cody, que aparece numa cena dançando ao som da banda de Streep. Este também parece ser um trabalho por encomenda, e a roteirista cria algo acessível a todos os públicos. A não ser por dois momentos de brilho, que inusitadamente não envolvem a relação principal de Ricki e sua família. As melhores cenas do filme trazem à tona dois personagens secundários.




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Depois que a protagonista abandona a família, seu ex-marido (Kline), começa um relacionamento com outra mulher, papel da talentosa atriz do teatro e TV, Audra McDonald. Foi ela quem segurou a barra e criou os filhos de Ricki, passando por todas as etapas que a protagonista deveria ter enfrentado. A personagem é ótima e McDonald brilha em um momento especial, no qual as “duas mães” se enfrentam trocando farpas. O diálogo soa verdadeiro como poucos no filme. E essa é a essência de uma grande escritora, criando para coadjuvantes força de caráter tão grande e não os deixando nunca em segundo plano. Maureen (McDonald) poderia ser apenas a nova esposa amável, mas Cody faz questão de transformá-la num ser humano de verdade.

O outro momento de brilho vem da interação de Ricki com seu novo companheiro Greg (também parte de sua banda), interpretado pelo roqueiro da vida real, Rick Springfield – que tem um bom desempenho. Como nota final, Streep prova que se sai bem em qualquer tipo de papel. E Ricki and the Flash é ela (embora satisfatoriamente como surpresa não seja apenas ela). A atriz Oscarizada inclusive dedicou seu tempo para aprender a tocar guitarra e o que vemos em cena é sempre ela de verdade. Acomodada? O que é isso?

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