O diretor Michael Bay já provou para o mundo que seus filmes são à prova de críticas. Suas produções megalomaníacas quase nunca agradam os críticos, mas são sucesso absoluto de público e arrecadam bilhões nas bilheterias. Com a franquia ‘Transformers‘, que arrecadou US$ 4.3 bilhões, Bay provou a todos que não se importa com o que os jornalistas pensam sobre seus filmes, desde que a audiência se divirta.

Após assinar um contrato milionário com a Netflix para comandar ‘Esquadrão 6‘, o diretor se viu com uma liberdade ainda maior de realizar todas as suas loucuras visionárias ao receber um orçamento de US$ 170 milhões e a oportunidade de fazer um filme Rated-R, para maiores de 18 anos.

O resultado? O filme mais Michael Bay do Michael Bay. Mas como isso é possível? ‘Esquadrão 6‘ tem 2 horas e 7 minutos de ação ininterrupta, absurda, frenética e desenfreada. Arrisco a dizer que, junto com ‘Mad Max: Estrada da Fúria‘, este é o filme com mais ação da história do cinema.

O longa se inicia com uma cena de perseguição de carros em alta velocidade que dura VINTE MINUTOS. Bay deveria ter encenado a cena em Londres, mas depois de filmar ‘Transformers: O Último Cavaleiro‘ lá, ele procurou um lugar diferente e decidiu realizar a sequência de ação em Florença, na Itália, o que rende um visual simplesmente deslumbrante. Trata-se de uma das cenas de ação mais ambiciosas da história do cinema, com mais de trinta carros explodindo e sendo lançados para o alto, junto com pedaços de corpos e muito, muito sangue. Sim, o diretor aproveitou a liberdade dada pela Netflix para realizar o seu filme mais gore, o que significa que as crianças não devem assisti-lo.

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O ritmo frenético e psicodélico da sequência inicial chega a cansar a vista: utilizando ângulos mais fechados, Bay força o espectador a se esforçar para entender o que está acontecendo, mesmo que a fotografia seja um deleite.

Após provar que ele não está para brincadeira, Bay finalmente dá um respiro (muito curto) para tentar explicar a história. E é aí que entra o problema.

O roteiro escrito pela dupla Paul Wernick e Rhett Reese, mentes responsáveis pelos ótimos ‘Deadpool‘ e ‘Zumbilândia‘, é uma bagunça homérica indefensável. Utilizando flashbacks e metáforas para tentar explicar a história, fica claro que o script serve apenas como uma desculpa para que Michael Bay possa brincar de explodir as coisas (que é o que ele faz de melhor, é claro).

A trama acompanha seis indivíduos (na verdade, eram sete!) que foram escolhidos por suas habilidades e pelo desejo singular que eles têm de apagar seus passados para mudar o futuro. A equipe é reunida por um líder enigmático (Ryan Reynolds), cuja única missão na vida é garantir que, embora ele e seus agentes nunca sejam lembrados, as ações deles certamente serão. A missão é aplicar um golpe na nação fictícia do Turgistão, para depor o ditador (Lior Raz) atualmente no poder e substituí-lo por seu irmão mais pacífico (Payman Maadi).

Mas não se engane pela trama aparentemente interessante, pois a história é totalmente ofuscada pela edição picotada e as cenas de ação, utilizando frases de efeitos e piadinhas sacanas para tentar situar o espectador do que está acontecendo… Tudo parece um grande videoclipe, tanto que o filme praticamente todo se passa durante um belíssimo pôr-do-sol (marca registrada dos filmes do Bay).

Ryan Reynolds está ótimo como o protagonista, um bilionário no estilo Bruce Wayne. Mais canastrão do que nunca, ele realmente comprou a ideia e visivelmente se divertiu a beça durante as filmagens. O mais interessante é o elenco de apoio de nomes conhecidíssimos, como a belíssima Mélanie Laurent (eternizada em ‘Bastardos Inglórios‘), Dave Franco (em uma ótima e curta participação), Ben Hardy, Adria Arjona e Corey Hawkins.

Com um trama interessante que renderia um ótimo filme se fosse bem desenvolvida, ‘Esquadrão 6‘ falha em desenvolver decentemente os personagens em prol de trazer muita, muita, muita, muita ação. Em nenhum momento é compreensível as motivações dos personagens, e depois de um certo tempo fica claro que a história não tem coesão alguma.

Se o seu intuito é desligar o cérebro e curtir um Michael Bay, esse filme será uma diversão garantida para você. Mas se você é daqueles que realmente se importam em assistir um filme com uma história levemente verossímil, passe longe!

Assista crítica em vídeo e nossa entrevista com o astro Ryan Reynolds:

 

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