Vivemos ainda em tempos pandêmicos. Assim, as salas de cinema seguem ensaiando um retorno para fazer as pazes com o grande público. Para se ter uma ideia, antes da pandemia, as superproduções batiam o valor de US$1 bilhão em bilheterias. Hoje, a maioria luta para conseguir romper a barreira dos US$100 milhões. Filmes evento como Homem-Aranha: Sem Volta para Casa007 – Sem Tempo para Morrer e Velozes e Furiosos 9 (os três mais rentáveis de 2021) sem dúvidas ajudaram bastante nessa retomada para as salas de exibição. Em especial Homem-Aranha se tornou o primeiro filme a romper a barreira do bilhão de dólares em bilheterias desde o início da pandemia.

A verdade é que os inúmeros canais de streaming disponíveis ao toque de nossos dedos facilitaram bastante a debandada do espectador casual do cinema. A janela diminuta entre um lançamento nas telonas e para ser assistido em casa fez com que muitos optassem pelo conforto do lar. Seja como for, tudo serve de aprendizado. Se por um lado pensaríamos que os estúdios iriam enxugar os orçamentos de suas grandes produções em tempos pandêmicos, por outro lado espera-se espetáculos cada vez maiores, do nível do citado Homem-Aranha, para arrebanhar todo e qualquer espectador aos cinemas. Aqui, levando em conta todas as arestas, como a pandemia e os streamings, separamos para você alguns blockbusters que apesar dos tempos não muito favoráveis, terminaram se mostrando um sucesso de público nos cinemas. Mas não apenas isso, já que aqui separamos os sucessos inesperados – os filmes que não eram apostas certas para ajudar no retorno às salas, mas terminaram fazendo muito para que o público se sentisse mais à vontade de retornar aos cinemas. Confira abaixo.

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10 | A Crônica Francesa


Levando em conta que as produções dirigidas pelo cineasta alternativo Wes Anderson possuem um orçamento pequeno para os padrões Hollywoodianos e que o teor de seus filmes não são, por assim dizer, recomendados para todos os públicos, é uma surpresa perceber o quão bem nas bilheterias seu mais recente trabalho, A Crônica Francesa, foi. A Crônica Francesa não é seu melhor filme (com 75% de aprovação dos críticos), não foi o maior orçamento de um filme seu (A Vida Marinha mantém o recorde tendo custado US$50 milhões) e nem mesmo a maior bilheteria de sua carreira (seu maior sucesso ainda é O Grande Hotel Budapeste, com um faturamento de quase US$200 milhões). Porém, com um orçamento de US$25 milhões e um retorno de US$46 milhões, A Crônica Francesa conseguiu superar grandes produções como Em um Bairro de Nova York, Mundo em Caos, Aqueles que me Desejam a Morte, Caminhos da Memória e Cry Macho.

09 | Infiltrado

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Quem diria que um filme de ação com Jason Statham estaria entre as grandes surpresas como um dos maiores sucessos do início do ano passado. Mas este não é um filme de ação de Jason Statham qualquer, e sim um dirigido pelo talentoso Guy Ritchie. E a dupla repetiu a dose esse ano com Operation Fortune – Ruse de Guerre. Na trama de Infiltrado, Statham interpreta um sujeito misterioso, trabalhando como guarda dentro de um carro-forte transportando uma bolada. É quando o veículo é atacado por bandidos (com alguns guardas envolvidos) que o sujeito mostrará sua verdadeira faceta. Com um orçamento de US$27 milhões, Infiltrado foi um dos poucos filmes de 2021 a conseguir romper a barreira dos US$100 milhões em bilheterias mundiais nestes tempos pandêmicos. Comparando, o filme se deu melhor do que blockbusters como o novo Mortal Kombat e o remake de Amor, Sublime Amor (de Steven Spielberg), e também do que filmes hypados como Tempo, de M. Night Shyamalan, e A Lenda de Candyman, de Jordan Peele.

