Os anos 80 foram uma verdadeira fábrica de sonhos para todo e qualquer jovem cinéfilo que cresceu nesta época para lá de especial. Foi a época que o cinema de Hollywood descobriu os blockbusters e começou a produzi-los em larga escala – criando filmes mirados ao grande público dentro de todos os gêneros e todos os gostos. Se um filme dava muito certo e caía no gosto popular, podíamos ter certeza que uma sequência viria muito em breve. Foi o caso, por exemplo, com filmes de terror como Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, ou do gênero comédia como Loucademia de Polícia. Tais franquias são bons exemplos de séries cinematográficas que geraram um filme por ano, durante quase toda a década de 80.

É claro também que quando procuramos qualidade, as pedidas mais indicadas são as franquias Star Wars, Indiana Jones, Rocky, Rambo, De Volta para o Futuro, e por aí vai, igualmente batendo ponto durante a tal década querida. Mas e quando os fãs mais jovens ficam esperando e esperando, sem entender porque seu filme querido não produzia uma continuação. Foi somente quando ficamos mais velhos que compreendemos que o cinema é um negócio, e que para gerar uma continuação é necessário que o filme original tenha dado lucro, o que muitas vezes não ocorria. Mas vai explicar isso para uma criança. Buscando novamente pela nostalgia, criamos uma nova matéria que apresenta os filmes dos anos 80 que fizeram os fãs ficarem esperando por uma sequência – que nunca viria! Confira abaixo.

Stallone Cobra


Um dos maiores representantes do cinema machão dos anos 80, este veículo de ação do astro Sylvester Stallone faz nascer um pelo novo no peito cada vez que o assistimos. É curioso pensar que Cobra nasceu para ser na verdade o filme Um Tira da Pesada, que estava sendo desenvolvido na Paramount para Stallone estrelar. O ator saiu do projeto, e dois anos depois reaproveitaria algumas ideias as levando para a Cannon Films e a Warner. Com seus óculos escuros, palito de fósforo na boca e carrão envenenado, Marion Cobretti (o personagem de Stallone) se autointitula a cura da doença que é o crime. Em seu filme de estreia (que também seria o único), ele combate uma gangue de psicopatas sádicos, parecendo saídos de um filme de terror, e protege uma bela modelo da morte certa, com quem se envolve (papel da própria esposa do ator na época, a atriz Brigitte Nielsen). Mas o que todo garoto e adolescente da época queria ver mesmo era um Cobra 2, algo que nunca aconteceu.


Comando para Matar

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Saindo de um brucutu para outro, Arnold Schwarzenegger chega agora à lista. Ele e Sylvester Stallone eram os reis das bilheterias no gênero, de uma lista ainda incluía figuras como Chuck Norris, Dolph Lundgren, Steven Seagal, Jean-Claude Van Damme, Michael Dudikoff e até mesmo o veterano Charles Bronson. Mas não tinha para ninguém. Arnold e Stallone eram os que mandavam. A dupla não perdia tempo e tirava do papel continuações de seus filmes de sucesso, como Rambo, Rocky, Conan e O Exterminador do Futuro. Mas se Stallone tem Cobra como o filme que todos queriam ver a sequência (que nunca se concretizou), o colega Arnold pode dizer que deixou muitos meninos dos anos 80 sonhando com a continuação que nunca viria de Comando para Matar – espécie de clone de Rambo. Enquanto Cobra até pode ser considerado um filme de ação sombrio, que usa elementos de thriller, Comando para Matar é pura diversão descompromissada dos anos 80.

