As Melhores Referências Cinematográficas em Videoclipes

As Melhores Referências Cinematográficas em Videoclipes



Desde a década de 1970, a divisão arbitrárias das artes plásticas, visuais e sonoras começou a cair numa controversa exclusão que simplesmente não fazia mais sentido. Afinal, levando em conta que o cinema surgiu em uma culminação de todas as outras habilidades artísticas do ser humano, os próprios criadores se viram num beco sem saída que trazia consigo uma abertura interessante e metalinguística.

Não é surpresa, pois, que há alguns anos já encontremos uma mistura quase única das indústrias fonográfica e cinematográfica, a partir da qual videoclipes se tornam inegavelmente icônicos por se renderem a belíssimas alusões fílmicas. Seja em sutilezas quase imperceptíveis, seja em emulações claras e nostálgicas, diversos artistas e diretores já colaboraram para dar vida a perspectivas originais e memoráveis como forma de levar seus fãs a revisitar clássicos longas-metragens com um olhar diferenciado.

Por essa razão, separamos vinte vídeos musicais que trazem consigo as melhores referências do cinema. Entretanto, estamos excluindo canções que foram originalmente compostas para filmes – então não espere encontrar “My Heart Will Go On” ou “Skyfall” na nossa lista.

Confira nossas escolhas abaixo e conte para nós qual é o seu clipe favorito.

“MATERIAL GIRL” (Madonna, 1984)

Que a videografia de Madonna é impecável, isso já não é novidade para ninguém. E apesar de ter voltado com algumas obras-primas neste ano, são as produções de início de carreira que continuam comovendo e envolvendo diversas gerações.

Aproveite para assistir:


“Material Girl” talvez seja uma de suas investidas mais icônicas, principalmente por emular a bombshell Marilyn Monroe no filme Os Homens Preferem as Loiras (1953), desde o marcante figurino adornado com joias até sua expressão corporal. Não é à toa que o vídeo levou para casa diversos prêmios, incluindo o VMA de Melhor Vídeo Feminino.

“RADIO GAGA” (Queen, 1984)

O grupo de rock Queen ganhou uma homenagem interessante no ano passado com o lançamento de Bohemian Rhapsody, mas a música-título não é a única bastante conhecida de sua discografia: afinal, “Radio GaGa” é relembrada até hoje como uma pequena joia da indústria fonográfica, inclusive por seu aplaudível clipe.

David Mallet comandou a produção e fez um ótimo uso de referências seculares, trazendo de volta à vida o longa ‘Metrópolis, de Fritz Lang, para compor o cenário da iteração e se entregar com força ao escopo futurista.

“FANCY” (Iggy Azalea feat. Charli XCX, 2014)

O mundo parece ter um apreço imensurável em relação a comédias românticas adolescentes – e a rapper Iggy Azalea não se exclui desse grupo.

Em 2014, Azalea lançou um de seus melhores singles com a colaboração de Charli XCX, intitulado “Fancy”. O clipe, dirigido por Director X, inspirou todo o visual no noventista coming-of-age As Patricinhas de Beverly Hills, não pensando duas vezes em “roubar” o figurino de Alicia Silverstone e transformar a cantora em um remake memorável e muito bem produzido.

“PUT YOURSELF IN MY PLACE” (Kylie Minogue, 1994)

A sétima arte tem uma deliciosa habilidade de se transmutar e referenciar a si mesma com sutileza incrível – ainda mais quando aliada à música. E, enquanto alguns artistas adaptam nua e cruamente filmes clássicos, outras preferem se valer de outras técnicas.

Kylie Minogue optou pela segunda tendência e homenageou com todas as suas forças o cult Barbarella, protagonizado por Jane Fonda. Kier McFarlane ficou responsável pela direção e imprimiu a conhecida característica futurística para a impecável fotografia e a estética visual da cantora.

“ONE MORE TIME” (Daft Punk, 2000)

A dupla electro-music francesa conhecida como Daft Punk não é apenas conhecida por sua estética sonora futurista, como também detém alguns videoclipes extremamente desconcertantes – no sentido positivo da palavra -, e isso não seria diferente com a produção de One More Time”.

Lançado em 2000, a obra é inteiramente feita em anime, emulando as produções das décadas de 1980 e 1990 que até hoje caem no gosto popular. Como se não bastasse, as cenas do vídeo seriam utilizadas no longa Interstella 5555, de 2003. O design traz um design em 2D bastante onírico e gira em torno de alienígenas de pele azul que se apresentam para um grande público enquanto uma força misteriosa se aproxima.

“BREAKFAST AT TIFFANY’S” (Deep Blue Something, 1995)

Logo de cara, a canção “Breakfast at Tiffany’s” já revela de qual obra sua inspiração viria: a comédia romântica Bonequinha de Luxo, lançada em 1961 e até hoje rememorado como uma das melhores performances de Audrey Hepburn.

