terça-feira, fevereiro 20, 2024

Crítica Netflix | Sex Education – 4° Temporada – Diversidade e autoaceitação dão o tom de ENCERRAMENTO da ÓTIMA série

A gente ama, aprende e segue em frente. Quem nunca ouviu essa máxima sobre os relacionamentos pela longa estrada da vida? Esta é a tônica despertada por Laurie Nunn ao colocar no ar a temporada final de Sex Education (2019-2023), um dos seriados mais queridos e importantes para os jovens na última década, disponível na Netflix

Desde 2019, o público aprendeu a gostar de Otis (Asa Butterfield), Maeve (Emma Mackey), Eric (Ncuti Gatwa), Adam (Connor Swindells), Aimee (Aimee Lou Wood), entre vários outros. Com suas questões peculiares, tornou-se aprazível acompanhá-los interagindo entre corredores da escola no meio de tantas personalidades distintas, mas sob o mesmo leque das dúvidas sobre amor e sexo. 

Ao longo de quatro temporadas, Sex Education explorou diversos tabus — escondidos dos programas de entretenimento — e criou um espaço seguro para falar sobre assuntos delicados da idade. Se hoje séries como Heartstopper (2022-) e Young Royals (2021-) têm protagonista queer, Sex Education deu os primeiros passos ao abraçar todos os tipos de identidades. Sendo assim, um farol para produções mais assertivas em relação à aceitação de todos os corpos. 

A quarta e última temporada começa com desencontros, sumiços e novidades. Os personagens Lily (Tanya Reynolds), Ola (Patricia Allison), Rahim (Sami Outalbali), por exemplo, dão espaço a novos rostos na Cavendish College, após o fechamento do colegial Moordale. Se a terceira temporada colocava em guerra a liberdade dos adolescentes à própria sexualidade frente a um modelo conservador e repressivo de educação, a quarta é completamente focada em um ambiente de aceitação e liberdade de todas as diferenças. 

Maeve segue seu caminho como uma futura escritora nos Estados Unidos, enquanto tenta manter uma relação a distância com Otis. O destino, no entanto, lhe prega uma peça fatal, sendo um dos momentos mais emocionantes da série. Sua volta forçada pela dor à cidadezinha inglesa coloca em evidência o futuro incerto entre o casal protagonista. O seriado, entretanto, não é sobre finais felizes, mas aprendizados e, assim, [ao final] cada um deles consegue descobrir seus caminhos em busca de conquistar seus sonhos.

De um outro lado, Aimee tenta libertar-se do trauma de assédio no ônibus [ocorrido na segunda temporada] através da arte. Durante oito episódios, ela dedilha qual será sua mensagem para o mundo por meio da fotografia e desbloqueia o seu envolvimento com outras pessoas. Para isso, ela conta com a ajuda de Isaac (George Robinson)  — personagem que conquistou a simpatia do público na temporada anterior e mobiliza os espectadores a pensar na acessibilidade dos cadeirantes —, assim como a nova estudante Aisha (Alexandra James), portadora de deficiência auditiva. 

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O novo ensino médio é positivista, isto é, Cavendish é evoluído na abolição de papéis, salas recreativas e tablets para todos os alunos. Lá, Otis acredita ter encontrado o ambiente perfeito para implementar sua clínica sexual de forma gratuita, mas depara-se com a concorrente O. (Thaddea Graham), uma jovem com canal no YouTube e milhares de seguidores no Instagram

Os populares da escola são um casal trans. Abbi (Anthony Lexa), uma mulher trans e Roman (Felix Mufti), um homem trans. É como esmero que o seriado trata da questão sexual entre os dois. Enquanto o casal já passou pela transformação física, Cal (Dua Saleh) continua em guerra com seu corpo e afeta a sua mente. A personagem começa a tomar testosterona, mas a presença da sua menstruação é um sofrimento intenso para alguém que não se reconhece nessa estrutura física sangrenta todos os meses. 

Com episódios, em média, de uma hora e o último de uma hora e vinte e cinco minutos, todos os personagens são bem desenvolvidos, mesmo com menos tempo de tela, eles passam por momentos de tensão. Os amigos Jackson (Kedar Williams-Stirling) e Viv (Chinenye Ezeudu), por exemplo, possuem os duros dilemas de relacionamento abusivo e doença hereditária. 

Como todos esses elementos, Sex Education deixa o relacionamento de Maeve e Otis com tanta importância quanto os dois outros personagens. O grande destaque dessa umtima temporada é a precursora de todo esse movimento — e tormentos de Otis — a sexóloga Jean Millburn (Gillian Anderson). Com uma filha recém-nascida e em luto pelo abandono do parceiro ainda amado, ela enfrenta diversos traumas do passado, como o ex-marido e a irmã mais nova, para nos lembrar que problemas e neuroses são uma constante existencial. 

Sem esquecer dos pais de Adam e o caminho da autoaceitação da bissexualidade. Já Eric encontra sua vocação de forma surpreende e até Ruby (Mimi Keene), depois do processo de humanização da personagem na temporada passada, tem o seu momento de raiva, vingança e perdão. 

Pelo título, Sex Education tinha um propósito chave: iluminar o caminho dos jovens e adultos sobre a sua sexualidade sem traumas e distúrbios, mas fazendo atenção a abusos e consentimentos. Algo somente possível por meio da comunicação, ou seja, é preciso poder falar sobre o problema a fim de solucioná-lo e ter uma vida mais plena, sem as barreiras das normas moralistas e dogmáticas. É isso que Sex Education nos ensina e deixa de lição para essa e, possivelmente, outras gerações.

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nascida no Rio de Janeiro e apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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