Quando ‘La Casa de Papel’ estreou pela primeira vez na Netflix, em 2017, ninguém, absolutamente ninguém, nem mesmo o criador da série Álex Pina ou os executivos da gigante do streaming conseguia imaginar o tremendo sucesso que a história de um grupo de pessoas desesperadas tentando assaltar o Banco da Espanha faria, porque mais que entretenimento, de alguma forma aquele grupo de assaltantes trouxe uma chama de esperança aos espectadores. E hoje, quatro anos e cinco temporadas depois (esta última dividida marqueteiramente em duas partes), a jornada do atraco mais famoso do mundo pop finalmente chega ao fim, com a estreia na Netflix da segunda parte da quinta temporada de ‘La Casa de Papel’.

Após a morte catártica de Tóquio (Úrsula Corberó) – que levou consigo seis soldados – e a captura do Professor (Álvaro Morte) pela investigadora Sierra (Najwa Nimri), a gangue dos macacões vermelhos se sente acuada e desesperada. Sem líder, Lisboa (Itziar Ituño), Palermo (Rodrigo De La Serna), Denver (Jaime Lorente), Rio (Miguel Herrán), Estocolmo (Esther Acebo) e companhia devem encontrar uma forma de escoar o ouro para fora sem deixar que o coronel Tamayo (Fernando Cayo) descubra. Entretanto, uma série de imprevistos faz com que o grupo tenha que tomar importantes decisões sozinho, e pagar um alto preço pelas escolhas individuais tomadas ao longo da jornada.

A segunda parte do fim de ‘La Casa de Papel’ estreia com apenas cinco episódios de quase uma hora de duração cada. Para quem chegou até aqui – e só quer saber como tudo isso acaba – provavelmente o início da temporada irá fazer com que você perca um pouco a paciência, pois é beeem arrastado, com excesso de lavagem de roupa suja, flashbacks cansativos e muito bla bla bla e pouca ação. Isto dito, se você é desses que só querem ver o fim, dá para tranquilamente pular esse início e começar a assistir a essa temporada da metade do oitavo episódio em diante, sem com isso perder nada de relevante.



O tom de despedida permeou ambas as partes da quinta temporada, e isso fica bastante evidente agora que olhamos para trás. Álex Pina fez questão de refazer as cenas mais marcantes de sua principal obra e reformulá-las com um novo olhar. Assim, o tom nostálgico ao ver, dessa vez, Estocolmo fazendo um strip tease para Denver e ouvir uma versão bem mais carnavalesca da famosa canção ‘Bella Ciao’ enquanto a gangue comemora realmente faz com que os fãs sorriam e se sintam acarinhados pela produção, como uma despedida do último ano da escola.

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Apesar do ritmo bem mais devagar na narrativa, nas horas principais a última temporada de ‘La Casa de Papel’ conseguiu manter a adrenalina alta e dar finais dignos aos personagens mais queridos da ficção desde ‘Game of Thrones’. E, principalmente, conseguiu criar uma resolução final para o roubo e para a série à altura de tudo que vimos até aqui, sem desviar das origens da produção, trazendo soluções inteligentes e possíveis para seus próprios desafios. O fã que chegou até aqui na série não terá sua inteligência subestimada e ficará satisfeito com o que Álex Pina trouxe.



A última parte de ‘La Casa de Papel’ tem o sabor de quando um sonho muito bom tem fim, mas, ao mesmo tempo, passa ao espectador o bastão da inspiração, pois, embora os próprios personagens digam que não são um exemplo a serem seguidos, a verdade é que ‘La Casa de Papel’ marcou a história e mudou a forma de se fazer ficção de ação de entretenimento, resgatando elementos culturais da Espanha. Apesar de se tratar de um enorme assalto àquele país, no fim das contas colocou o país no radar do turismo, dos investimentos, e, claro, das produções cinematográficas da Netflix, e os reflexos dessa abertura de portas para o entretenimento espanhol podem ser desfrutados até hoje na plataforma.

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