domingo, abril 14, 2024

Crítica | ‘Godzilla e Kong: O Novo Império’ é diversão em estado puro

Sequência do sucesso de 2021, Godzilla e Kong: O Novo Império é o novo capítulo do universo compartilhado conhecido como MonsterVerse. Depois de se enfrentarem em embates mortais, os titãs Godzilla e Kong terão de trabalhar juntos para protegerem o mundo e a humanidade do sádico King Skar, um primata gigantesco que sonho em conquistar a superfície com uma nova Era Glacial.

Ao lado dos monstros, um grupo de humanos vai tentar desvendar os mistérios da Terra Oca em busca de respostas e potenciais aliado nessa batalha pelo futuro do planeta como eles conhecem.

Existe na humanidade uma curiosidade pelo grotesco. Desde a Grécia Antiga, as tão famosas ‘tragédias gregas’ eram sucesso nos teatros ao retratar o sofrimento de seus personagens, o que causava identificação e despertava o interesse. Com o passar dos tempos, a desgraça foi aumentando e sendo retratada sob diferentes perspectivas, inclusive a cômica. Afinal, as comédias físicas extraem riso de pessoas se machucando ou fazendo acrobacias perigosas; O politicamente incorreto costuma brincar com situações pesadas ou sofridas para fazer graça. A situação escalou de tal forma que até mesmo um subgênero cinematográfico foi criado. Os ‘Filmes-Catástrofe’ fizeram a carreira de diretores como Roland Emmerich, cujos projetos consistem em acabar com a vida na Terra de formas catastróficas, enquanto os protagonistas enfrentam seus dramas pessoais antes da morte certa.

Diante disso, não é absurdo dizer que existe um ‘prazer culposo’ em ver cidades famosas ou pontos turísticos icônicos sendo pulverizados nas telas dos cinemas, seja por tsunamis, meteoros ou, neste caso, por monstros gigantes. Partindo desse ponto, Godzilla e Kong: O Novo Império abraça esse público ao rodar o mundo destruindo os potenciais turísticos das mais diversas capitais. Com jeitão de ‘World Tour’, o Godzilla roda o planeta caçando Kaiju’s que apareçam causando problema. Nessa turnê, o Rei dos Monstros visita cidades como Roma, Cairo e Rio de Janeiro, além da península de Gibraltar. Não por acaso, todos esses lugares possuem pontos símbolos fortíssimos no imaginário popular. Entendo essa paixão pelo grotesco, esse prazer pela destruição, o diretor Adam Wingard faz o lagartão visitar e acabar com tudo. E sabe o que é pior? É divertidíssimo acompanhar verdadeiros símbolos da civilização humana sendo reduzidos a pó, enquanto os titãs se digladiam no que restou desses cartões-postais.

O diretor entende que o público-alvo do filme quer ver destruição e lutas entre monstros gigantes, então abraça isso utilizando os golpes mais criativos possíveis. Ele já havia feito um trabalho mais que competente em Godzilla vs. Kong, mas aqui ele tenta tornar tudo maior e mais extravagante. Então, o Godzilla passa por um processo de evolução baseado na absorção extraordinária de radiação, enquanto o Kong recebe uma manopla metálica que potencializa seus golpes. O interessante é que esses upgrades são justificados pelo roteiro, que assume o Kong como protagonista. O que é muito justo, considerando o Godzilla foi o grande protagonista do anterior, relegando o primata ao papel de coadjuvante. Dessa forma, sai o núcleo humano ligado ao lagartão e entram os personagens que se relacionam com o gorila. Pela ótica deles, a história é narrada, enquanto os monstros lutam e tomam suas ações.

Nesse ponto, o núcleo humano é realmente o ponto baixo da aventura. Foi uma escolha do roteiro e da direção, que até funciona no começo, mas logo se mostra cansativa. Como as criaturas não falam, se comunicam apenas por olhares, expressões corporais e porrada, os humanos intercalam as cenas de ação aparecendo apenas para explicar, palavra por palavra, o que acabou de acontecer ou que vai acontecer em seguida. São diálogos tão exaustivamente expositivos, até em momentos que realmente não precisavam de explicação, que você meio que torce para que caia uma pedra gigante em cima deles o quanto antes. Os maiores destaques são Bryan Tyree Henry, que retorna como o podcaster Bernie, e Dan Stevens, que interpreta o Caçador. Ele é um personagem novo que certamente surgiu após o diretor assistir Guardiões da Galáxia e se encantar pelo Senhor das Estrelas. Como não devem ter conseguido contratar o Chris Pratt, não duvido nada que o Wingard tenha chamado o Dan e falado: “Faça sua melhor imitação do Chris Pratt”. A abordagem é idêntica à de James Gunn com o Senhor das Estrelas, mas com menos coração. Ou seja, consegue divertir, mesmo que não seja tão memorável quanto o líder dos Guardiões. Já Bryan é o alívio cômico do filme. Ele alterna alguns momentos de sacadas geniais com outros de piadas repetidas ou batidas. Ainda assim, acho que o saldo para ele é mais positivo que negativo. Quem está terrível é a querida Rebecca Hall, que atua de forma desleixada. Seu trabalho está além do caricato e tem tanto carisma quanto um dedo mindinho. Ela parece fora do tom da galhofa ao mesmo tempo em que não consegue trabalhar uma atuação séria. Destoa dos demais e fica muito abaixo.

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Nesse ponto da relação entre humanos e monstros, o filme anterior conseguiu um equilíbrio melhor. E ainda que tenha havido essa regressão na fluidez da relação entre esses dois núcleos, o compromisso do longa com a diversão incessante compensa toda a exposição humana. A sensação que dá é que o diretor sentou na cadeira com o pensamento: “como posso fazer para deixar isso ainda mais legal?”. A partir daí, despejou ideias e tentou abraçar todas elas.

Godzilla e Kong: O Novo Império é um filme que tenta ser maior e melhor que seu antecessor sem ter medo de errar. Obviamente, comete alguns erros no caminho, mas nada que comprometa a diversão de ver esses titãs destruindo tudo em tela. Sobre isso, vale lembrar que o longa foi filmado para IMAX. Por ter sempre muita coisa acontecendo em tela, é uma experiência interessantíssima conferir o filme em uma sala com essa tecnologia.

Ah sim, vale ressaltar a presença de um personagem fenomenal: o Mini-Kong. Seguindo a história básica do Robin, esse molequinho encapetado rouba a cena em todo momento que aparece, enquanto fica na dúvida se ajuda ou não o Kong. É simplesmente impossível não gargalhar com as furadas que esse baixinho de 40 metros se mete ao longo da trama, seja tocando o terror nos vilões ou sendo usado como porrete. Para falar a verdade, essa criaturinha laranja é a síntese perfeita do que é O Novo Império. É divertido, criativo e muito bobo, mas de um jeito positivo. Foi uma adição sensacional ao longa.

Enfim, quem gostou de Godzilla vs Kong certamente vai gostar de O Novo Império. Ainda que não tão bom quanto o anterior é um filme que preza pela megalomania e pela diversão, é como viajar pela imaginação de uma criança brincando com seus bonequinhos de plástico no parquinho. E depois desse filme, fica a curiosidade para saber o que mais Adam Wingard tem em mente para a franquia, porque o que não falta para o diretor é um arsenal de criaturas monstruosas e uma série de cartões-postais pelo mundo que ainda não foram vandalizados.

Godzilla e Kong: O Novo Império está em cartaz nos cinemas.

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Pedro Sobreirohttp://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.

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