‘The Walking Dead’: Os Zumbis no Cinema e na TV

‘The Walking Dead’: Os Zumbis no Cinema e na TV

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Impregnados na cultura pop, os zumbis não poderiam estar em maior evidência na atualidade devido ao sucesso da série ‘The Walking Dead‘, cuja sétima temporada estreia amanhã, dia 23.

De antagonistas monstruosos e inexplicáveis, as criaturas passaram a anti-heróis e protagonistas dos próprios filmes. No entanto sempre utilizados como metáforas implícitas, os zumbis já tiveram diversos significados ao longo dos anos.

Vamos dar uma olhada nos principais deles:




 

Crítica Social – A Noite dos Mortos Vivos (1968)         

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A obra do cineasta George Romero data de 1968, e é a precursora da onda que vemos hoje. Filmado todo em preto e branco, o filme mostrava os mortos voltando à vida de forma inexplicável. O fato deixava um grupo aleatório de pessoas aprisionadas numa casa como último refúgio. Lá dentro, os sobreviventes encontravam na figura de Ben (Duane Jones), um negro, seu líder. O fato parece não ter relevância atualmente, mas tenha em mente que esse era o auge da época da segregação racial americana, e a trama se passa inclusive numa cidade sulista, berço do fervor racista. Poucos filmes (ou quase nenhum) apresentavam um protagonista de tal raça naqueles tempos. O desfecho da obra, também escrita por Romero, é um tapa na cara da sociedade da época.

 

 




Fanatismo Religioso e Protesto antiarmamentista – A Última Esperança da Terra (1971)

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Embora o conto original tenha sido escrito por Richard Matheson (um dos ícones da literatura fantástica americana, falecido no último domingo) em 1954, e um filme dele tenha sido feito em 1964, estrelado por Vincent Price (Mortos que Matam /  The Last Man on Earth), foi essa a versão que se tornou extremamente popular e conhecida. Protagonizado pelo astro Charlton Heston (saído do sucesso Planeta dos Macacos), o filme traz a humanidade devastada por um vírus e aparentemente um único sobrevivente. Os zumbis aqui, no entanto, são completamente diferentes. Seres albinos, eles são capazes de se comunicar, e são bastante inteligentes. Seus únicos temores são o sol e o fogo. Seu ideal é construir uma nova sociedade, longe dos maquinários e armamentos que destruíram a raça humana, segundo seu pensamento. A gangue do Mathias, como é conhecida essa espécie de seita, deseja a paz entre todos os seres, e se pensarmos bem, o verdadeiro antagonista dessa nova realidade é o homem das cavernas brutal e sanguinário, interpretado por Heston. Curiosamente, anos depois Heston se tornaria o porta voz da América armada.

 

Consumismo – O Despertar dos Mortos (1978)                                      

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Nova década, nova crítica. Usando mais uma vez os mortos-vivos como pano de fundo para a sua grande alfinetada na sociedade americana contemporânea, George Romero procurou ao redor um assunto para explorar. E o que chamou sua atenção foi o consumismo exacerbado promovido pelos shopping centers e os cartões de crédito – no auge de sua popularidade inicial. Dessa vez pessoas ficavam presas num grande shopping, e ao final, quando as criaturas finalmente conseguem adentrar o local, Romero traça um paralelo entre as criaturas vagarosas e anestesiadas num estado de transe, e os consumidores que recaem no mesmo estado, sempre em busca de mais do que necessitam.

 

Orgulho trash e Capitalização – Série A Volta dos Mortos Vivos, Re-Animator e outros (década de 1980)

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Entrando em uma nova década, os anos 1980 ficaram conhecidos por ser o berço do cinema entretenimento. O tipo de filme que visava e tinha cacife para lucros astronômicos. O que é condenável, no entanto, é que muitas dessas produções hollywoodianas da época visavam apenas o lucro e o entretenimento, sem um valor qualitativo específico. Aqui, por exemplo, diversas produções de terror foram criadas capitalizando em cima do que Romero e outros criaram no passado, sem acrescentar grandes pensamentos sobre um determinado assunto, ou qualquer um por assim dizer. O único objetivo de tais produções parecia ser assustar e arrastar fiéis seguidores aos montes. Então, se reclamamos hoje de séries intermináveis e sem conteúdo como Jogos Mortais e Atividade Paranormal, temos que agradecer a essa época.

 

Refilmagem – A Noite dos Mortos Vivos (1990), Madrugada dos Mortos (2004) e Eu Sou a Lenda (2007)

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A aparente falta de ideias que domina a Hollywood atual recheada de refilmagens, já existe há certo tempo (embora realmente tenha atingido seu ápice agora). Os zumbis pareciam mortos e enterrados, já que seus criadores não tinham muito mais a dizer, apenas reciclar ideias. A refilmagem do clássico absoluto de Romero passou em branco e a única coisa que parece ter adicionado foi cores. Já com o outro filme de RomeroO Despertar dos Mortos, que se tornou Madrugada dos Mortos, a abordagem foi justamente mudar a abordagem. E assim de crítica ao consumismo, a obra se tornou um produto dele, mirado apenas ao entretenimento, num filme questionador da sobrevivência mas sem o mesmo tema central. Eu Sou a Lenda, nova abordagem ao texto de Matheson, trazia Will Smith num tour de force, num blockbuster que faz mais pelo espetáculo visual do que por um conteúdo indagador.

