Séries Marvel / Netflix | Do Pior ao Melhor

Séries Marvel / Netflix | Do Pior ao Melhor

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Pensa só, há exatos dez anos a Marvel Studios não existia. A empresa via seus personagens saindo dos quadrinhos para a telona, no início da chamada era de ouro do subgênero, mas todos nas mãos de outros estúdios, como a Fox (X-Men, 2000), a Sony (Homem-Aranha, 2002) e a Universal (Hulk, 2003). Há nove anos, a empresa resolveu tomar as rédeas de suas propriedades e ficar à frente de suas produções cinematográficas. Tudo começou, é claro, com Homem de Ferro (2008).

Ao longo desses nove anos muita coisa aconteceu, como a compra da empresa pela Disney. Já são 17 produções cinematográficas, sem um verdadeiro fracasso retumbante. E a próxima já chega em fevereiro. Houve também a expansão para as telinhas, com Agentes da SHIELD, e depois para o verdadeiro ponto alto na TV, a parceria com o colosso Netflix. Da junção já saíram 6 programas e o sétimo chega agora, nesta sexta-feira, dia 17. Caramba! A empresa deveria ser caso de estudo de como se construir um império em pouco tempo.

Pensando neste último item, as séries de TV da parceria Marvel / Netflix, e também na estreia de O JusticeiroThe Punisher, a qual já tivemos o privilégio e o prazer de assistir de antemão, resolvemos formular outra de nossas famosas listinhas para você. Estas são todas as séries Marvel / Netflix, Da Pior à Melhor.

7. Punho de Ferro (2017)

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Este foi o quinto programa a chegar e o quarto solo de um personagem da casa (já que Demolidor havia ganhado duas temporadas). O fato é que a Marvel não estava segura sobre a série, pensando inclusive em desistir do lançamento. A coisa ficou ainda mais evidente com a estreia do Justiceiro, coadjuvante na segunda temporada de Demolidor e ladrão de holofotes. A empresa pensou em descartar Punho de Ferro e colocar em seu lugar o violento anti-herói – ocupando possivelmente inclusive sua vaga em Os Defensores.

E qual é o grande problema aqui? O principal é que a proposta era por algo mais pé no chão, mais realista, afinal estes são os heróis urbanos da casa, que cuidam de problemas menores do dia a dia – deixando a fantasia, pirotecnia e espetáculo para o cinema. Como encaixar mundos mágicos e místicos, lendas milenares e um sujeito cujo punho brilha e possui enorme poder, dentro desta proposta mais séria. Pois é, seria muito difícil, e a Marvel não teve grande êxito na empreitada. Junte a isso a falta de carisma do protagonista, vivido pelo ator Finn Jones e o roteiro capenga que não soube muito bem o que fazer com o personagem. É inegável, o público e os críticos concordaram que Punho de Ferro é o esforço menos satisfatório da empresa.

6. Os Defensores (2017)

Era para ser grande. A série dos Defensores se equivaleria na TV ao que tivemos no cinema com Os Vingadores (2012), ou seja, a união de todos os personagens protagonistas de tal universo, apresentados anteriormente em veículos solo. Ao contrário de sua “contraparte” nas telonas, Os Defensores não causou o impacto devido, deixando os fãs e a imprensa divididos sobre a qualidade de seu resultado.

De fato, o melhor do programa, que estranhamente trouxe um número reduzido de episódios (oito ao invés dos costumeiros treze), foi a interação entre os personagens que aprendemos a adorar ao longo de dois anos anteriores – você não Punho de Ferro – e o relacionamento por eles desenvolvido, o que inclui a esperada colisão de personalidades. Outro calcanhar de Aquiles aqui são os antagonistas, os vilões personificados pelo grupo de ninjas sem muita identidade e Sigourney Weaver, que fez o que pôde, mas infelizmente não marcou como desafios anteriores.

5. Luke Cage (2016)

Luke Cage pode ser dito que foi a primeira cambaleada neste universo. Quando a série estreou, a parceria das empresas só havia emplacado sucessos, com quatro temporadas anteriores. Luke Cage não é de todo ruim, obtendo um resultado satisfatório. O problema é inverso ao de Os Defensores, com episódios demais e a sensação de deficiência em seu preenchimento.

No lado positivo, a série de representatividade trouxe para o conjunto um clima todo seu, bem específico, recheado de swing e soul funk. O sentimento do blaxploitation, produções miradas ao público negro, está todo aqui. O Harlem, bairro que serve de cenário para o programa, pulsa com vida como se fosse um personagem. Luke Cage é a série mais chamativa visualmente do pacote, com uma direção de arte impecável (o ambiente do clube noturno, a barbearia, etc.), uma paleta de cores lindíssima na fotografia, e brincadeiras com os figurinos (a que remete ao uniforme clássico do herói é ótima). Junte a isso alguns personagens bem trabalhados e defendidos por seus intérpretes, como Boca de Algodão (Mahershala Ali) – um dos melhores vilões deste universo – e a policial Misty Knight (Simone Missick).