Aqui, os membros da banda conhecida como Deep Blue Something chegam em um evento de café da manhã e são servidos por mordomos em frente à loja da Tiffany Co., em Manhattan. Ao longo da produção, uma mulher vestida da mesma forma que Holly Golightly (Hepburn no longa) passa pela calçada e tira seus óculos – e isso é o bastante para sermos arremessados de volta à década de 1960.

 “TELEPHONE” (Lady Gaga feat. Beyoncé)

Uma das maiores colaborações da música contemporânea não poderia falhar no quesito visual: “Telephone”, performado por Lady Gaga e Beyoncé (dois grandes nomes da indústria fonográfica), é continuação da premiada “Paparazzi”, mas situa-se em um ácido e totalmente diferente território.

Comandado por Jonas Åkerlund, o conceito principal gira em torno da nossa Queen B resgatando Gaga da prisão apenas para voltar a um cotidiano criminoso que não pensa duas vezes antes de soltar referências maravilhosas, que oscilam desde Kill Bill: Volume 1’ até o drama Thelma & Louise.

“SPACE ODDITY” (David Bowie, 1969)

A discografia de David Bowie tem um legado gigantesco e inspira diversos artistas contemporâneos. E talvez “Space Oddity” seja uma de suas produções mais pessoais, ainda mais levando em conta que a construção da música e do videoclipe é baseado em um de seus filmes favoritos.

A obra é uma brincadeira linguística proposital com o clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e gira em torno de um astronauta fictício chamado Major Tom que perde comunicação com a Terra e se perde no espaço.

“…READY FOR IT?” (Taylor Swift, 2017)

“…Ready for It?” foi o segundo single do sexto álbum de estúdio de Taylor Swift, Reputation, e logo caiu no gosto popular não apenas pelas marcantes batidas, mas pelo futurista clipe dirigido por Joseph Kahn.

No vídeo, a cantora encarna uma versão ciborgue de si mesma e se lança numa aventura coming-of-age que logo nos chama atenção pela estética de produções sci-fi e animes que drenam inspirações de ‘A Vigilante do Amanhã’ e Blade Runner – principalmente pelas sequências de ação.

“RUSH RUSH” (Paula Abdul, 1991)

Paula Abdul é um nome bastante conhecido da indústria musical. “Rush Rush”, uma de suas músicas mais conhecidas, representou uma grande mudança de sua estética sonora – além de trazer uma releitura interessante do famoso e aclamado Juventude Transviada.

O videoclipe, comandado por Stefan Würnitzer, reimagina o longa protagonizado por James Dean Natalie Wood, trazendo para um novo escopo a icônica locação do Observatório Griffith, um Mercury 1949 preto e a atmosfera de uma corrida de carros.

“DOPE HAT” (Marilyn Manson, 1995)

single promocional de Portrait of an American Family, álbum de estreia do sempre perturbador Marilyn Manson, traz referências bastante chocantes do encantado A Fantástica Fábrica de Chocolate, protagonizado por Gene Wilder.

Aqui, o diretor Tom Stern traz a banda da qual Manson fez parte dentro de um barco que navega em um túnel psicodélico – cuja inspiração veio da similar e aterrorizante sequência do longa-metragem. E, como se não bastasse, o filme é um dos favoritos do cantor (e que melhor jeito de honrá-lo senão de um modo bizarro e muito competente?).

“BLACK WIDOW” (Iggy Azalea feat. Rita Ora, 2014)

Tarantino não é considerado um dos melhores diretores de sua geração por mera formalidade: seus trabalhos são relembrados até hoje e servem de inspiração para diversos novos cineastas – até mesmo aqueles que se aventuram no mundo da música.

Em agosto de 2014, Director X voltou a trabalhar com Azalea ao dirigir “Black Widow”, um divertido e minimalista conto de vingança que emulou a franquia Kill Bill mais uma vez além de ter se inspirado nas clássicas peças fílmicas de kung-fu dos anos 1970 (principalmente os estrelados por Bruce Lee).

“1999” (Charli XCX & Troye Sivan, 2019)

Assim como diversos outros videoclipes que não pensam duas vezes antes de se inspirar com força em longas-metragens bem conhecidos, a colaboração “1999”, performada por Troye Sivan e Charli XCX, idolatra a década de 1990 múltiplas referências – nem um pouco sutis, diga-se de passagem.

Em seus pouco mais de três minutos, a dupla encarna clássicos personagens de obras como Matrix, Titanic, Beleza Americana, A Bruxa de Blair – isso sem mencionar as propositais cópias que fazem de outros vídeos musicais.

