terça-feira, junho 25, 2024

Crítica | Nem mesmo o charme de Lindsay Lohan consegue salvar a desastrosa rom-com ‘Pedido Irlandês’

Houve um tempo em que Lindsay Lohan era a maior celebridade do mundo do entretenimento. Após protagonizar os clássicos ‘Operação Cupido’ e ‘Sexta-Feira Muito Louca’, ela dominou o mundo com o icônico ‘Meninas Malvadas’, eternizando-se como a queridinha da América por muitos anos – até cair em um inexplicável ostracismo após enfrentar problemas pessoais. Nos últimos anos, entretanto, Lohan voltou à ativa e às comédias românticas que ajudaram a popularizar sua carreira planeta afora, retornando mais uma vez em sua parceria com a Netflix para ‘Pedido Irlandês’ (segunda colaboração com a gigante do streaming após o sucesso inesperado de ‘Uma Quedinha de Natal’, que estreou em 2022).

Na trama, Lohan interpreta Madeline “Maddie” Kelly, uma editora literária que é apaixonada por seu parceiro criativo Paul Kennedy (Alexander Vlahos), um famoso escritor que está ascendendo a uma fama exponencial ano após ano. Com o sucesso inexplicável de seu último romance, Maddie acredita que Paul irá revelar que sente a mesma coisa por ela – mas uma reviravolta inesperada o coloca no caminho de uma das melhores amigas da protagonista, Emma (Elizabeth Tan), propulsionando o relacionamento dos dois a culminar em um casamento. Para desespero de Maddie, ela acredita que não há nada que possa fazer; isto é, até ela viajar para a festa de noivado na Irlanda e realizar um pedido a Santa Brígida, uma das entidades mais famosas da cultura local, e conseguir tudo o que sempre quis.

Após o desejo se realizar, Maddie se vê no lugar de Emma, prestes a se casar com Paul e tendo tudo o que sempre quis à palma da sua mão. Entretanto, o pedido concedido serviu apenas para ela descobrir que o destino não pode ser controlado e que, na verdade, algo muito melhor estava lhe esperando – e que se manifesta através do charmoso e humilde fotógrafo James Thomas (Ed Speleers), que contrata para ficar responsável pelos registros de seu casamento. E, considerando o teor bastante familiar do longa-metragem, era apenas natural que a narrativa fosse recheada de clichês e convencionalismos muito conhecidos dentro do gênero rom-com; o que não esperávamos é que nem mesmo o charme de Lohan conseguiria salvar o projeto de ser um desastre completo, tanto nos quesitos técnicos, quanto nos criativos.

Dirigido por Janeen Damian, percebemos desde o começo que as engrenagens essenciais do filme não se completam em nenhum momento: logo de cara, temos uma cansativa sequência na festa de lançamento do novo romance de Paul em Nova York, apresentando através de planos sem inspiração cada um dos personagens; pouco depois, a fragmentada montagem dá um salto significativo no tempo até contrastar com as bucólicas e místicas paisagens da Irlanda, premeditando os acontecimentos que irão reger a vida da protagonista a partir de então. Cena a cena, vemos que os personagens não têm qualquer desenvolvimento palpável, reduzidos a uma mixórdia de estereótipos e a descartes fajutos de personas que já vimos em títulos muito melhores.

O roteiro se delineia sobre os mesmos problemas, lutando para ter qualquer ritmo, mas falhando em nos convencer do cosmos que cria. Kirsten Hansen, por melhores que tenham sido suas intenções, parece jogar uma mistura de ‘De Repente 30’ com ‘Casa Comigo?’ em um liquidificador em potência máxima, usando uma massa homogênea para tapar os vários furos de enredo e as exauríveis investidas a fim de criar o mais do mesmo. E, conforme nos aproximamos do final do longa, notamos que saímos de lugar nenhum e chegamos a nenhum lugar – com uma mínima mudança de personalidade na protagonista e um desperdício de potencial que é perceptível até mesmo dentro das engessadas métricas das rom-coms.

Nem mesmo o elenco consegue se sobressair em meio a tantos obstáculos. Lohan carrega seu conhecido charme através de uma personagem que não parece enxergar nada além do próprio nariz, enquanto Vlahos e Tan estão tão exagerados que parecem paródias de algo que teria funcionado de forma mais sólida em qualquer outro estilo cinematográfico. O único que se desvencilha de uma rendição obrigatória ao que o roteiro e a direção mandam é Speleers, provavelmente em virtude de um fascínio britânico que encarna com naturalidade e que transmite através de falas previsíveis e esquecíveis. E o mais frustrante é que Damian tenta nos convencer da beleza da obra através de belíssimas cenas panorâmicas que dão destaque ao majestoso casarão da família Thomas, aos pitorescos bares da vila local ou à anfigúrica ambientação dos Penhascos de Moher (como se tivéssemos em mão um panfleto turístico).

Já podíamos imaginar que ‘Pedido Irlandês’ não tinha quaisquer chances de trazer algo novo ao gênero, mas o resultado é aquém do que desejávamos. E o pior de tudo é ver como o longa desperdiça seu potencial em prol de uma manada incontrolável de fórmulas vazias e de mensagens que, no final das contas, não fazem o menor sentido.

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Thiago Nollahttps://www.editoraviseu.com.br/a-pedra-negra-prod.html
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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