08 | Clifford – O Gigante Cão Vermelho


Isso mesmo, em oitava posição temos um filme para o qual ninguém dava dois centavos. Ou melhor, a Paramount, produtora do longa, deu. E deu US$64 milhões para seu orçamento, para ser mais preciso. A aposta deu certo, já que Clifford, baseado numa série de livros infantis – que inclusive já viraram desenho animado na TV -, se tornou um dos maiores sucessos da última temporada, entrando para a seleta lista dos filmes que ultrapassaram a quantia de US$100 milhões. Acredite se quiser. Uma coisa que iremos notar na lista é a presença de muitos filmes infantis, já que a garotada também é o foco da retomada – os pais estão loucos para tirá-los de casa depois desse tempo. A história, bem, fala sobre um cachorrinho vermelho que cresce a um tamanho descomunal. Em sua trajetória nos cinemas, Clifford conseguiu arrecadar mais do que animações famosas como Luca (da Disney / Pixar) e Ron Bugado.

07 | Tom & Jerry – O Filme

Olha o que eu disse aí. Mais uma produção mirada aos pequenos que fez sucesso em sua estadia nas telonas. Os adultos se contentaram em esperar grande parte dos lançamentos saírem nas plataformas de streaming para assistirem em casa; mas os papais e as mamães quiseram enfiar os pimpolhos em qualquer cinema que estivesse passando um filme apropriado para eles. No começo do ano, a solução foi levá-los para assistir ao filme do Tom & Jerry, que misturou pela primeira vez atores reais de carne e osso (como Chloë Grace Moretz e Michael Peña) com o desenho do gato e o rato que vivem em pé de guerra. Mesmo que os críticos tenham torcido o nariz, Tom & Jerry – O Filme, num orçamento de US$79 milhões, rendeu US$133 milhões, ficando acima de Raya e o Último Dragão, da Disney, por exemplo.

06 | O Poderoso Chefinho 2 – De Volta aos Negócios

Sim, outro filme mirado aos pimpolhos. O primeiro O Poderoso Chefinho (2017) chamou minimamente a atenção dos cinéfilos devido ao título engraçadinho que faz alusão ao clássico de máfia O Poderoso Chefão. Porém, as semelhanças param por aí, já no original o filme não faz alusão alguma, sendo seu título Boss Baby (seria algo mais como um patrão). O resultado, digamos, foi morno. Agora, chega a anunciada continuação, com cinco anos de atraso, o que poderia ser crucial, já que a criançada que tinha cinco anos na época, já se encontra com dez e sem interesse neste tipo de filme. Seja como for, sempre se pode arrebanhar novas crianças. E foi isso o que aconteceu com esta animação da Dreamworks /Universal que, com o orçamento inflado de US$82 milhões, arrecadou US$146 milhões, se tornando um dos sucessos do ano. Para termos uma noção, O Poderoso Chefinho 2 foi a terceira animação mais rentável da última temporada, superando Raya e o Último Dragão e Luca – ambas da Disney. Quem diria?


05 | Pedro Coelho 2 – O Fugitivo

E ainda seguimos com produtos mirados aos pequenos. O interessante é notar o sucesso de algumas obras que não estariam aqui caso não fosse a pandemia. Afinal, quem diria que Pedro Coelho 2 seria uma das maiores bilheterias do ano, já que esta é uma franquia que muitos sequer ouviram falar. Misturando live-action com animação no estilo do ursinho Paddington, o longa é baseado numa série de livros infantis. O original foi lançado em 2018 e até fez certo sucesso numa era pré-pandemia, ficando em trigésima posição no ranking dos filmes mais rentáveis de seu respectivo ano. A continuação ficou em vigésimo primeiro lugar, com um orçamento de US$45 milhões conseguindo arrecadar US$153 milhões mundiais. O segundo Pedro Coelho passou a perna em produções badaladas como Casa Gucci, por exemplo.

04 | Free Guy – Assumindo o Controle

Adiado até não poder mais, ninguém levava mais fé nesta ficção científica cômica de ação estrelada por Ryan Reynolds. Isso porque o caso era muito semelhante ao do fiasco Os Novos Mutantes, da mesma Fox, que ao lado de Free Guy são dois dos filmes mais adiados de tempos recentes. Ao ponto dos produtores deste filme resolverem começar a brincar com as mudanças de datas em seus novos trailers. Mas foi aí que veio a grande surpresa, quando Free Guy de fato estreou no ano passado, as críticas positivas começaram a pipocar e a aumentar – garantindo assim o sucesso, muito inesperado, do blockbuster. Mistura de Matrix e Detona Ralph, a trama traz Reynolds como um personagem de vídeo game que decide ser o protagonista de sua própria história. O conceito é alucinado e poderia ter dado muito errado, mas deu muito certo. Tanto que a parceria do ator com o diretor Shawn Levy se estendeu para o recente Projeto Adam e irá continuar para Deadpool 3. Com um orçamento de US$120 milhões, o filme arrecadou US$331 mundiais, uma das maiores bilheterias de tempos pandêmicos, ficando acima de blockbusters famosos como Encanto, Cruella, Jungle Cruise, Ghostbusters – Mais Além, O Esquadrão Suicida, Space Jam – Um Novo Legado e Matrix Resurrections, para termos uma ideia.

