Sexo, drogas e Réveillon 

Baseado na peça O Banheiro, de Pedro Vicente, A Noite da Virada utiliza como atores, nomes do momento e veteranos. Ana, papel da ótima Júlia Rabello (Vestido para Casar), não poderia estar mais ansiosa para receber em sua casa cerca de 300 pessoas (como ela enuncia em determinado momento) para comemorar a chamada “hora da virada”. A celebração mundial, no entanto, tem traçado um destino quase trágico, recheado de muitas “confusões”, para este grupo de cariocas.

Duda, o marido da protagonista, interpretado pelo igualmente ótimo Paulo Tiefenthaler (Trinta), é um quarentão sonhador, que ainda persegue a carreira como músico de rock. O casal extremamente oposto passará por uma grande provação, justamente no último dia do ano. No repertório de personagens convidados para a festa estão os melhores amigos, Rica (João Vicente de Castro) e Alê (Luana Martau), que só pensam em sexo e cujo objetivo é fazê-lo nos mais variados locais ao longo da noite.

A Noite da Virada 2


Temos também Sofia (a charmosa Martha Nowill, de Entre Nós), a irmã de Ana; o traficante interpretado por Taumaturgo Ferreira; e os vizinhos ricos e pedantes, Mario (Marcos Palmeira) e Rosa (Luana Piovani). Ou seja, fim de ano chegando, época de repensarmos e avaliarmos nossas vidas. Época também da Globo Filmes lançar estrategicamente sua nova comédia, que utiliza justamente tal temática.

No decorrer da projeção todos os personagens ganham suas subtramas e desenvolvimento. O estranho, porém, é perceber certo teor sombrio para uma produção que deveria ser uma comédia para cima. Talvez o plano fosse mesmo entregar uma comédia suja, no estilo Se Beber, Não Case, mas por receio os realizadores tenham dado meia volta na metade do caminho. Como resultado, A Noite da Virada não fica lá nem cá.

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A Noite da Virada 3

Obviamente também, teremos os estereótipos da dupla de jovens drogados e do patrão tarado. O filme é inocente e bobo, apostando no mais baixo denominador comum, algo que pode ser dito de quase todas as comédias nacionais produzidas pela empresa. Aqui temos o festival de clichês básicos de qualquer obra sem inspiração, como a trilha sonora que pontua os momentos nos quais devemos rir, por exemplo. Ganhamos também muitas montagens, como na abertura, quando Nowill (uma mulher muito sensual, com alguns quilinhos a mais) tenta entrar em um vestido apertado. Ou a óbvia sequência que não poderia faltar, de todos os convidados chegando na festa.

Chama atenção esta ingenuidade narrativa e de roteiro entrar em colisão com elementos como drogas das mais variadas, usadas de forma explícita, muito sexo, o uso de tanto palavreado de baixo calão quanto O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese (um recorde em tempos recentes), além, é claro, de traição, gravidez indesejada, abuso, brigas e assassinato (com omissão do corpo). Tudo com o propósito de nos trazer alegria e diversão nesta época tão especial. Os empenhos de Rabello, Tiefenthaler e Nowill mereciam um material muito melhor.

 


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