Em teoria, quando um ator ou uma atriz atinge determinado nível em suas carreiras artísticas, dificilmente eles voltam a topar papéis mais experimentais – papeis esses que comumente são interpretados em início de carreira, quando se está querendo acumular trabalhos para poder se desenvolver e conquistar contatos. Apesar de improvável, é exatamente essa uma das gratas surpresas da comédia nacional ‘Missão Cupido’, que chega essa semana aos cinemas brasileiros, às vésperas do Dia dos Namorados.

Miguel (Lucas Salles) acaba de morrer e se transformar em um anjo da guarda. Ele é designado para cuidar de Rita (Isabella Santoni) quando ela ainda é bebê, mas, sem paciência, ele meio que joga uma praga nela, dizendo que ela terá coração fechado e não vai se deixar enganar por qualquer pessoa. Porém, 25 anos se passaram e Rita não consegue se envolver amorosamente com ninguém. Por causa disso Miguel é punido pelo Presidente (Rafael Infante) – que é tipo o Deus do céu – a voltar à Terra e corrigir o destino do coração da jovem, mas, no caminho, ele terá que superar o duelo com a Morte (Agatha Moreira). Felizmente ele conta com a ajuda do anjo Rafael (Victor Lamoglia) e do hilário Querubim com sotaque italiano (Daniel Curi).



Escrito, dirigido e produzido por Rodrigo Bittencourt (cujo último filme foi ‘Real – O Plano por Trás da História’), ‘Missão Cupido’ é um filme que tem um aspecto meio indie-baixo-orçamento, porém com um elenco conhecido do grande público – que conta ainda com as participações especiais de Guta Stresser e Kiko Mascarenhas. Soma-se a isso um argumento simples e já explorado nos cinemas (por exemplo, na comédia de Leandro Hassum, ‘O Amor dá Trabalho’ ou na série cancelada da Netflix, ‘Ninguém Tá Olhando’, que, inclusive, também tem Victor Lamoglia no elenco fazendo papel de anjo), porém bastante melhorado com uma edição ágil cheia de efeitos especiais, que transforma as transições de cena como se fossem história em quadrinhos.

Cheio de referências do universo pop, ‘Missão Cupido’ não esconde o público ao qual quer atingir: o jovem adulto, na faixa etária de seus personagens, que cresceram num universo nerd e que, de uma forma ou de outra, tem problemas de se relacionar com pessoas no geral. Chega a ser divertido ficar catando as referências no longa, como a estética da personagem Morte (inspirada no ‘Sandman’ do Neil Gaiman); nas falas do Presidente, que criou ‘Kill Bill’ e ‘O Poderoso Chefão’; na disputa e na edição estilo ‘Scott Pilgrim Contra o Mundo’ e por aí vai. É o tipo de filme que passaria na sessão meia-noite de um festival de cinema.

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Se por um lado sobra comicidade na produção, ela cai toda vez que a personagem Rita entra em cena. Com seu jeito passivo-agressivo de ser, ela é uma protagonista por quem o espectador não consegue sentir empatia nem torcer pelo seu final feliz, até porque seus argumentos para ser como é não convencem nem se justificam.

Mas o que vale é que ‘Missão Cupido’ é uma comédia pela qual você não dá nada e acaba se surpreendendo pela despretensão da produção. Há cenas tão zoadas e toscas, que a gente ri de verdade. É uma grata surpresa que chega aos cinemas para o jovem adulto nerd rir e se divertir sem compromissos.

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