sábado, março 2, 2024

Crítica | ‘How To Be a Carioca’ diverte com carta de amor ao Rio de Janeiro

Gravada em 2021, ainda em tempos de pandemia, a série How To Be a Carioca chegou ao Star+ com seis episódios pra lá de divertidos e com um elemento que faz toda a diferença para quem assiste: o amor dos envolvidos no projeto transborda em tela. E não apenas do diretor e criador da série, o apaixonado pela Cidade Maravilhosa, Carlos Saldanha, diretor da animação Rio (2011), mas de todos os envolvidos, incluindo o elenco internacional. A produção é estrelada pelo Seu Jorge e se inspira no livro homônimo escrito pela norte-americana Priscilla Ann Goslin, que vive na capital fluminense há mais de 50 anos.

A história é contada pela perspectiva de cinco estrangeiros que acabam vindo ao Rio de Janeiro por diferentes motivos. Na cidade, eles precisam resolver seus problemas e situações, que acabam explorando as diversas facetas da Cidade Maravilhosa, como as belezas fora do comum, a boa vontade dos moradores e as diferentes formas de violência, como o racismo e a criminalidade. Mas antes que pense em cair nos estereótipos dos chamados favela movies, a série reforça sua proposta de contar histórias com viés positivo e encontram saídas inteligentes e divertidas até mesmo para as situações mais complexas.

A estrutura da série é dividida em seis capítulos, nos quais a única ligação é Francisco, o personagem de Seu Jorge, que aparece para ajudar os gringos em momentos de adversidade. Sempre se apresentando como um rapaz com PhD em Rio de Janeiro, o músico é praticamente um oráculo dos desesperados, arranhando os mais variados idiomas para salvar o dia. O mais interessante é que mesmo sendo o rosto da produção e ganhando um episódio inteirinho dedicado a ele, Francisco é apenas mais um representante do Rio em meio aos mais apaixonantes personagens que desenvolvem a trama.

A nacionalidade dos gringos dá nome aos episódios. Então, vemos em sequência Argentina, Alemanha, Síria, Israel e Angola. Concluindo a série, temos Rio. Afinal, são tantas características singulares que compõe o dia a dia do Rio de Janeiro, que a cidade assume esse papel quase nacional. Esse último é todo dedicado a mostrar um dia daqueles do Francisco, que se mostra um personagem repleto de camadas, indo muito além de um simples guia da galera. É lindo ver como ele vai afetando a vida dos gringos e como esses turistas ajudam a moldar seu dia.

Existem episódios melhores que outros, mas a série num geral é bem constante. Não há capítulo ruim, são todos muito acima da média. No entanto, a história de amor do episódio da Síria, a amizade inesperada de Israel e a fé improvável da Argentina são, no mínimo, espetaculares. Esses três trazem tramas deliciosas de se acompanhar, ressaltando de forma sutil elementos tão presentes na vida de quem mora no Rio que chega a encher os olhos. E isso acaba sendo um mérito muito legal da produção. Ela reforça aquela sensação de orgulho não apenas de quem nasceu e vive na cidade, mas em qualquer um que já tenha passado por aqui.

O elenco da série é um espetáculo tão grande quanto as paisagens retratadas na produção. Misturando jovens talentos com cascas-grossas da cultural nacional, o casting trouxe também uma porção de nomes internacionais afiadíssimos. Além de Seu Jorge, estão na série Antônio Pitanga, Malu Mader, Douglas Silva e Débora Nascimento. Todos sensacionais. Do elenco estrangeiro, destacam-se Verónica Llinás, Peter Ketnath, Ahmad Kontar e a incrível Swell Ariel Or. Já a juventude é representada pela molecada do Nós do Morro e pelo surpreendente Nego Ney, que começou como um meme no YouTube e vem emplacando uma série de projetos excelentes em 2023, com atuações muito interessantes, como How To Be a Carioca e Nosso Sonho. Vale a pena ficar de olho no garoto nesses próximos anos.

Não deixe de assistir:

Outro aspecto fenomenal é a trilha musical da série. Misturando canções originais com clássicos da música nacional, é uma seleção apaixonante. Em conversa com Carlos Saldanha, o diretor nos revelou que esse mérito vai para a cantora Maria Gadú, que trabalhou como produtora musical do show. Segundo Saldanha, ela embarcou de corpo e alma na proposta, deixando o ego de lado para explorar os diferentes aspectos musicais que envolvem o Rio de Janeiro.

“Quando se fala de Rio, a musicalidade é muito especial. A playlist da série é muito impressionante”, afirmou Saldanha.

E segundo ele, ainda há muito a ser contado. E se o público gostar, poderemos ter uma segunda temporada indo para outros cantos da cidade. “Temos histórias com outros países para abordar assuntos que não foram incluídos nessa. A gente não abordou futebol, não abordou carnaval, samba de raiz, a comida… Se a galera gostar e quiser mais, o que a gente mais tem é história pra contar. Eu já tenho uma ideia aqui focada na batata de Marechal Hermes”, concluiu o diretor.

Escrita, dirigida e atuada de forma apaixonante, How To Be a Carioca é uma série ridiculamente cativante, atuando quase como um abraço de mãe diante dos tempos complicados que o país vem atravessando nos últimos anos. É uma produção muito divertida, emocionante e criativa, que explora os diferentes ‘Rios’ que existem no Rio de Janeiro. E ao fim da série, caso não more na cidade, é impossível resistir à vontade de pegar o primeiro voo para a capital fluminense e viver sua própria história por aqui. Um verdadeiro espetáculo!

How To Be a Carioca está disponível no Star+

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Pedro Sobreirohttp://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.

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