Deu a Louca nos Monstros

Esse filme possui uma receita que desafiou todo e qualquer menino dos anos 80 a não se apaixonar por ele. Praticamente impossível. Apesar disso, o filme não foi um sucesso estrondoso em seu lançamento, pelo contrário, deu prejuízo aos realizadores. Monster Squad, no título original, seria redescoberto nas vídeo locadoras e em especial nas exibições da TV aberta, na rede Globo. Vejam essa premissa: imagine Os Goonies se encontrando com os monstros clássicos da Universal Pictures. Ou seja, Drácula, o Lobisomem, Frankenstein, a Múmia e o Monstro da Lagoa Negra. Um crossover para ninguém botar defeito – rendendo um dos melhores encontros dos anos 80. Justamente por isso, ficamos esperando novas aventuras desta turminha, quem sabe combatendo outras criaturas, mas nunca veríamos. Bem, se nem mesmo os Goonies conseguiu tirar sua continuação do papel até hoje, o que dirá sua “imitação” mais famosa.


Splash – Uma Sereia em Minha Vida

Tudo bem, essa é uma pegadinha. O filme protagonizado por Tom Hanks e Daryl Hannah, dois dos nomes mais quentes dos anos 80, de fato teve uma continuação. Acontece que não foi a que queríamos. Na trama do original de 1984, Hanks vive um homem solitário, que termina se apaixonando por uma jovem mulher loira e bela chegada literalmente do nada, que se comporta… bem, como um peixe fora d’água. A história usa a fórmula de E.T. (1982), só que com adultos e usando uma sereia ao invés de um pequeno alienígena. Assim, a mulher-peixe tem um comportamento bizarro e quando é molhada exibe sua verdadeira forma, o que faz cientistas correrem atrás para captura-la. O final é ambíguo e deixa a porta aberta para uma sequência, mas nem Hanks, nem Hannah quiseram voltar, já que buscavam novos desafios para suas carreiras. Assim o segundo filme, feito para a TV, chamado Madison – A Sereia no Brasil, teve Amy Yasbeck e Todd Waring no lugar de Hannah e Hanks respectivamente, e o resultado foi que quase ninguém viu e poucos sabem que existe.

O Último Guerreiro das Estrelas

Outro cult por excelência, que fez muito sucesso em sua exibição na TV aberta (Globo) da época, foi esta ficção científica juvenil, que pegava clara carona (com direito a muita cara de pau) no sucesso de Star Wars, cuja trilogia original terminava no ano anterior ao lançamento deste longa. O sonho de todo garoto da época era poder estar em Star Wars. E todo menino da época também era fã de fliperama. Assim, essa produção juntava a fome com a vontade de comer, e misturava em seu enredo Star Wars, games eletrônicos, um rapaz sonhador, sua bela namorada, carros que viram nave e vão para o espaço, robôs, criaturas extraterrestres das mais variadas, e por aí vai. Impossível resistir. Porém, quando foi a hora de nos dar novas aventuras deste universo, nada feito, ficamos a ver navios.

Supergirl – O Filme


O primeiro trailer da série da Mulher-Hulk foi divulgado recentemente. A personagem, é claro, é a prima do verdão da Marvel, o Dr. Bruce Banner, vulgo Hulk. Antes dela, no entanto, outra prima de super-herói bem famosa ficou estabelecida na cultura pop. Trata-se da Supergirl, prima do Superman, ou Super-Homem – como era conhecido nos anos 80. Hoje, a Supergirl é uma personagem muito adorada, tem sua própria série na TV, e as formas da belíssima Melissa Benoist, que chegará ao fim após 6 temporadas – além de ser prometida com nova aparência no filme do Flash (com estreia programada para 2023 – onde será vivida por Sasha Calle). Antes de tudo isso, porém, quando os filmes do Superman com Christopher Reeve estavam no auge, um universo envolvendo os primos era planejado, com este primeiro derivado. Após três filmes do Superman, era a vez da loirinha alçar voo e combater os vilões, na forma da graciosa Helen Slater, em sua estreia nas telonas. É dito que Reeve iria fazer uma aparição como o Homem de Aço, mas a participação se resumiu à sua foto na parede. É claro que Supergirl era para ser apenas o primeiro exemplar de uma franquia, mas o destino não quis assim.

