Depois de quase sete meses fechados por causa da pandemia, aos poucos as salas de cinema no Brasil vão reabrindo. E, nessa retomada, dentre filmes antigos e algumas novidades, estreou nas salas brasileiras o polêmico longa ‘40 Dias: O Milagre da Vida’, cujo argumento questiona a realização do aborto.

Baseado no livro escrito por Abby Johnson, o filme conta a história da própria Abby (Ashley Bratcher), uma estudante de psicologia que acaba topando trabalhar como voluntária em uma clínica de acompanhamento gestacional e de aborto, apesar da sua família cristã ser contra. Os anos se passam e Abby se torna a diretora do local, e, embora casada e com uma filha, a jovem mulher se sente realizada profissionalmente e até mantém uma boa relação com os jovens missionários de uma igreja, que diariamente protestam na entrada da clínica. Até que um dia Abby precisa auxiliar na interrupção de uma gravidez, e isso a faz repensar suas escolhas.


Por mais que ‘40 Dias: O Milagre da Vida’ seja inspirado numa história real (ao qual o filme se isenta em dizer que não teve autorização ou associação com a clínica ‘Planned Parenthood’ para realizá-lo), o enredo parece bastante forçado. Quer dizer, uma jovem estudante que se propõe a trabalhar numa clínica dessas, com uma família cristã que não aprova sua escolha, um marido que a ama e não aprova o trabalho dela, uma praticante da igreja católica mas que não tem nenhum tipo de conflito com suas escolhas… até muitos anos depois? E, numa milagrosa reviravolta da vida, o roteiro de Chuck Konzelman e Cary Solomon consegue anular tudo que a personagem viveu até então para alcançar sua redenção em nome da fé.

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Deixando a polêmica um pouco de lado, a evolução da personagem Abby é um pouco engasgada. Narrado por ela própria, Abby volta no tempo algumas vezes para explicar fatos do seu passado que justificam suas ações do presente, gerando um vai e vem na narrativa que causa uma sensação de prolongamento da história. Assim, o filme é totalmente centrado na protagonista, o que também livra o espectador de se envolver com histórias paralelas que não acrescentariam à trama principal.

De todos os aspectos, um alerta importante precisa ser feito: em ‘40 Dias: O Milagre da Vida’ há cenas fortíssimas envolvendo gravidezes, com desnecessário close em episódios de sofrimento, dor e perdas físicas, numa tentativa de gerar repulsa e reforçar o argumento do filme. Independentemente da opinião da pessoa, são cenas chocantes, que podem abalar o espectador desavisado.

Com direção da mesma dupla de roteiristas e uma boa atuação da atriz principal, ‘40 Dias: O Milagre da Vida’ já traz no próprio título sua proposta: é um filme panfletário que busca pintar as clínicas de aborto como lugares abomináveis e as pessoas que ali trabalham como gananciosos seres inescrupulosos. Com uma temática forte, não é bem o tipo de filme ideal para se voltar aos cinemas depois de um ano tão puxado como o de 2020.


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