 

Reinvenção – Extermínio (2002)                                                                    

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Isso tudo pôde ser deixado de lado. O diretor inglês Danny Boyle, diretor de clássicos subversivos como Trainspotting – Sem Limites, ousa e cria um filme de zumbi totalmente diferente de tudo o que já havia sido mostrado até então. Uma produção minimalista que apresenta uma atmosfera documental, e recaptura o espírito da obra original de Romero. Isolados não mais numa casa, mas numa cidade inteira, os personagens lutam para sobreviver a essa nova realidade. Nada de mordidas para ser contaminado, tudo o que basta agora é o espirrar de uma gota de sangue na boca ou no olho para a vítima se transformar numa criatura raivosa e acelerada. Essa é uma das grandes novidades que Boyle trouxe ao subgênero, seus zumbis não são mais criaturas lentas, são torcedores organizados de um time, com grande fúria e velocidade. Ativistas tentando libertar cobaias de laboratórios entram bem, e iniciam o apocalipse.

 

Humor Britânico – Todo Mundo Quase Morto (2004)                        

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Em meados da década passada ainda era possível adicionar originalidade ao subgênero dos filmes de mortos-vivos? Outro inglês prova que sim (eles merecem todo o crédito pela reinvenção das criaturas). Edgar Wright estreia na direção com um longa que é pura sátira de tudo o que já havia sido criado até então para o cinema de zumbis. Sem saber, os envolvidos criavam um clássico moderno, personagens icônicos, e uma das duplas mais cultuadas da atualidade, Simon Pegg e Nick Frost. Dois amigos perdedores precisam amadurecer, e quer época melhor para isso do que durante um apocalipse zumbi. Sem que percebam, para variar, o mundo muda a seu redor. Shaun, personagem de Pegg, parte da brincadeira com o título original,  precisa ascender à ocasião se tornando o líder de seu grupo de amigos sobreviventes. Essa é uma comédia inglesa, que como de costume usa muito humor seco e negro.

 

Entretenimento Garantido – Zumbilândia (2009)                                

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Pegando carona no que Todo Mundo Quase Morto tornou possível, a obra do diretor Ruben Fleischer vai além em matéria de entretenimento pop e aura “cool”. Um Cult instantâneo, Zumbilândia mostrava que também sabia fazer bem uma sátira aos filmes de zumbi, clamando de volta a criação de seu conterrâneo. No meio de uma realidade devastada, o protagonista interpretado por Jesse Eisenberg criou um conjunto de regras para a sobrevivência. Elas são eliminadas quando ele conhece o durão personagem de Woody Harrelson, e as irmãs interpretadas por Emma Stone e Abigail Breslin.  Além de diversas referências e piadas implícitas, o filme é legal o suficiente para chamar seus personagens não pelos nomes, mas pelas cidades de onde são originários. No caso da vizinha interpretada pela gata Amber Heard, ela é simplesmente chamada pelo número de seu apartamento. A obra ainda guarda um dos momentos mais hilários do cinema recente, com a participação de um certo Caça-Fantasma.

 

Série de TV – The Walking Dead (2010)                                                     

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Depois de tamanho impulso recente no cinema, o único lugar para onde os zumbis faltavam migrar era para a telinha. Em 2010 isso mudou, com o primeiro seriado focado exclusivamente nos mortos vivos, The Walking Dead. Baseado numa história em quadrinhos, a versão para a TV se tornou um sucesso imediato, e uma verdadeira febre, criando uma legião de seguidores.

 

Protagonista Romântico – Meu Namorado é um Zumbi (2011)        

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O conceito de originalidade pode ter feito mal a essa produção. E o fato é confundido com besteira, quando se tem em mente recriar o sucesso de uma das menos interessantes séries cinematográficas a utilizarem uma figura mitológica assustadora, bom pelo menos para pessoas acima dos 18 anos, a saga Crepúsculo. A ideia aqui é capitalizar em cima do romance, e “crepuscular” essa produção, que na realidade é baseada num livro. Um morto-vivo (que agora passam a pensar) aos poucos volta a ser humano quando se apaixona pela protagonista, vivida pela bela australiana clone de Kristen StewartTeresa Palmer. O jovem talentoso Nicholas Hoult se sai bem como R, o zumbi apaixonado; mas algo aqui parece estar errado, fora do lugar. De atestados sociais, os zumbis passaram a objeto de afeto em romances adolescentes.

 

 

Blockbuster – Guerra Mundial Z (2013)                                                    

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Mesmo já tentado outras vezes, como em Eu Sou a Lenda, essa nova produção leva os filmes de zumbis a outro nível. Guerra Mundial Z é o 007 dos filmes de zumbis. Uma superprodução recheada de ação, adrenalina e efeitos visuais, que leva um protagonista por diversas localidades pelo muito, em busca de um objetivo, se envolvendo em diversas aventuras, e escapando das situações mais impossíveis. Baseado num livro cultuado, que reunia relatos fictícios espalhados pelo mundo, a versão cinematográfica leva apenas o título consigo, e aqui é Brad Pitt para todo o lado. Estruturado em três etapas, aqui temos tensão junto a família, onde Pitt tenta proteger os seus (parte que se assemelha a Guerra dos Mundos, de Spielberg); temos Pitt pelo mundo, com direito a uma das melhores cenas, no avião; e o desfecho, mais semelhante aos filmes de mortos vivos intimistas que se passem dentro de locais fechados. Guerra Mundial Z faz o favor de adicionar elementos novos à mitologia das criaturas, e aqui uma espécie de cura aparente é encontrada.

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