Flash Gordon

Por falar em superproduções baseadas em histórias em quadrinhos clássicas, uma das primeiras obras Pulp foi a criação de Alex Raymond, Flash Gordon. Após o sucesso de Superman – O Filme (1978) e no mesmo ano em que tal filme ganharia sua primeira sequência, o famoso produtor de Hollywood Dino De Laurentiis viu oportunidade no então nascente subgênero. Podemos dizer, inclusive, que ele foi visionário, pois décadas depois é este tipo de filme que domina o mercado. Mas naquela época as coisas não eram bem assim. Seja como for, uma superprodução em ritmo de blockbuster foi criado para o personagem terráqueo que é levado para uma aventura intergaláctica no espaço. Com direito à participação de atores como Max von Sydow vivendo o vilão Ming, trilha sonora da banda Queen e um visual impressionante. Nada disso garantiria uma continuação para o filme – o pior é que nada mais foi feito com o personagem no cinema, mesmo 42 anos depois de sua estreia.

Popeye

Continuamos por criações clássicas das tirinhas e das animações na TV. O icônico marinheiro Popeye saiu da mente de E.C. Segar, aparecendo pela primeira vez ainda em 1929. Ao longo, o simpático, bondoso e valente marujo comedor de espinafre, assim como seu grupo excêntrico de coadjuvantes, como Olivia Palito, Brutus e o comedor de hambúrguer Wimpy – no Brasil conhecido como Dudu. Curiosamente dirigido por Robert Altman (um diretor que depois ficaria conhecido por dramas menores, bem afastados da magnitude de superproduções), a opção dos realizadores foi por criar Popeye na forma de um musical – o que pode ter afastado parte do público (já que o gênero a esta altura não tinha mais a força do passado). Dentre os acertos do filme, as escalações mais que perfeitas do saudoso Robin Williams como o personagem principal e de Shelley Duvall como a delicada Olivia. O objetivo era criar novos filmes com as aventuras do Popeye, o que também não ocorreu até hoje.


Shocker – 100 Mil Volts de Terror

Quando criou este filme de terror em parceria com a Universal Pictures em 1989, o saudoso mestre Wes Craven tinha em mente uma nova figura lendária do gênero, seguindo os moldes de seu “filhote” Freddy Krueger (e do Ghostface – que viria alguns anos depois). Nem sempre o que planejamos dá certo. Assim, o vilão Horace Pinker (papel de Mitch Pileggi) teria que se contentar com o anonimato, ou quem sabe uma pequena legião de culto. Seja como for, a proposta era interessante, e ao invés de um assassino atacando no mundo dos sonhos, Craven tirava da cartola um psicopata que atacava pela eletricidade após ser condenado à cadeira elétrica e voltar como assombração. Shocker marcou época em suas exibições na TV aberta no início dos anos 90, já que seu lançamento nos cinemas ocorreu em 1989 – e antes disso fez a festa da geração das locadoras. Mas nada de continuação.

Sheena – A Rainha da Selva

Criada pelos lendários Will Eisner e Jerry Iger para os quadrinhos ainda na década de 1930, a personagem Sheena – A Rainha da Selva foi a primeira protagonista feminina de HQs a ter um título só seu, precedendo inclusive a Mulher-Maravilha, que viria a ser lançada na década de 1940. Isso que é história de empoderamento. Assim, em 1984, a loira das selvas ganhava seu primeiro (e único) longa-metragem. Curiosamente, como já vimos na lista, esse era o mesmo ano de outra loira dos quadrinhos: a Supergirl. Quem estrela aqui é a estonteante e saudosa Tanya Roberts, falecida em 2021 aos 71 anos. Dirigido por John Guillermin (de Inferno na Torre e King Kong), o filme traz as aventuras de Sheena, que tem entre seus poderes a capacidade de falar com os animais na savana africana. Cult por excelência, os fãs do longa sempre esperaram em vão por novas aparições da loiríssima. Quem sabe, após a Marvel ter publicado algumas histórias com a personagem, ela não seja incorporada ao MCU. Seria bom demais.

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