Crítica | Bom dia, Verônica: 2ª temporada se aprofunda em temas sensíveis e suaviza as cenas mais fortes

Sucesso instantâneo em sua estreia na Netflix, a série brasileira Bom dia, Verônica transforma a saga de uma obstinada e incorruptível policial em uma inebriante aventura hollywoodiana. Sua jornada, que em certos momentos traz ares do thriller de ação Atômica, fez de um tema tão complexo e delicado a grande vertente de sua narrativa, usando ainda alguns artifícios do gênero de terror para dimensionar a grandiosidade dos traumas oriundos do abuso sexual e da agressão doméstica. Em sua nova temporada, a produção criada por Raphael Montes vai ainda mais além e faz duras críticas aos líderes religiosos que abusam de sua influência para sustentar suas agendas demoníacas.

Tentando encontrar os verdadeiros chefes daquela máfia que tira proveito de crianças órfãs e mulheres frágeis, Verônica (Tainá Müller) se depara com Matias (Reynaldo Gianecchini) e sua perfeita esposa e delicada filha. Líder de uma seita que mistura o Cristianismo com o Espiritismo, ele é uma versão glamourizada de João de Deus, charlatão que usou sua religião como técnica de persuasão, dissimulação e abusos. E ao longo de seis episódios, testemunhamos a narrativa dessa “irretocável” família se cruzar com os dilemas pessoais e profissionais da própria protagonista, que se vê diante da dura decisão de ter que abrir mão de seus filhos, para tentar salvar tantas outras meninas sem pai e nem mãe.

E à medida que somos confrontados com as duras e às vezes controversas decisões dessa protagonista imperfeita, enxergamos ainda mais de nós em suas lutas. Idealista, mas também durona, ela é a face e a voz de inúmeras sobreviventes de estupro, pedofilia e agressão doméstica. E embora os assuntos abordados sejam ainda mais dolorosos de acompanhar, Montes e sua equipe de roteiristas tomaram a ousada decisão de preservar a sensibilidade existente nesses casos tão traumáticos, sendo mais sutis e sugestivos quando se trata de apontar os diversos crimes denunciados a cada episódio. Abrindo mão da violência mais gráfica que testemunhamos na 1ª temporada, a série original da Netflix assume a responsabilidade de escancarar os fatos, sem precisar de todo aquele grafismo do passado.

Com um elenco exemplar, os novos episódios da produção destacam as poderosas performances de Camila Márdila, Müller, Gianecchini e Klara Castanho, que brilham em tela e nos absorvem em seus dilemas e conflitos. Com atuações mais naturais, os protagonistas nos levam aos seus limites psicoemocionais, nos convidando para uma experiência ainda mais imersiva e dilacerante. Com excelentes confrontos corpo a corpo, os novos episódios sabem dosar bem o suspense e a ação, deixando brecha para pequenas reviravoltas que apimentam ainda mais a narrativa e angustiam nossos sentidos.

Preservando ainda a integridade da atriz Klara Castanho – que surpreende em uma performance sensível e dolorosa de assistir, o novo ciclo ainda reforça sua enorme qualidade técnica de edição e montagem, que nada perde para os padrões de Hollywood. Com o amparo da Netflix, a série mostra a grandiosidade e o potencial da arte desenvolvida em nosso país e reitera a importância de contarmos nossas histórias, com nossa cultura e nosso contexto social para o mundo. Envolvente e com conexões diretas à temporada anterior, Bom dia, Verônica não dá ponto sem nó e caminha com bravura em direção a um futuro promissor, que promete uma explosiva combinação de novas denúncias e casos assombrosos. Agora é torcer para que Verônica finalmente tenha um bom dia com o anúncio da sua 3ª temporada.

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