sexta-feira, fevereiro 23, 2024

Crítica | ‘Bird Box Barcelona’ é uma tentativa falha de criar “universo cinematográfico” para a Netflix

A menos que você morasse em uma caverna — ou estava com os olhos vendados — todo mundo se lembra do furdúncio que ‘Bird Box’ causou nas redes sociais ao final de 2018, quando o longa estrelado por Sandra Bullock foi lançado na Netflix. Era gente que aclamava o filme, outros que detestavam, além de vídeos que “explicavam” o final. Enfim, fato é de que a produção foi muito repercutida e comentada no período, tanto é que permaneceu como a mais assistida do serviço de streaming por muito tempo. Agora, quase 5 anos depois, esse universo é retomado no derivado intitulado ‘Bird Box Barcelona’.

Foi inesperado a Netflix apostar em uma abordagem de spin-off em espanhol ao invés de uma sequência direta do primeiro longa. Claro, como estamos falando de um serviço de streaming, é mais fácil popularizar e receber audiência quando o filme é lançado direto na plataforma ao invés de ir para os cinemas.

A trama acompanha Sebástian (Mario Casas), um engenheiro que tenta sobreviver em uma Barcelona devastada por criaturas misteriosas, onde um simples olhar para elas pode levar à uma morte violenta. À medida que Sebástian encontra outros sobreviventes, a confiança entre os indivíduos remanescentes é colocada em cheque.

Parece uma premissa bem similar ao filme original, e realmente é, mas logo no início é apresentado um pequeno twist que dá uma certa autenticidade, que já adianto: não é bem executada ao decorrer da trama.

‘Bird Box’ de 2018 não é uma obra-prima, e também está longe de ser um filme ruim. Na verdade, é bem medícore mesmo, mas elevado pela interpretação de Sandra Bullock como a personagem Malorie. Já aqui, o personagem interpretado por Mario Casas é desinteressante, e suas motivações e complexidades são meramente apoiadas por flashbacks onde ele contracena com Alejandra Howard, intérprete de sua filha Anna. Os outros coadjuvantes são minimamente operantes, com destaque para Georgina Campbell que ganha mais foco durante a história, mas que é igualmente desinteressante.

O filme busca expandir o universo já apresentado, adicionando um novo local, conceitos e desdobramentos de personagens ao lidar com aquele contexto pós apocalíptico. Mas óbvio, isso é o que qualquer espectador espera de um spin-off, e é razoavelmente entregue aqui. As simbologias típicas também são presentes: vendas, personagens corrompidos, a relação de confiança e o mistério que paira as criaturas.

Não deixe de assistir:

O repeteco é válido, mas diferente do que a diretora Susanne Bier fez no primeiro filme, os diretores David Pastor e Álex Pastor, que também roteirizam, usam desses recursos apenas para “chover no molhado”, ou seja, acrescentam em pouco ou quase nada naquilo que já vimos anteriormente. Sem entrar no mérito de spoilers, a grande novidade aqui só é realmente apresentada nos últimos 10 minutos do longa, servindo apenas como um gancho para futuras outras entradas na franquia.

É interessante ver como a cidade de Barcelona foi utilizada como pano de fundo para a trama. A cidade, que possui uma arquitetura tão única e reconhecível, agora sendo retratada numa distopia pós apocalíptica. No entanto, é estranho ver como muitas das cenas usam elementos gráficos de baixa qualidade para complementar as cenas, especialmente durante os flashbacks do personagem de Sebástian, o que certamente vai causar um certo estranhamento àqueles que estão assistindo.

Com isso, a Netflix consegue entregar mais uma fraca adição para o catálogo ao tentar estabelecer um universo cinematográfico próprio a partir do fenômeno que ‘Bird Box’ foi há anos atrás. Mesmo sendo um filme ruim, ‘Barcelona’ provavelmente dará início à uma expansão internacional da franquia, com derivados se passando em outros países. Espere um ‘Bird Box Berlim’ ou ‘Seoul’, ou quem sabe até um ‘Bird Box São Paulo’. A única coisa que espero mesmo é que um desses próximos filmes seja, no mínimo, bom

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