4. O Justiceiro (2017)

O novato na lista já chega assumindo um posto alto. O Justiceiro sequer estreou – mas já pudemos conferir de antemão – e conquista o quarto lugar da lista. A série controversa sobre o violento personagem, interpretado pelo intenso Jon Bernthal, um ex-militar que usa de suas habilidades de luta e armas para dar cabo de todo tipo de contraventor, se tornando juiz, júri e carrasco. A série, que estreia em tempos sensíveis e doloridos, chega para incomodar, mas também para fazer refletir.

Algumas coisas surpreendem na escolha do roteiro: como o novo passado militar de Frank Castle, e a opção por uma narrativa intrincada de thriller político de espionagem, elevando o jogo e trazendo o personagem para uma trama complexa no alto escalão do Governo, e não apenas despachando criminosos pé-rapado das mais variadas formas em Nova York. Além disso, aborta assuntos polêmicos, como a forma com que soldados são tratados pela sociedade ao voltarem para casa e o distúrbio que suas mentes sem ajuda podem sofrer. Entretém e choca, mas com muito conteúdo.

3. Demolidor – 2ª Temporada (2016)

Pode-se dizer que o Justiceiro foi mais “O Justiceiro”, como conhecemos nos quadrinhos, em sua primeira aparição nas telinhas, aqui na série do Demolidor. A Marvel chegou chutando a porta na primeira série que produziu com a Netflix, e nesta continuação não deixou a peteca cair. O único desfalque foi a troca de antagonista, afinal seria muito difícil se equiparar ao Rei do Crime de Vincent D´Onofrio. Seria como querer criar um vilão à altura de Heath Ledger como Coringa. E definitivamente os ninjas do Tentáculo – que voltariam em Punho de Ferro e Defensores (duas das mais fracas) – não estão a par.

Por outro lado, além de avançar com os arcos dramáticos confeccionados na temporada anterior, trouxe dois novos personagens muito chamativos e queridos pelos fãs, que serviam perfeitamente como contraponto ao protagonista. Primeiro, o citado Justiceiro de Jon Bernthal, o próximo passo ou lado sombrio do herói. E segundo, sua paixão, a igualmente perigosa Elektra, uma complexa personagem feminina no panteão da Marvel.

2. Jessica Jones (2015)

Chegamos ao segundo lugar do pódio com Jessica Jones. Não tem jeito, as melhores séries da Marvel foram as primeiras. As estreias demonstraram enorme vontade da empresa em emplacar, rendendo trabalhos minuciosos. Ao olharmos novamente para produções como Jessica Jones, podemos inclusive perceber certo comodismo das novas séries, em achar que qualquer coisa que produzam automaticamente virará ouro. NÃO. É necessário colocar pensamento, criatividade e inteligência em seus roteiros.

Jessica Jones é a série de empoderamento feminino da casa. A personagem principal, vivida por Krysten Ritter (que satisfatoriamente não é uma beldade, mas sim uma mulher comum, como qualquer outra), é incorreta até a medula, beberrona, desbocada, pouco agradável e adepta do sexo sem compromisso. Essas falhas em seu caráter são estimulantes, funcionando como liberdade e grande atrativo para o público, já que é isso que Marvel fez desde seus primórdios, servindo como alicerce de seu império: personagens humanos e cheios de defeitos. Talvez seja justamente isso o que falta em séries como Luke Cage e Punho de Ferro. Além disso, Jessica Jones trouxe um dos melhores vilões da casa, o abusivo e manipulador Kilgrave (David Tennant), o vilão covarde que amamos odiar. A relação perturbadora que o sujeito mantém com suas vítimas, inclusive com a protagonista, uma sobrevivente, é tão bem trabalhada que se tornou um dos itens mais debatidos sobre a série. E que venha a segunda temporada.

1. Demolidor (2015)

Como dito, a Marvel chegou com tudo. Logo em sua estreia, criou uma série tão f**a, que ainda não saiu do topo como a melhor já feita pela empresa. Demolidor é uma série de heróis como nenhuma outra, dá tanta atenção aos detalhes em seu roteiro, que funcionaria tão bem quanto caso tirássemos os personagens mascarados e colocássemos personagens normais. A série se tornaria então um drama criminal de máfia, tal elogio aliás sempre foi muito proferido a outra obra-prima, o filme O Cavaleiro das Trevas (2008). Ou seja, é um baita elogio. E não é despropositado, Demolidor é boa neste nível.

De forma calculada, o programa esquece qualquer traço do subgênero de super-heróis e cria um drama real, recheado de bons personagens, vivendo situações pra lá de sombrias e muito geladas. A intensidade criada aqui muitas vezes não é vista nem no cinema. Não é exagero afirmar que Demolidor serviu para mudar a estrutura que tínhamos de tais programas. Além disso, a série deixa que a ação sirva a história e não o contrário. A prova de que a história e situações eram o foco, é que sequer um uniforme o herói usa durante todo este primeiro ano. Outro ponto alto é a personificação de Vincent D´Onofrio na pele de Wilson Fisk, o melhor antagonista de tal universo, e um personagem tão trágico, que conseguimos compreender seus motivos, e inclusive simpatizar um pouco com ele. Sinal de um belo desenvolvimento de personagem e uma grande atuação de seu intérprete.


Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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