“BLACK MAGIC” (Little Mix, 2015)

Mais uma vez os filmes adolescentes da década de 1990 deixaram sua marca nas produções atuais – e dessa vez com a proeminente girl band Little Mix, vencedora da competição The X Factor.

Em “Black Magic”, as quatro cantoras se aventuram com o inebriante uso da magia para ajudarem seus colegas de escola e se vingarem de certos esnobes que as humilharam. Utilizando o ritmo chiclete do dance-pop, o vídeo faz bom uso das sequências do terror Jovens Bruxas, bem como das séries Charmed e ‘Sabrina – A Aprendiz de Feiticeira’.

“EVERYBODY” (Backstreet Boys, 1997)

A boyband conhecida como Backstreet Boys teve sucesso imenso nos anos 1990, voltando aos holofotes com um revival inesperado nesses últimos tempos. E, sem sombra de dúvida, os novos e antigos fãs ainda se recordam de suas músicas mais antigas, incluindo “Everybody” – uma ode às diversas narrativas de terror do começo do século passado.

Homenageando os vários filmes de horror sobrenatural lançados entre as décadas de 1920 e 1950, a produção foi comandada por Kahn e parodiou longas como A Noiva de Frankenstein, A Maldição da Múmia e Drácula, desconstruindo os elementos de suspense e colocando-os num escopo divertido e ambientado numa mansão mal-assombrada.

“THRILLER” (Michael Jackson, 1983)

“Thriller” foi por muito tempo a música mais premiada da história (pelo menos até perder o posto neste ano para “Shallow”). A aclamada música levou para casa inúmeros prêmios e, até hoje, possui uma importância extrema devido ao impacto cultural tanto musical quanto visual.

O clipe, de catorze minutos de duração, faz inúmeras alusões a filmes de terror: o aclamado diretor John Landis recria os elementos da própria década e de sua própria filmografia com paródias de Um Lobisomem Americano em Londres e A Companhia dos Lobos, além de abraçar a claustrofobia de A Noite dos Mortos-Vivos e aludir a O Fantasma da Ópera das formas mais inesperadas possíveis.

“BAD” (Michael Jackson, 1987)

Quatro anos depois de “Thriller”, o rei do pop voltaria com mais uma icônica entrada de sua videografia com o curta-metragem de 18 minutos intitulado “Bad”.

A narrativa, comandada pelo premiado Martin Scorsese, gira em torno de um adolescente que volta para sua vizinhança natal e se reencontra com velhos amigos, até as coisas ficarem complicadas quando duas gangues cruzam caminho entre si. O arco drena suas homenagens do famoso musical ‘Amor, Sublime Amor’, inclusive a sequência do “moonwalk”.

“BONES” (The Killers, 2006)

Em 2006, a banda The Killers voltava aos holofotes com o lançamento do videoclipe ‘Bones’ – e, diferente de tudo que haviam produzido, a produção trazia uma atmosfera cartunesca própria da carreira de Tim Burton (que ficou responsável pela direção).

Na obra, além de emular às suas próprias obras com uma estética expressionista marcante e um escopo sombrio e teatral, Burton abriu espaço para referenciar obras como LolitaO Monstro da Lagoa Negra, além de trazer sequências explícitas da aventura Jasão e os Argonautas.

“THANK U, NEXT” (Ariana Grande, 2018)

Em “thank u, next”, Ariana Grande fazia uma ode bastante explícita às diversas comédias adolescentes que até hoje influenciam diversas gerações.

Dirigido por Hannah Lux Davis, o curta-metragem não apenas emula diversas sequências de filmes como Legalmente Loira, Meninas Malvadas e As Apimentadas, mas também traz aparições divertidíssimas da cultura pop para acompanharem-na nessa jornada teen – incluindo Kris Jenner, Jennifer Coolidge e Elizabeth Gillies.

“BAD ROMANCE” (Lady Gaga, 2009)

Gaga é uma das poucas artistas contemporâneas que realmente entendem a importância da música e sabem como conduzir um espetáculo – e obviamente sua estética renovadora e transgressora estaria presente em um de seus melhores videoclipes: “Bad Romance”.

Sendo fã do suspense e do terror desde sua adolescência, Gaga e o diretor Francis Lawrence arquitetaram uma narrativa à la Um Corpo que Cai, citando essa e outras obras-primas do suspense nas próprias lyrics. Como se não bastasse, o tour-de-force apresentado é uma belíssima peça fílmica hitchcockiana com certos elementos artísticos de filmes como Onde Vivem os Monstros.

Não é surpresa que o clipe levou para casa dezenas de prêmios, incluindo Vídeo do Ano, Melhor Direção de Arte e Melhor Direção no VMA. E, como se não bastasse, essa dançante aula de linguagem cinematográfica é considerado até hoje pela Billboard como o melhor videoclipe do século.



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