Seguindo a tendência evolutiva da tecnologia, hoje nenhum blockbuster é criado sem o apoio dos efeitos visuais de computadores, o chamado CGI (Computer-generated imagery, ou Imagens geradas por computadores). Mesmo assim, os novos mundos criados de tal forma pelo diretor Ridley Scott (a partir, digamos, de Gladiador, 2000) continuam impressionantes e belíssimos. E com Êxodo, sua investida no cinema bíblico, não é diferente.

Êxodo: Deuses e Reis é a nova orgia visual do cineasta, um dos mais competentes artistas no quesito “comando de uma superprodução” da atualidade. Para quem pegou o bonde andando, Scott é o responsável por algumas das criações de mundos mais icônicas para a sétima arte, vide Alien – O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner: O Caçador de Androides (1982).

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Aqui, chamam atenção as tomadas suspensas das cidades, construções egípcias megalomaníacas e, obviamente, o clímax oferecido pela esperada sequência de abertura do mar vermelho – que reserva algumas reviravoltas interessantes. Ou seja, tudo o que a “bagatela” de um orçamento de US$ 140 milhões é capaz de oferecer. Essa é a parte esperada, a parte que sabemos que não irá desapontar. De certa forma, apontá-la em qualquer crítica torna-se redundante.

Por um aspecto criativo, artístico e narrativo não podemos perceber nenhuma novidade em Êxodo, em relação ao que já havia sido produzido anteriormente. O que faz concluir que a obra é apenas confeccionada pelo lucro da reciclagem – coisa no auge da voga por lá – e por consequência o apresenta a um novo público preguiçoso demais para buscar referências. O que podemos tirar de Êxodo que realmente valha? A resposta: o design de cenas de ação e efeitos visuais.

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O que esperamos em um bom filme é todo o resto, e justamente aqui, Êxodo decepciona. Recriar a saga épica de Moisés não deixa de ser uma aposta ousada e arriscada. Em especial porque temos obras quintessenciais sobre o exato mesmo tema, vide Os Dez Mandamentos (1956), de Cecil B. DeMille, um dos maiores marcos do cinema de Hollywood – com seus gloriosos 220 minutos de projeção.

Em menor escala para os jovens, uma produção de 1998, na forma de animação, chamada O Príncipe do Egito. O filme foi uma das primeiras obras do então recém-criado estúdio Dreamworks.

A trama, qualquer ser humano vivendo no planeta Terra em idade consciente já sabe. Moisés e Ramsés são criados como irmãos no Egito antigo, filhos de um déspota soberano. Na idade adulta, não demora para que Moisés encontre sua verdadeira origem. Com a consciência pesada decide se juntar ao povo para libertá-lo da tirania. No caminho, desenvolve uma grande relação espiritual com Deus, uma força maior. As atuações são, em sua maioria, pragmáticas, sem brilho, graça ou vida.


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Christian Bale (Trapaça) interpreta um Moisés correto, soando ao longo como que ligado no automático. Ben Kingsley (Homem de Ferro 3), Aaron Paul (da série “Breaking Bad”), e as fotogênicas, mas pouco conhecidas em Hollywood, Golshifiteh Farahani (Simplesmente uma Mulher) e María Valverde (Sedução) são mal utilizados.

Mas é ao ver a veterana Sigourney Weaver (parceira de Scott em Alien) em cena vestindo trajes egípcios de forma equivocada do casting, que notamos se tratar de um produto que não deseja ter nenhuma relação com o realismo ou seriedade, apenas com o entretenimento.

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