O épico Alfa, ambientado na Europa cerca de 20.000 anos atrás, narra a jornada de um jovem garoto que precisa voltar para casa após ter sido abandonado e dado como morto durante uma caçada com sua tribo. Nesse caminho perigoso, Keda (Kodi Smit-McPhee) conhece um lobo, que nomeia de Alfa e, juntos, descobrem uma inusitada amizade. É dessa premissa levemente inspirada em filmes de cachorros dos anos 90 que o longa-metragem da Sony Pictures se sustenta, no entanto, o apelo visual e as inusitadas locações dão ao filme um tom novo dentro do gênero batido. Mas será que isso basta?

O trabalho espetacular da direção de Albert Hughes (‘O Livro de Eli’), facilmente a grande realização de sua carreira até agora, é o elemento de destaque do filme. Seus belos planos plongée, assim como a escolha de filmar algumas cenas em câmera lenta, extremamente estilosas, revelam que até existia inspiração para fazer algo grandioso e único, mas que se perdeu com o ritmo lento e demorado da metade para o final, sem contar um roteiro fraco demais para suportar tamanha monumentalidade que o 1º ato estava construindo.

E não para por aí, o roteiro utiliza diálogos batidos o tempo inteiro. Tudo que sai da boca do pai, vivido pelo ator islandês Jóhannes Haukur Jóhannesson (‘Atômica’), são frases de efeito impactantes, e não apenas ele, todos os demais personagens caem nesse clichê típico de um roteiro expositivo, onde o menino também “avisa” tudo que vai fazer antes de fazer, pois, segundo o roteirista, nós não seríamos capazes de entender que ele, passando fome no frio, entrou em uma tenda em busca de comida caso ele não falasse sozinho que buscava comida. Entre muitos outros exemplos desnecessário que só servem para enfraquecer o bom andamento do filme.



No entanto, apesar de difícil de engolir, todo o restante funciona muito bem. O carisma do menino protagonista conquista, mesmo que não haja esforços da parte dele; o lobo é fofo e engraçado naturalmente, os efeitos especiais são impecáveis, assim como a fotografia, que vai de amarelada, para remeter ao passado, ao azul frio e solitário. O trabalho de som do filme também é para se enaltecer, tanto o som ambiente quanto a trilha sonora com tambores, pesada e seca, compõe perfeitamente a ambientação pré-histórica, causando suspense e até mesmo medo em alguns momentos específicos.

Já que o filme foi desenvolvido para passar, a todo custo, uma mensagem de esperança e compaixão, o menino acaba necessitando matar outros animais para sobreviver, algo que inicialmente não conseguia realizar, assumindo certa maturidade durante sua clássica jornada do herói e tentando provar para sua família que é possível também manter respeito e admiração pelos animais selvagens, que não servem apenas como comida. Além disso, Keda vê no lobo um reflexo de si mesmo: solitário e ferido, mas valente e corajoso. E não dizem que os cachorros são como os seus donos?

No fim do caminho, Alfa é sim exuberante, mas não se contenta e quer ser muito mais do que seu roteiro permite. Talvez seja o exagero em criar planos incríveis e belos que tenha levado o diretor à se perder dentro de sua própria ambição de transcender o lugar comum. Algo que, no geral, é bom para um filme, mas que aqui não funciona como deveria e só prova que o maior desafio de todos é chegar até o final sem já ter adivinhado o que estava por vir.



 

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