quarta-feira, fevereiro 21, 2024

Crítica | Indiana Jones e a Relíquia do Destino triplica a ação e honra o legado de Harrison Ford [Cannes 2023]

Filme assistido no Festival de Cinema de Cannes 2023

Aos 80 anos, Harrison Ford ainda surpreende na pele do arqueologista aventureiro sempre preparado para defender a história e combater os nazistas. Primeiro filme da franquia sem a direção de Steven Spielberg, Indiana Jones e a Relíquia do Destino é ação do começo ao fim sem tirar o pé do acelerador. 

Os primeiros minutos são dedicados a um flashback ainda no período da Segunda Guerra Mundial, no qual o professor Jones é capturado e tenta recuperar uma relíquia sagrada, mas acaba por descobrir um artefato muito mais poderoso. Com uma técnica de rejuvenescimento digital magnífica é possível acreditar que as cenas são exatamente da época dos primeiros filmes.

Com um início de tirar o fôlego, semelhante às aberturas das franquias 007 e Missão Impossível, a direção de James Mangold traz velocidade e bastante efeitos especiais, sem deixar o lado cômico perdido. Assim, vemos o aventureiro arqueólogo já idoso acordar sozinho em seu apartamento, ser ranzinza com os vizinhos hippies e dar aulas ao mesmo tempo que salta de veículos em movimento. 

Ao se aposentar da universidade, Mr. Jones não tem outras preocupações na vida, mas com toda sua sabedoria e aventuras passadas, ele ainda tem muita história para contar e reviver. Pela primeira vez sob a tutela da Disney, a franquia ainda tem fôlego para entreter os nostálgicos e conquistar novas audiências. A começar pela presença inspiradora de Phoebe Waller-Bridge (da série Fleabag), como Helena Shaw, afilhada de Jones. 

Entre a cultura arqueológica herdada do seu pai, Basil Shaw (Toby Jones), e a ganância por leilões clandestinos, Helena coloca o experiente arqueólogo numa enrascada, forçando-o novamente a lutar contra um velho inimigo do Terceiro Reich. Afinal, Indiana Jones e a Relíquia do Destino se passe em 1969, logo após a chegada do homem à lua. Com o desejo da conquista espacial alcançado pelos norte-americanos, a ambição dos seus inimigos torna-se mais latente.

Desde o início, vemos um cientista alemão em busca de um poderoso objeto projetado pelo matemático grego Arquimedes, alguns anos antes de Cristo. Na verdade, somente parte dele está em posse de Jones, a outra precisa ser resgatada do fundo do mar a fim de descobrir seus reais poderes. No papel do vilão Jürgen Voller, o dinarmaquês Mads Mikkelsen — mais uma vez — encarna perfeitamente personagem desprezível, vide  007: Cassino Royale (2006) e Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore (2022). 

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Ao lado do impiedoso capanga Klaber (Boyd Holbrook), Jürgen Voller vai até as últimas consequências para realizar o seu sonho: para ele, após a conquista do espaço, falta conquistar o tempo. Com as famosas passagens secretas, códigos a decifrar e ruínas escondidas, o quinto filme da franquia aposta mais na perseguição em alta velocidade, seja em cima de um trem, em Tuk-Tuk, em barco, motocicleta ou mesmo avião, todos os meios de transportes são utilizados nas aventuras localizada nos Estados Unidos, no Marrocos, na Grécia e na Sicília, no sul da Itália. 

Além da afilhada Helena, Indiana Jones conta com ajuda do simpático menino Teddy (Ethan Isidore) e outros amigos de longa data, como Renaldo (Antonio Banderas). Mesmo com tragédias marcadas na sua vida, Indiana Jones consegue motivar-se a partir da sua maior paixão: a defesa da história da humanidade. Por essa perspectiva, a parte final de Indiana Jones e a Relíquia do Destino é um presente ao personagem e, talvez, uma incógnita entre sua vontade de aposentar-se ou continuar sua exploração pelas cavernas da vida. 

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nascida no Rio de Janeiro e apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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