03 | Sing 2


O primeiro Sing – Quem Canta Seus Males Espanta (2016) foi criado para pegar carona na febre dos reality sobre aspirantes a cantores de sucesso, vide The Voice e American Idol. Aqui, animais antropomórficos, como um gorila, um porquinho, um coala e um porco espinho, soltam a voz num concurso de música, a fim de ganharem o grande prêmio. Os animais possuem as vozes famosas de gente como Scarlett Johansson, Matthew McConaughey, Taron Egerton e Reese Witherspoon, por exemplo. A animação da Universal fez sucesso e se tornou a 13ª mais rentável de seu ano – porém, ficando atrás de concorrentes do mesmo gênero como Procurando Dory, Zootopia, Pets – A Vida Secreta dos Bichos e Moana. A tão aguardada sequência passou “pelo perrengue” da pandemia, mas quando finalmente viu a luz das salas de cinema, no fim do ano passado, se tornou um incrível sucesso surpresa e a animação mais rentável dos tempos pandêmicos. Quem imaginaria?  O filme, que traz o retorno de todos os dubladores originais, custou US$85 milhões e arrecadou impressionantes US$406 milhões mundiais, ficando acima de todas as outras animações do ano passado, inclusive as da Disney, como o estrondoso sucesso Encanto – e ainda destronou blockbusters como Eternos, Duna e Viúva Negra.

02 | Godzilla vs. Kong

Eu simplesmente não acreditei quando a internet só falava de Godzilla vs. Kong antes do lançamento do filme. Isso porque o público não parecia tão empolgado com nenhum dos filmes prévios que levaram até esse aqui. Isto é, Godzilla (2014), Kong – A Ilha da Caveira (2017) e Godzilla II – Rei dos Monstros (2019). Tudo bem, preciso levar em conta que essa foi a primeira união em tela dos maiores colossos da sétima arte – ao menos no cinemão blockbuster Hollywoodiano. Junte a isso uma ruptura social mundial, onde todos se veem obrigados o tempo todo a escolherem lados. Assim, é claro, os fãs trataram de promover pelo estúdio, de forma inesperada e surpreendente, essa superprodução da Warner. E assim se formavam os times Godzilla ou King Kong. Como sempre nestes filmes “versus”, a fim de não se comprometer muito, depois de uma boa pancadaria sempre rola um “empate técnico”. Tudo bem, assim o público e o estúdio saem ganhando. Godzilla vs. Kong custou caro, US$200 milhões, mas fez mais do que o dobro em bilheteria em tempos pandêmicos, com US$468 milhões – o que se traduz em um grande sucesso, ficando acima de todos os arrasa-quarteirão da intocável Marvel, vide Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis; e se tornando a quinta maior bilheteria de Hollywood no ano passado.

01 | Venom – Tempo de Carnificina

Terminando nossa lista com a maior surpresa do ano, temos o segundo filme do Venom. Mais uma vez para deixar claro, não levamos em conta superproduções que todos sabiam que seria sucesso, como Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, 007 – Sem Tempo para Morrer, Velozes e Furiosos 9 e os filmes da Marvel. Na matéria levamos em conta apenas os sucessos que nos deixaram sem entender. E quando falamos em Venom, derivado da franquia Homem-Aranha da Sony, estamos surpresos desde o filme original de 2018. Isso porque com mais de US$850 milhões, o primeiro Venom se tornou o sétimo filme mais rentável de seu respectivo ano – e isso debaixo de críticas extremamente negativas. O filme não é deplorável, mas seu sucesso certamente não era para tanto. Sem deixar a peteca cair com os fãs fiéis, o segundo Venom segue pela mesma linha. E em tempos pandêmicos arrecadou um pouco menos, mesmo assim, com US$506 milhões mundiais, se tornando uma das maiores bilheterias recentes. Tempo de Carnificina foi o quarto filme mais rentável do ano passado, ficando atrás somente da “tríade” citada acima, os novos Homem-Aranha, 007 e Velozes e Furiosos.


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